Ambulatório de cardiologia: tudo o que você precisa saber para mandar bem no ambulatório de cardiologia!
As doenças cardiovasculares (DCV) são uma das principais causas de morbimortalidade no mundo (29,2% da mortalidade). As patologias mais prevalentes em um ambulatório de cardiologia podem variar de acordo com a região geográfica, fatores demográficos e estilo de vida da população atendida.
No entanto, algumas das patologias cardíacas mais comuns que os cardiologistas costumam tratar incluem a hipertensão arterial, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca congestiva e arritmias cardíacas.
Hipertensão arterial no ambulatório de cardiologia: como diagnosticar?
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) representa um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e pode ter consequências graves para diversos órgãos, incluindo o:
- Coração
- Cérebro
- Rins
- Sistema vascular.
Além disso, ela é considerada um sério problema de saúde pública devido à sua natureza crônica, aos custos elevados associados a internações hospitalares, à incapacidade resultante de invalidez e à aposentadoria precoce.
No Brasil, um estudo conduzido por Miranzi e colaboradores revelou que aproximadamente 17,6% das hospitalizações estão relacionadas à hipertensão arterial sistêmica. Esse agravamento consome cerca de 5,9% dos recursos destinados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Qual a fisiopatologia da hipertensão arterial sistêmica?
A fisiopatologia da hipertensão arterial sistêmica (HAS) é complexa e envolve uma interação de vários sistemas e fatores no corpo. Geralmente, a HAS resulta de um desequilíbrio entre os mecanismos que regulam a pressão arterial.
As artérias têm a capacidade de contrair e relaxar. Quando as paredes arteriais estão cronicamente contraídas (vasoconstrição), a resistência ao fluxo sanguíneo aumenta, o que leva a um aumento na pressão arterial. Isso pode ocorrer devido a várias causas, incluindo ação do sistema nervoso simpático e substâncias vasoconstritoras.
O Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) desempenha um papel importante na regulação da pressão arterial. Quando os rins detectam uma queda na pressão arterial, eles podem liberar renina, uma enzima que inicia uma cascata de eventos levando à formação de angiotensina II, uma substância que causa vasoconstrição e estimula a retenção de sódio e água pelos rins, aumentando o volume sanguíneo e a pressão arterial.
Fatores de risco
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) englobam diversos aspectos, incluindo:
- Hereditariedade
- Idade: o risco de HAS aumenta com o envelhecimento, sendo mais comum em pessoas mais velhas
- Raça: os afro-americanos, têm maior propensão à hipertensão e frequentemente desenvolvem a condição em idades mais jovens
- Obesidade
- Estresse
- Estilo de vida sedentário
- Consumo excessivo de álcool
- Sexo: os homens têm uma tendência ligeiramente maior a desenvolvê-la em idades mais jovens, enquanto nas mulheres, a incidência aumenta após a menopausa
- Uso de anticoncepcionais
- Alta ingestão de sódio
Como diagnosticar a hipertensão arterial no ambulatório de cardiologia?
É recomendável que o diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica (HAS) seja confirmado através de múltiplas visitas médicas, sempre que possível. Geralmente, são necessárias de 2 a 3 visitas com intervalos de 1 a 4 semanas (dependendo do nível de pressão arterial) para estabelecer o diagnóstico de forma precisa. No entanto, em casos em que a pressão arterial (PA) do paciente na primeira visita seja igual ou superior a 180/110 mmHg e haja evidência de doença cardiovascular, o diagnóstico pode ser feito em uma única visita.
Além disso, é altamente recomendável incluir a medição da PA fora do ambiente de consultório. Esse procedimento é conhecido como monitoramento ambulatorial da pressão arterial (MAPA). É utilizado tanto para fins diagnósticos, quanto para pacientes que apresentam pressão arterial elevada no consultório, mesmo quando estão em tratamento otimizado. O MAPA fornece uma visão mais completa e precisa da pressão arterial ao longo do dia e da noite, ajudando a evitar diagnósticos errôneos baseados apenas em medições pontuais no consultório médico.
Esse enfoque em múltiplas medições e no uso de MAPA quando apropriado contribui para um diagnóstico mais confiável e permite um melhor controle da hipertensão, auxiliando na prevenção de complicações associadas a essa condição de saúde crônica.
Tratamento da HAS
O tratamento baseia-se na mudança no estilo de vida e no tratamento farmacológico. A mudança no estilo de vida baseia-se na adoção de hábitos saudáveis de alimentação e prática de atividade física.
O tratamento farmacológico pode ser visualizado no fluxograma a seguir:
Doença arterial coronariana: como tratar esses pacientes no ambulatório de cardiologia?
A doença arterial coronariana (DAC), também conhecida como doença das artérias coronárias, é uma condição médica em que as artérias coronárias que fornecem sangue ao músculo cardíaco (miocárdio) ficam obstruídas ou estreitadas devido ao acúmulo de placas de aterosclerose.
Essas placas consistem em depósitos de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias, que podem se acumular nas paredes das artérias ao longo do tempo. A DAC é uma das principais causas de doença cardíaca em todo o mundo.
Fatores de risco para DAC
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da DAC incluem:
- Idade avançada.
- Tabagismo.
- Hipertensão arterial.
- Colesterol elevado no sangue.
- Diabetes mellitus.
- Histórico familiar de doença cardíaca.
- Obesidade.
- Inatividade física.
- Estresse crônico.
- Dieta rica em gorduras saturadas e colesterol.
Sintomas da DAC
A dor no peito associada à isquemia miocárdica muitas vezes exibe as seguintes características:
- A dor é frequentemente descrita como uma sensação de aperto, opressão, pressão, peso ou queimação
- Localizada na região subesternal
- A dor pode se manifestar em qualquer parte do tórax, mais comumente no centro ou no lado esquerdo, e também pode irradiar para os ombros, braços, pescoço, mandíbula, dentes, costas (entre as escápulas) e, menos frequentemente, na parte superior do abdome
- A dor geralmente começa na parte frontal do tórax e pode se espalhar para os ombros, braços, pescoço, mandíbula, dentes e costas.
Como fazer o diagnóstico da DAC?
A abordagem diagnóstica deve começar com uma estratificação inicial de risco. Nessa fase, a idade e a natureza dos sintomas desempenham um papel central, mesmo quando esses sintomas apresentam características atípicas. Para pacientes que relatam dor torácica, apresentam equivalente isquêmico (como diminuição da tolerância ao esforço ou dispneia), ou mesmo aqueles sem sintomas, mas que apresentam fatores de risco para doença isquêmica, é crucial realizar uma avaliação abrangente. Isso inclui uma:
- História clínica detalhada
- Exame físico minucioso
- Realização de testes complementares para fins diagnósticos e para avaliar a gravidade da condição.
Conforme mencionado anteriormente, a probabilidade prévia de doença arterial coronariana (DAC) é estimada considerando a presença e características dos sintomas, idade, sexo e outros fatores de risco relevantes.
Para indivíduos com baixa probabilidade de DAC, a investigação adicional concentra-se na busca por causas não cardíacas da dor torácica. Por outro lado, aqueles com alta probabilidade de DAC devem prosseguir com uma investigação diagnóstica detalhada para estratificação do risco individual de eventos cardíacos.
No caso de indivíduos com probabilidade intermediária, é necessária uma abordagem mais completa. Isso envolve não apenas a busca pelo diagnóstico da DAC, mas também a estratificação do risco, exigindo métodos subsequentes para determinar a gravidade da condição e orientar o tratamento adequado.
Acesso esse artigo e saiba mais sobre o diagnóstico da DAC!
Tratamento
Quando a aterosclerose é detectada em estágios iniciais, podem ser prescritos medicamentos como:
- Nitratos
- Betabloqueadores
- Bloqueadores dos canais de cálcio
- Aspirina ou estatinas (redutores de colesterol).
Esses medicamentos têm o potencial de retardar a progressão da doença ou aliviar seus sintomas.
O tratamento cirúrgico é uma cirurgia de revascularização do miocárdio, conhecida como “CRM”. Consiste em um procedimento cardíaco comum em que um cirurgião remove uma seção de um vaso sanguíneo saudável de áreas como a perna, o peito ou o braço do paciente. Em seguida, esse vaso é cuidadosamente conectado (enxertado) à artéria coronária, geralmente próxima ao local da obstrução. Essa ação cria uma nova rota para o fluxo sanguíneo, permitindo que o sangue contorne (revascularize) a obstrução na artéria e alcance o músculo cardíaco.
Como identificar a insuficiência cardíaca congestiva no ambulatório de cardiologia?
Na insuficiência cardíaca congestiva (ICC) o coração não consegue manter sua função de bombeamento de sangue de forma adequada. Suas principais causas incluem:
- Cardiopatia isquêmica
- Hipertensão arterial
- Abuso de álcool.
No início do desenvolvimento da insuficiência cardíaca, ocorre uma hipertrofia do ventrículo esquerdo (VE), seguida pela ativação de sistemas vasoconstritores, tais como o sistema simpático, o sistema renina-angiotensina e a vasopressina. Eventualmente, a condição pode progredir para uma falência completa do coração.
Disfunção sistólica x disfunção diastólica
A insuficiência cardíaca causada por disfunção sistólica geralmente ocorre quando o coração não consegue se contrair adequadamente. Embora ele possa se encher de sangue, não consegue bombear todo esse volume devido a fraqueza muscular ou problemas na válvula cardíaca. Isso resulta na redução da quantidade de sangue que é bombeada do coração para o corpo e os pulmões, frequentemente levando ao alargamento do ventrículo.
Por outro lado, a insuficiência cardíaca por disfunção diastólica ocorre devido ao endurecimento do coração, especialmente do ventrículo esquerdo, que pode tornar-se mais espesso. Isso leva a uma dificuldade no enchimento do coração com sangue de forma normal. Como consequência, o sangue tende a retroceder para o átrio esquerdo e os vasos pulmonares, resultando em congestão.
Como identificar um paciente com ICC?
Os sintomas da insuficiência cardíaca podem aparecer de repente, especialmente quando causados por um ataque cardíaco. No entanto, na maioria das vezes, as pessoas não apresentam sintomas quando o coração começa a ter problemas. Os sintomas se desenvolvem gradualmente e podem levar dias, meses ou até mesmo anos para se tornarem evidentes.
Alguns sintomas comuns são:
- Dispneia
- Fadiga
- Edema nas pernas
- Incapacidade de realizar exercícios ou outras atividades que exijam esforço.
Os médicos normalmente suspeitam da ocorrência de insuficiência cardíaca com base apenas nos sintomas. O diagnóstico é confirmado pelos resultados de um exame físico, incluindo:
- Pulsação fraca (muitas vezes rápida)
- Redução da pressão arterial
- Sons cardíacos anormais
- Sopros
- Acúmulo de líquido nos pulmões (ambos identificados através de um estetoscópio)
- Aumento do fígado e inchaço no abdômen ou nas pernas.

Tratamento do paciente com ICC no ambulatório de cardiologia
O tratamento da insuficiência cardíaca envolve a implementação de várias medidas gerais, além do tratamento das condições subjacentes que possam contribuir para o seu desenvolvimento. Isso inclui a adoção de mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos específicos para tratar a insuficiência cardíaca.

Arritmias cardíacas: como tratar?
Uma arritmia cardíaca é uma alteração que ocorre na formação ou condução do estímulo elétrico do coração, resultando em modificações no ritmo cardíaco. Essas arritmias podem ser classificadas em benignas ou malignas.
Indivíduos que apresentam problemas no músculo cardíaco, como histórico de infarto, cicatrizes de inflamações, doença nas artérias coronárias ou insuficiência cardíaca, estão no grupo de maior risco para arritmias cardíacas. Por outro lado, arritmias em corações estruturalmente normais geralmente tendem a ser benignas, embora existam exceções.
Sintomas e diagnóstico das arritmias cardíacas
Os sintomas mais comuns da arritmia são:
- Palpitações
- Sensação de batimentos lentos
- Desmaios
- Confusão mental
- Fraqueza
- Pressão baixa
- Desconforto torácico.
Tratamento das arritmias no ambulatório de cardiologia
Em indivíduos com uma arritmia considerada inofensiva, embora desconfortável, o tratamento adequado pode envolver a confirmação de que a arritmia não apresenta gravidade significativa. Em algumas situações, as arritmias podem diminuir em frequência ou até mesmo desaparecer quando um medicamento é substituído ou sua dose é ajustada. Evitar o consumo de álcool, cafeína (presente em bebidas e alimentos) e tabaco também pode ser benéfico. Se as palpitações ocorrerem apenas durante a prática de exercícios físicos extenuantes, é aconselhável evitar essas atividades até que os médicos possam avaliar a eficácia do tratamento.
Medicamentos antiarrítmicos desempenham um papel importante na supressão de taquiarritmias que causam sintomas intoleráveis ou representam risco à saúde. Vale ressaltar que não existe um único medicamento que seja universalmente eficaz na eliminação de todas as arritmias em todas as pessoas. Muitas vezes, é necessário realizar várias tentativas com diferentes medicamentos até que se alcance uma resposta satisfatória ao tratamento.
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Referência bibliográfica
- FAUCI, Jameson. et al. Medicina Interna de Harrison. Porto Alegre: AMGH, 2020.
- Rohde LEP, Montera MW, Bocchi EA, Clausell NO, Albuquerque DC, Rassi S, Colafranceschi AS, et al. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq. Bras. Cardiol. 2018;111(3):436-59.
- PORTO, C. C. Semiologia Médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.