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Aleitamento materno: tipos, benefícios e contraindicações

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O aleitamento materno é reconhecido como a forma ideal de alimentação nos primeiros meses de vida, oferecendo benefícios imunológicos, nutricionais e psicossociais essenciais para o desenvolvimento do lactente. De acordo com o Ministério da Saúde, recomenda-se que o leite materno seja ofertado em livre demanda até os seis meses de vida, de forma exclusiva. Assim, a partir desse período, inicia-se a introdução alimentar, sem a interrupção da amamentação, que deve ser mantida até, pelo menos, os dois anos de idade.

Principais tipos de aleitamento materno

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 18 classificações distintas para o aleitamento materno. No entanto, na prática clínica, destacam-se quatro formas principais:

Aleitamento materno exclusivo

Neste modelo, o lactente recebe apenas leite materno, independentemente de sua forma de oferta (diretamente da mama ou extraído). Não há administração de água, chás, sucos ou outros alimentos. É o tipo mais indicado até os seis meses de vida, salvo em situações clínicas específicas. Além disso, vale ressaltar que medicamentos prescritos por profissionais de saúde não descaracterizam a exclusividade.

Aleitamento materno predominante

Nesta modalidade, o leite materno permanece como a principal fonte nutricional, mas há a introdução eventual de líquidos como água, sucos naturais ou chás. Não se incluem sólidos ou semissólidos. Embora comum em determinadas culturas, o uso de líquidos adicionais não é recomendado antes dos seis meses, em razão do risco aumentado de infecções.

Aleitamento materno complementado

Ocorre quando a criança recebe alimentos sólidos ou semissólidos junto ao leite materno, com a finalidade de complementar a alimentação. Dessa forma, essa prática é típica da fase pós-introdução alimentar e deve priorizar a manutenção do leite materno como base da dieta até os dois anos. Importante frisar que fórmulas infantis e outros leites não são considerados alimentos complementares.

Aleitamento materno misto ou parcial

Neste caso, a criança recebe, concomitantemente, leite materno e outras fontes lácteas, como fórmulas infantis. Tal abordagem pode ser necessária em situações específicas, mas deve ser acompanhada por orientação profissional. Dessa forma, é fundamental evitar o uso de leite de vaca integral antes dos dois anos, devido ao risco de sobrecarga renal e deficiências nutricionais.

Benefícios do aleitamento materno

O aleitamento materno traz benefícios comprovados para o lactente, a mãe e a sociedade como um todo. Além disso, é uma prática com impacto positivo em saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento.

Para o bebê

  • Redução da mortalidade infantil: o leite materno possui propriedades imunológicas que protegem contra infecções respiratórias, gastrointestinais bem como sistêmicas. Estima-se que o aleitamento exclusivo pode evitar até 13% das mortes infantis globalmente
  • Prevenção de diarreias: a administração de líquidos como água ou chá, antes dos seis meses, duplica o risco de diarreia grave, especialmente em contextos de baixa renda
  • Menor prevalência de alergias: o leite materno protege contra condições alérgicas, incluindo dermatite atópica, asma e alergia à proteína do leite de vaca
  • Redução da obesidade infantil: a amamentação favorece o desenvolvimento adequado do trato gastrointestinal e regula o apetite, diminuindo assim o risco de sobrepeso na infância
  • Melhor desenvolvimento orofacial: o esforço de sucção durante a amamentação contribui para a formação adequada do palato e alinhamento dentário.

Para a mãe

  • Redução do risco de câncer de mama: a amamentação prolongada está associada a uma redução de até 4,3% no risco a cada 12 meses de lactação.
  • Efeito contraceptivo natural: a lactação exclusiva promove a inibição do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, resultando em anovulação. Quando corretamente aplicada, pode atingir eficácia anticoncepcional de 98% nos primeiros seis meses pós-parto.
  • Economia financeira: evita a necessidade de compra de fórmulas lácteas, cujo custo pode ser significativo no contexto familiar.
  • Fortalecimento do vínculo mãe-bebê: o contato físico e emocional durante a amamentação estimula a liberação de ocitocina, promovendo vínculo afetivo e segurança emocional.

Contraindicações ao aleitamento materno

Apesar de seus inúmeros benefícios, há situações em que o aleitamento deve ser suspenso, seja de forma temporária, permanente ou em casos de contraindicações equivocadas, conhecidas como falsas contraindicações.

Contraindicações permanentes

  • Mães com infecção ativa por HIV, HTLV-1 ou HTLV-2.
  • Mulheres em uso de antineoplásicos ou radiofármacos.
  • Casos maternos de câncer de mama ativo.
  • Lactentes com galactosemia clássica. Outras condições como fenilcetonúria ou intolerância à glicose devem ser avaliadas individualmente.

Contraindicações temporárias

  • Citomegalovirose materna com risco de transmissão pelo leite, especialmente em prematuros.
  • Tuberculose pulmonar ativa: amamentação é permitida com o uso de máscara, em ambientes ventilados.
  • Infecção herpética em região mamária.
  • Varicela materna com início cinco dias antes até dois dias após o parto.
  • Doença de Chagas na fase aguda ou com lesões mamilares sangrantes.
  • Uso recente de drogas ilícitas ou álcool: deve-se observar o tempo de metabolização da substância antes de retomar a amamentação.

Falsas contraindicações

  • Hanseníase: apenas casos de hanseníase virchowiana não tratada contraindicam a amamentação.
  • Hepatites virais: em geral, não contraindicam a amamentação se a criança for imunizada adequadamente.
  • Dengue: a transmissão não ocorre pelo leite materno.
  • Tabagismo: embora não seja ideal, não é contraindicação absoluta. Recomenda-se evitar exposição da criança à fumaça.
  • Consumo eventual de álcool: após cerca de duas horas da ingestão de pequena quantidade, a mãe pode amamentar com segurança.

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Referências bibliográficas

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