Além de
alimentar a criança, o aleitamento materno protege mãe e filho(a) contra
algumas doenças, promove o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança e o
bem-estar físico e psíquico de ambos.
O leite materno é um alimento completo (contém água, carboidratos, proteínas, gorduras e fatores imunológicos) e de fundamental importância para a saúde do bebê (pois previne a ocorrência de infecções bacterianas do trato gastrointestinal, alergias, obesidade e outras doenças). É, portanto, um excelente aliado na redução da mortalidade infantil.
Ademais, a amamentação exclusiva traz benefícios para a saúde da mãe (como o efeito contraceptivo temporário, ponto que deve ser reforçado pelo profissional de saúde durante todo o acompanhamento da gestação por ser algo muito interessante no que diz respeito ao planejamento familiar).
Para tentar
identificar se aquela nutriz de fato está praticando a amamentação exclusiva, é
importante lembrar a classificação das diferentes formas de realização do
aleitamento materno.
- Exclusivo: somente leite materno
(ou leite humano de outra fonte), sem nenhum outro líquido ou sólido. Ideal
para os seis primeiros meses de vida. - Predominante: quando a criança
recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água e sucos. - Complementado: quando a criança
recebe, além do leite materno, alimentos complementares (qualquer alimento
sólido ou semissólido com a finalidade de complementar o leite materno). - Misto ou parcial: quando são
fornecidos para o bebê, além do leite materno, outros tipos de leite.
A boa técnica
é fundamental para o sucesso da prática da amamentação. Tenha segurança no que
diz respeito aos elementos que a compõem e repasse os pontos sempre que julgar
necessário com a equipe e com as famílias que estão sendo assistidas no
pré-natal. O bebê deve estar bem apoiado, com a cabeça e o troco alinhados. O
rosto do bebê deve ficar de frente para a mama. O corpo do bebê deve ser
colocado próximo ao corpo da mãe; com a boca aberta, o lábio inferior virado
para fora e o queixo tocando a mama. A aréola deve ficar um pouco mais visível
acima da boca do bebê. Materiais como bonecos, fotos e panfletos educativos
podem auxiliar bastante nessa demonstração. Repita essas orientações quantas
vezes julgar necessário e certifique-se de que houve o entendimento correto de
quem as está recebendo. Ainda, esteja disponível para tirar eventuais dúvidas
que possam surgir ali ou posteriormente (isso pode fazer toda a diferença para
os seus pacientes).
Atenção: Depois de a
criança ter sugado um dos seios por dez minutos, o processo deve ser repetido
no outro. Na próxima mamada, a ordem deve ser invertida a fim de facilitar o
esvaziamento das mamas. Lembre-se de dar essa instrução ao longo da consulta
também.
A prática da
amamentação é fortemente influenciada pelo meio em que está inserida a nutriz.
Para um aleitamento materno bem-sucedido, a mãe necessita de constante
incentivo e suporte, não só dos profissionais de saúde, mas também dos seus
familiares e da comunidade. Por esse motivo, é uma temática que precisa ser
abordada regularmente por nós.
É fundamental
lembrar-se ainda de que mulheres com desnutrição grave podem ter o seu leite
afetado, tanto qualitativa como quantitativamente (portanto, oriente a gestante
para que ela busque estabelecer uma boa alimentação ao longo de toda a sua
gravidez; isso irá ajudar a manter o bebê bem nutrido). Além disso, a água
contribui com quase 90% da composição do leite materno (logo, se sua paciente
estiver amamentando, reforce que é preciso que ela tome bastante água todos os
dias para ajudar a manter o bebê bem hidratado). Muitas nutrizes não possuem
essa informação e acabam dando água para o lactente por imaginarem que ele está
sentindo sede e precisando disso.
Outro
importante fator é o fortalecimento do vínculo entre a mulher e o(a) filho(a).
E do pai com ambos. Incentivar a participação dele é algo valioso durante todas
as etapas dessa nova vida em desenvolvimento. Os membros da família poderão
apoiar-se mutuamente diante das dificuldades do cotidiano e devemos ter sempre
esse olhar no que diz respeito ao aleitamento materno e ao ato de fornecer
orientações dentro desse contexto.
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Autora: Gleiciane Miranda, Estudante de Medicina.
Instagram: @com.partilhandosaude