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Akkermansia muciniphila: o que é e como influencia a saúde?

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Descubra o papel da Akkermansia muciniphila na regulação do metabolismo e da microbiota intestinal.

A Akkermansia muciniphila é uma bactéria que coloniza a mucosa intestinal de humanos e, nas últimas décadas, tem sido investigada devido ao seu potencial como probiótico imunomodulador.

O que é a Akkermansia muciniphila

A Akkermansia muciniphila é uma bactéria Gram-negativa, anaeróbica, oval, imóvel e tolerante ao oxigênio, que tem a capacidade de degradar a camada de muco do trato intestinal. Essa espécie pertence ao filo Verrucomicrobia e coloniza o trato intestinal desde o início da vida, representando cerca de 3% da microbiota total em indivíduos saudáveis adultos.

Além disso, encontra-se principalmente nas regiões finais do intestino delgado e grosso, onde utiliza a mucina como sua principal fonte de energia, a fim de obter os aminoácidos e os açúcares necessários para seu desenvolvimento bacteriano.

Ao degradar a mucina, Akkermansia muciniphila gera carboidratos menos complexos, além de acetato e propionato. Esses últimos são utilizados como substratos por outras bactérias e pelo próprio hospedeiro e também relacionam-se à regulação do ganho de peso corporal, devido aos seus efeitos anoréxicos, anti-inflamatórios e metabólicos.

Como a Akkermansia muciniphila influencia na saúde

O intestino é habitado basicamente por quatro filos de bactérias: Firmicutes, Bacteroidetes, Proteobacteria e Actinobacteria.

Diversos fatores, como o uso de antibióticos, dieta e pH, podem alterar a microbiota intestinal. Consequentemente, mudanças na microbiota (disbiose) podem desencadear respostas imunes anormais no tecido linfático associado ao intestino, prejudicando a resposta imunológica sistêmica.

Dado o potencial de algumas bactérias probióticas do intestino atenuarem doenças inflamatórias crônicas e autoimunes, atualmente investiga-se o uso de probióticos, como Bifidobacteria, Lactobacilli, Lactococci e Streptococci, como opções profiláticas e/ou terapêuticas para essas doenças. E mais recentemente, Akkermansia muciniphila tem se mostrado um probiótico promissor.

Tal bactéria destaca-se como um dos agentes bioterapêuticos mais promissores, demonstrando diversos efeitos positivos em relação a doenças metabólicas. Esses efeitos incluem:

  • Melhoria dos parâmetros metabólicos;
  • Fortalecimento da barreira intestinal;
  • Estimulação da secreção do hormônio peptídico intestinal;
  • Redução da inflamação metabólica e outros.

Papel da Akkermansia muciniphila contra a doença inflamatória intestinal

A disfunção da homeostase intestinal e da integridade da barreira mucosa está associada ao desenvolvimento de distúrbios metabólicos e gastrointestinais.

A barreira intestinal tem a função de equilibrar a absorção de nutrientes, além de realizar a proteção contra patógenos. A integridade do epitélio intestinal depende das junções estreitas, junções aderentes e desmossomos, cuja expressão pode ser aumentada por probióticos ou compostos derivados deles, como vesículas extracelulares (VEs) ou microvesículas da membrana externa (OMVs), especialmente em bactérias Gram-negativas.

Diante disso, a perda da integridade da barreira intestinal está ligada ao desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais (DII), como a colite ulcerativa (CU) e a doença de Crohn (DC). Essas doenças caracterizam-se por uma resposta imune exacerbada à microbiota intestinal e, consequentemente, danos aos tecidos.

Alguns estudos revelaram que a composição da microbiota intestinal é diferente entre pessoas saudáveis e aquelas com DII, com destaque para a diminuição de Akkermansia muciniphila em pacientes com CU.

Além disso, pesquisas mais recentes indicam que a enzima Amuc_2109 secretada por essa bactéria pode reduzir a colite ao aumentar a expressão de junções estreitas e diminuir a ativação do inflamossomo NLRP3. Ademais, a administração dessa bactéria também estimula a proliferação de células-tronco intestinais e promove a diferenciação de células de Paneth e caliciformes, promovendo o reparo da mucosa intestinal.

Portanto, esses resultados indicam que os compostos derivados de Akkermansia muciniphila, podem ser promissores como alvos terapêuticos para o tratamento de DII.

Papel da Akkermansia muciniphila contra a obesidade e a síndrome metabólica

A obesidade relaciona-se à disbiose intestinal, visto que desequilíbrios entre gasto e consumo de energia favorece a prevalência de bactérias patogênicas.

Estudos mostraram que a abundância de Akkermansia muciniphila relaciona-se inversamente ao peso corporal e aos níveis de glicemia em jejum. Em crianças obesas, por exemplo, a quantidade de Akkermansia muciniphila nas fezes é reduzida em comparação com crianças magras.

Além disso, modelos experimentais de obesidade em roedores também mostraram que essa bactéria associa-se à redução do ganho de peso, melhora na função hepática e nos níveis de glicose.

Embora os mecanismos exatos de ação ainda não sejam totalmente compreendidos, sugere-se que a Akkermansia muciniphila pode aumentar a termogênese, melhorar a secreção do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) e reduzir a absorção de carboidratos.

Ademais, ensaios clínicos confirmaram que a administração de Akkermansia muciniphila pasteurizada resultou em melhorias no perfil metabólico de pacientes obesos. Entre as principais melhorias estão:

  • Redução de peso e de gordura corporal;
  • Diminuição da circunferência do quadril;
  • Redução da resistência à insulina e nos níveis de colesterol;
  • Melhoria nos marcadores de disfunção hepáticas.

Papel da Akkermansia muciniphila contra a diabetes

A evidência sobre o efeito de Akkermansia muciniphila no diabetes ainda é controversa. Alguns estudos, como um realizado com indivíduos diabéticos tipo 2 na China, encontraram uma maior abundância da bactéria nas fezes desses pacientes. No entanto, outros estudos associaram uma menor abundância dessa bactéria em microbiotas intestinais de humanos e camundongos obesos, pré-diabéticos e diabéticos.

Em camundongos alimentados com dieta rica em gordura, observou-se uma diminuição de Akkermansia muciniphila após algumas semanas, acompanhada por inflamação, hiperinsulinemia e resistência à insulina, eventos que precedem o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Apesar das diferenças entre o diabetes tipo 2 e o diabetes tipo 1, ambas as condições são acompanhadas por disbiose intestinal. Em camundongos com deficiência da citocina IFN-γ, que têm melhor tolerância à glicose, observou-se uma maior abundância de Akkermansia muciniphila. Isso sugere que o IFN-γ pode estar envolvido na indução de alterações na microbiota intestinal, exacerbando a disbiose e contribuindo para o desenvolvimento do diabetes.

Portanto, esses estudos sugerem que Akkermansia muciniphila tem um potencial terapêutico no controle do diabetes tipo 1 e tipo 2, principalmente por meio da modulação da microbiota intestinal e da regulação de respostas inflamatórias e imunes.

Papel da Akkermansia muciniphila em distúrbios neurológicos

Estudos recentes sugerem que Akkermansia muciniphila não apenas tem efeitos benéficos no intestino, mas também pode estar associada a vários distúrbios neurológicos, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), doenças psicológicas relacionadas à Doença Inflamatória Intestinal (DII), epilepsia refratária, Doença de Alzheimer (DA) e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Uma meta-análise mostrou que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, apresentam menores níveis de Akkermansia muciniphila em comparação com controles. Embora os mecanismos ainda não sejam totalmente compreendidos, acredita-se que essa bactéria possa ajudar a melhorar a permeabilidade intestinal alterada em pacientes com TEA.

Doenças psicológicas relacionadas à Doença Inflamatória Intestinal (DII)

Além disso, observou-se uma associação entre Akkermansia muciniphila e efeitos terapêuticos na depressão induzida pela Doença Inflamatória Intestinal (DII) em modelos animais de colite com estresse crônico.

Doença de Alzheimer

Em modelos de Doença de Alzheimer, a administração de Akkermansia muciniphila melhorou distúrbios metabólicos e reduziu a deposição de proteína β-amiloide no cérebro, além de melhorar a função cognitiva.

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

No que se refere à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a suplementação com Akkermansia muciniphila em camundongos melhorou a função motora e reduziu a atrofia cerebral.

Conclusão

Portanto, conclui-se que a Akkermansia muciniphila tem se destacado nas pesquisas recentes por seus potenciais benefícios para a saúde.

Sua principal ação benéfica está na manutenção da integridade da barreira intestinal, contribuindo para a proteção contra inflamações e doenças intestinais. Além disso, essa bactéria tem demonstrado um papel importante na modulação do metabolismo, ajudando no controle do peso corporal, no aumento da sensibilidade à insulina e na melhoria da função metabólica.

Em resumo, a Akkermansia muciniphila emerge como uma poderosa aliada no fortalecimento da saúde intestinal e metabólica, abrindo portas para novas estratégias terapêuticas.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • RODRIGUES, V. F. et al. Akkermansia muciniphila e o sistema imunológico intestinal: uma boa amizade que atenua a doença inflamatória intestinal, a obesidade e o diabetes. Imunol Frontal, 2022.
  • SI, J.; KANG, H.; YOU, H. J.; KO, G. Revisitando o papel da Akkermansia muciniphila como bactéria terapêutica. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9135416/. Acesso em: 03 mar 2025.

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