Confira neste artigo reflexões importantes sobre a visita domiciliar e o cuidado do paciente!
Uma das premissas da Saúde moderna é a visão do paciente como um todo. Isso vem pautado na ideia de que com o tempo os pacientes se tornaram órgãos e a medicina passou a ser submetida de forma exclusiva à economia de mercado.
Há alguns anos vem sendo realizada a tentativa de mudança de enfoque no cuidado do paciente. Passando esse a ser colocado no centro de um círculo de cuidado onde ao redor se coloca uma equipe multiprofissional responsável por ver o paciente como um todo e cuidar dele nas diferentes esferas que o compõe.
Para isso, torna-se necessário o conhecimento de uma importante esfera: a família a qual esse paciente pertence.
Importância da família
A família é referida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal agente social de promoção de saúde e bem-estar. É cada vez mais possível ver evidências clínicas e epidemiológicas de que a família exerce forte influência no estado de saúde e no desenvolvimento e recuperação de doenças de um indivíduo.
Isso fica ainda mais evidente quando percebemos que para fazer as pessoas melhorarem é preciso vê-las dentro de seus contextos e não apenas sob o prisma do diagnóstico e da doença em si.
Por isso, iniciamos uma série de textos sobre este tema. Aproveite para ler também:
- Abordagem familiar para o cuidado integral do paciente: conceitos iniciais
- Entrevista Clínica e a abordagem familiar para o cuidado integral
- Instrumentos para o cuidado integral do paciente e a família
Hoje, para encerrar essa série, vamos falar sobre a visita domiciliar, sua preparação e as vantagens que ela oferece.
O que é a visita domiciliar?
A visita domiciliar é um instrumento para realização do cuidado domiciliar dos pacientes e seus familiares, devendo cada equipe de saúde desenvolver seu fluxo para tal.
Como funciona a visita domiciliar?
É necessário lembrar que a visita é dinâmica e precisa ser realizada de forma integral. É muito importante que o profissional envolvido esteja atento aos conflitos, interações e possíveis desagregações que fazem parte do universo do paciente e sua família.
Dessa forma, é possível intervir de forma direta na saúde de seus membros, bem como possa identificar que as patologias e problemas apresentados possuem influência em cada estágio do ciclo de vida familiar.
Aplicação da visita domiciliar
A aplicação dessa ferramenta deixa claro a mudança de olhar que antes era centrado na doença para um olhar, agora, centrado na pessoa, deixando, assim, de existir na prática o binômio médico-paciente, para fazer parte de nosso dia a dia o trinômio médico-família-paciente.
A visita domiciliar irá dar para a equipe de saúde a chance de ver in loco as condições em que vive o paciente, sua relação com o ambiente e os arranjos familiares. Mostrando, de forma prática, que a família pode tanto ajudar a melhorar as condições de saúde do paciente índice, quanto agrava-las.
Orientações para realização das visitas
Para que uma visita domiciliar ocorra, a primeira condição é que se combine ela com o paciente e sua família. Isso é necessário, por ser importante e fundamental nesse processo a participação ativa da família nessa ação.
Após, será necessário estabelecer responsabilidades, saber em que nível de compreensão da doença e/ou problema a família se encontra, e o estabelecimento de um interlocutor com a equipe de saúde para que as informações possam ser passadas e para que haja fluência na comunicação entre equipe de saúde e família.
Após, deve-se proceder à visita domiciliar e durante a visita o profissional deve realizar os passos que foram abordados nos textos anteriores dessa série. É importante pontuar que a visita domiciliar nada mais é que um atendimento no domicílio do paciente, devendo esse ser atendido em sua integralidade e como um todo.
Abordagem familiar
A abordagem familiar é uma abordagem importante e que dá ao profissional de saúde diversos subsídios para trabalhar com seu paciente e com isso melhorar sua qualidade de vida.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Geral de Atenção Domiciliar. Caderno de atenção domiciliar – volume 2. Brasília – DF: Ministério da Saúde, 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos de atenção básica: Saúde Mental. Brasília – DF: Ministério da Saúde, 2013. p. 66-71.
DUNCAN, B. B. et al. Medicina ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. 4 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. p. 86-98.
GUSSO, G.; LOPES, J.M.C. Tratado de medicina de família e comunidade: Princípios, formação e prática – Volume 1. 1 ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. p. 221-232.