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A psicofisiologia e a função integrativa

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O nosso sistema nervoso tem uma importante capacidade de processar a informação aferente, de tal forma que cause respostas mentais e motoras adequadas. Quando alguma informação sensorial excita o sistema nervoso, ocorre canalizações para as regiões integrativas e motoras do cérebro, essa canalização, junto com o processamento da informação, é chamada de funções integrativas. 

Na neurofisiologia, o conceito de função integrativa compõe os mecanismos do sistema nervoso relacionados à análise, processamento, armazenamento e tomada de decisões.

 Para se ter uma noção da importância da função integrativa, mais de 95% de toda informação que recebemos é bloqueada e não chega ao sistema nervoso central, logo, não canalizamos nossa atenção para o peso que fazemos na cadeira, a respiração que fazemos a cada segundo ou ao barulho que o computador está fazendo enquanto você digita alguma mensagem. Tais informações poderiam até ser observadas após ler o escrito acima, mas não estamos percebendo essas informações toda hora, pois nosso sistema nervoso entende que é uma informação desnecessária.

Conhecendo mais sobre a psicofisiologia

“A atenção é definida pelo direcionamento da consciência e estado de concentração mental sobre determinado objeto. Caracteriza-se por selecionar, organizar e filtrar informações do meio. “

-Dra. Christie Ramos Andrade. A psicofisiologia da atenção. USP

Primeiramente, quero que você, leitor, imagine a seguinte situação:

Você está num ambiente com muitas pessoas. Quando estamos conversando com alguém em ambientes com aglomerações, som alto e outros elementos indutores dos estímulos sensoriais conseguimos ter a capacidade de nos concentrar apenas na conversa.

 Da mesma forma, se você está conversando com uma pessoa numa festa e alguém te chama pelo nome, neste momento, você passa a prestar atenção em outra pessoa. Essa situação é um dos muitos contextos onde ocorre a atuação dos processos de atenção. Quando falamos desse processo,  é importante notar que ficamos focados em um estímulo e os outros estímulos passam despercebidos

 (digamos que, no exemplo acima,  o estímulo de distração do som alto não foi percebido, já que a atenção estava sendo focada na conversa). Logo, podemos dizer que o processo da atenção envolve a desatenção de outros estímulos menos relevantes, sendo como base para a atenção o bom funcionamento do SNC (sistema nervoso central) para selecionar qual informação deve ser tida como significativa ou não. Portanto, de certa forma, podemos descrever o processo de atenção como sinônimo de foco ou concentração em um evento particular.

Seleção dos estímulos

Podemos citar o córtex pré-frontal do nosso cérebro como uma parte extremamente desenvolvida nos seres humanos, que se configura como o responsável por realizar a seleção de algum estímulo relevante. O córtex possui um controle top-down, que vai filtrar os canais sensoriais para que algum estímulo relevante seja fortalecido, colocando um estado de desatenção para os demais estímulos.

Importante ressaltar que os estímulos colocados no “armário da desatenção” pode se tornar relevante, você pode estar lendo uma revista ou até assistindo um filme, se alguém passar com um perfume que te faz lembrar alguém, imediatamente, sua atenção é voltada para o cheiro. 

Essa capacidade de tornar algum estímulo relevante é algo característico do ser humano. Tal característica de seleção não é vista em outros animais, pois estes não têm um desenvolvimento grande no córtex pré-frontal como dos seres humanos, o que acarreta, nesses animais, num processo atencional modulado  por comportamentos emocionais e não pelo córtex pré-frontal, que é uma estrutura relacionada ao planejamento de ações. 

As teorias dos filtros sensoriais

Com o intuito de compreender melhor sobre a atenção foram feitas várias teorias, como, por exemplo: a teoria da seleção precoce, o teste de stroop e a teoria da seleção tardia.

Feita em meados de 1930, a teoria da seleção precoce dizia que a atenção se iniciava com uma seleção feita através de vários estímulos, cabia ao filtro sensorial escolher qual estímulo focar. Contudo, o estímulo escolhido seria comparado com as nossas memórias, após essa contactação, nós reconheceríamos o estímulo.

Fontes retiradas do site eaulas.usp.br/portal/video?idItem=18895

O teste de stroop na psicofisiologia

O teste de Stroop, por sua vez,  conseguiu nos mostrar algo bastante importante: a identificação e, posteriormente, a seleção das nossas ações. Desse modo, o processo de atenção não se dá por uma mera seleção, existindo então uma atenção seletiva e um controle inibitório. Para compreendermos mais sobre essa pesquisa, abaixo temos um exemplo de tabela utilizada no teste de Stroop.

Você pode fazer o teste acessando este link: http://www.youtube.com/watch?v=pnSnJwFn0sw

O teste consistia em identificar a cor que está escrito na palavra, ou seja, ao olharmos para a palavra “amarelo” deveríamos identificar a cor verde, já a palavra  “azul” seria a cor vermelha. Foi observado que a identificação das letras acontece de maneira mais rápida do que a identificação da cor, por isso, se tentarmos fazer o teste de Stroop de maneira rápida somos mais propícios a falar o que está escrito e não a cor da palavra. 

Por fim, a teoria da seleção tardia acrescentava algo a mais em relação à hipótese levantada pelo teste de Stroop. Nela, todas as informações do meio seriam analisadas pelo nosso sistema nervoso, identificadas , depois dessas duas etapas, a informação seria selecionada e reconhecida como um estímulo.

Conclusão

Nos dias correntes acredita-se que os processos de atenção são um tipo de “mistura” das três teorias, pois , não necessariamente, nós identificamos e selecionamos os estímulos. O que é preciso saber é a capacidade do SNC de captar os estímulos e identificá-los de acordo com a sua relevância.

A importância dos filtros sensoriais se dá por causa da quantidade de informações que chegam ao nosso cérebro, qualquer déficit na capacidade de seleção do nosso sistema nervoso é passível de distúrbios cognitivos . Pessoas com déficit no sistema de seleção sensorial muitas vezes apresentam TDAH, que é um distúrbio de atenção no qual o indivíduo não consegue focar em determinada tarefa por um período adequado.

Autor: Dinamercio Baracho Lima / @baracho__


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

GUYTON. TRATADO DE FISIOLOGIA MÉDICA. 13 ED

sites.usp.br/dorecomportamento/

eaulas.usp.br/portal/video?idItem=18895

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