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A Pandemia da COVID-19 e a vacinação de crianças e adolescentes: risco ou benefício?| Colunistas

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No Brasil segundo o estatuto da crianças e adolescente, deve ser considerado como criança todo e qualquer indivíduo até doze anos de idade incompletos, e adolescente aqueles que possuem entre doze e dezoito anos de idade.

Cabe a estes grupos etários todos os direitos fundamentais a vida humana, sendo dever da sociedade e do Estado assegurar o acesso a saúde, alimentação, educação, a cultura, a liberdade, entre outros direitos.

Entendendo o contexto das crianças e dos adolescentes na pandemia

Desde o surgimento da pandemia da novo coronavírus as crianças tem sido objeto de estudo de diferentes instituições de pesquisa. Tem se observado que as crianças quando portadores da covid-19 apresentam manifestações clínicas leves ou até mesmo são assintomáticos. Entretanto, o que chama a atenção das autoridades de saúde para este público é o potencial papel como disseminador da doença entre os adultos.

A partir disto, as crianças foram retiradas de suas atividades socioeducativas para ficarem apenas no ambiente domiciliar ao qual residem, a fim de evitar a aglomeração com outras crianças, reduzindo assim, a taxa de contaminação entre elas e entre os adultos.

O desenvolvimento de casos graves para esta faixa etária ocorre em pacientes com comorbidades que apresentam repercussões hemodinâmicas como as cardiopatias congênitas ou adquiridas. Fora isto, as crianças e adolescentes tendem a evoluir positivamente com sintomas gripais como tosse febre, congestão nasal, coriza e dor de garganta. Em poucos casos pode-se apresentar alterações pulmonares como sibilos e pneumonias

Em estudos realizados entre os anos de 2020 e 2021 mostraram que os óbitos infanto-juvenil obtiveram uma queda de 1.203 casos no ano de 2020 para 121 óbitos até o primeiro semestre de 2021. Com uma taxa de letalidade de doença entre as idades de 0 a 19 anos em queda.

Figura 1 – Taxa de letalidade por faixa etária no Brasil
Fonte: PODER360 (2020)

O papel da vacinação como instrumento de proteção.

Com o desenvolvimento da primeira vacina contra a varíola em meados de 1796, o mundo passou a investir fortemente em campanhas de vacinação para o controle de diversas enfermidades. Ao longo dos anos, o Brasil ganhou papel de destaque neste quesito com o desenvolvimento do Programa Nacional de Imunização, assegurando o acesso a vacinas a várias doenças de forma gratuita.

Entretanto, a partir de janeiro de 2021 o Ministério da Saúde deu início a campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil. Neste contexto surgiram diversas duvidas e questionamentos relacionados a esta nova vacina desenvolvida em uma velocidade extraordinária graças aos grandes investimentos do poder público e privado.

Sabe-se que a vacinação é a única forma de conter o avanço da novo coronavírus, pois, é o meio de combater doenças virais quais não existem remédios exclusivos Além disto, a vacinação permite o desenvolvimento de respostas imunológicas a partir do reconhecimento do agente.

As vacinas utilizam diferentes tecnologias para garantir este reconhecimento, a vacina Moderna e Pfizer por exemplos utilizam o modelo de RNA mensageiro. Já a AstraZeneca, Jannssen e Sputnik V utilizam o vetor viral (adenovírus) para assegurar uma resposta imune, por outro lado, a Coronavac faz uso do vírus inativado para obtenção do mesmo efeito.

Mediante a isto, o papel da vacinação é assegurar a proteção individual e coletiva. A vacina é uma forma segura e inteligente de produzir uma resposta imunológica, ou seja, proteção no nosso organismo sem causar doença. As vacinas são projetadas para estimular memória imunológica. O individual garantido pelo desenvolvimento de anticorpos contra o novo coronavírus assegurando o desenvolvimento de manifestações mais leves para os indivíduos que possivelmente venham a ser contaminados. Já o papel coletivo, é caracterizado pelo efeito reduzir a contaminação da doença, assegurando o bem-estar daqueles indivíduos que não podem ser vacinados.

A não prioridade das crianças e adolescentes nas campanhas de vacinação

A vacinação de crianças e adolescentes já é realidade para diferentes doenças como sarampo, rotavírus, poliomielite, coqueluche, entre diversas outras que são aplicadas ainda nas primeiras semanas de vida. Contudo, quando se olha na perspectiva da pandemia da covid-19 os estudos das vacinas foram inicialmente voltados para a grupos tidos como prioritários, sendo os profissionais de saúde, idosos e pacientes com comorbidades, pelo fato de serem mais suscetíveis a formas graves da doença.

Após a conclusão dos estudos e aprovação das vacinas para este público é que voltaram os olhares para as crianças e adolescentes. Atualmente, diversas empresas farmacêuticas como Pfizer, Moderna, Coronavac e Jannssen concluíram seus estudos para estes públicos e passaram a ter a aprovação de diferentes agentes de saúde para seu uso em larga escala.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a utilização da vacina Pfizer para vacinação de crianças a partir de 12 anos.  Entretanto, para se ter o início da imunização deste público é necessário imunizar primeiramente os grupos prioritários. Mas na contramão do país e fugindo das orientações estabelecidas pelo Ministério da Saúde, as cidades de Betim (MG) e Cacoal (RO) deram início a vacinação para crianças a partir de 12 anos de idades, porém, a cidade de Cacoal irá vacinar apenas crianças desta idade sendo eles portadores de comorbidades. Ainda neste cenário o estado de Mato Grosso do Sul, aprovou a vacinação para jovens entre 12 a 17 anos com comorbidades e utilização da vacina Pfizer.

Os benefícios da vacinação entre crianças e adolescentes  

O fato de as crianças e adolescentes em grande maioria não evoluírem com formas graves da doença, faz com que o maior benefício da vacinação entre estes grupos seja para a população, ou seja, um benefício para a saúde pública.

O impacto positivo desta vacinação se tem em vista que, quanto maior o número de pessoas vacinas menor será a potencial de transmissão do vírus entre as pessoas.

Além disto, outra questão que vem sendo debatida pelas entidades públicas é o retorno as aulas presenciais, a ampliação da vacinação garante maior segurança as escolas, já que os profissionais da educação já se encontram entre os grupos prioritários.

É importante salientar que as aulas presenciais no Brasil englobam a questão não apenas educacional, mas muitas crianças de baixa renda dependem da alimentação ofertas pelas escolas para obterem alimentação adequada, além do vínculo social e o acolhimento ofertado neste ambiente.

Quais países já vacinam esses grupos?

PAÍS VACINA FAIXA ETÁRIA
Estados Unidos Pfizer 12 a 15 anos
Canadá Pfizer 12 a 15 anos
Chile Pfizer 12 a 17 anos
França Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen. 12 a 18 anos
Alemanha Pfizer Acima de 12 anos com doenças pré-existentes
Itália Pfizer 12 a 15 anos
Reino Unido Pfizer 12 a 15 anos
Israel Pfizer 12 a 15 anos
Cingapura Pfizer e Moderna Acima de 12 anos
Dubai Pfizer Jovens de 12 a 15 anos
San Marino Pfizer, Janssen e Moderna Maiores de 12 anos

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

UFF. A importância da vacina no combate ao novo coronavírus. Disponível em:< http://www.uff.br/?q=importancia-da-vacina-no-combate-ao-novo-coronavirus>. Acesso em 02 de junho de 2021.

AMARANTE, Suely. Vacinação contra Covid-19 em crianças – Porque elas não serão vacinadas agora? Disponível em :< http://www.iff.fiocruz.br/index.php/8-noticias/730-vacinacao-convid-criancas>. Acesso em 02 de junho de 2021.

G1. Adolescentes com comorbidades começam a ser vacinados contra a Covid-19 em Cacoal, RO. Disponível em:< https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2021/06/14/adolescentes-com-comorbidades-comecam-a-ser-vacinados-contra-a-covid-19-em-cacoal-ro.ghtml>. Acesso em 02 de junho de 2021.

FERNÁNDEZ, Brenda. Mato Grosso do Sul vacina adolescentes com comorbidades contra Covid-19. Disponível em:< https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/mato-grosso-do-sul-vacina-adolescentes-com-comorbidades-contra-covid-19-1.646986>. Acesso em 02 de junho de 2021.

GALLAGHER, James. A decisão sobre a imunização infantil deve responder a questões científicas, mas também éticas. Disponível em:< https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2021/05/28/vacinas-contra-covid-criancas-deveriam-ou-nao-ser-imunizadas.htm>. Acesso em 02 de junho de 2021.

OVIEDO, Natália & CARVALHO, Graça. COVID-19 em pediatria: o muito que ainda não se sabe! Disponível em:< http://www.gazetamedica.com/index.php/gazeta/article/view/354/220>. Acesso em 02 de junho de 2021.

SILVA, Enid Rocha Andrade da & OLIVEIRA, Valéria Rezende de. PROTEÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO CONTEXTO DA PANDEMIA DA COVID-19: CONSEQUÊNCIAS E MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA O ENFRENTAMENTO. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/10041/1/NT_70_Disoc_Protecao%20de%20Criancas%20e%20Adolescentes%20no%20Contexto%20da%20Pandemia%20da%20Covid_19.pdf>. Acesso em 02 de junho de 2021.

PODER360. Pandemia volta a ter mais mortes; letalidade por faixa etária se mantém. Disponível em:< https://www.poder360.com.br/coronavirus/pandemia-volta-a-ter-mais-mortes-mas-faixa-etaria-da-letalidade-se-mantem/>. Acesso em 02 de junho de 2021.

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