O tema do nosso post de hoje buscará discutir os resultados de um estudo em que se aponta que indivíduos com HIV podem estar mais susceptíveis à forma mais grave da COVID-19.
A maioria dos estudos, até então, mostrou pouca diferença de incidência da COVID-19 em pessoas vivendo com HIV, comparados à população geral. No entanto, acredita-se que estes estudos subestimam a incidência pelo baixo número de testes realizados em população mais vulnerável.
Diante disto, um estudo publicado na revista The Lancet buscou comparar a soroprevalência de anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2, gravidade e atividade de anticorpos neutralizantes em indivíduos com e sem o virus da AIDS. Vejamos os resultados.
Um estudo observacional em indivíduos com HIV
A natureza do estudo consistiu em estudo observacional, com indivíduos pareados de acordo com data de coleta dos dados e idade.
Os pacientes tiveram amostras remanescentes de plasma analisados, coletados durante rotina laboratorial em um hospital municipal na cidade da Califórnia, EUA.
Estas amostras foram comparadas com amostras aleatórias coletadas de indivíduos adultos, sem HIV, que eram atendidos no mesmo hospital devido à condições crônicas de saúde.
Resultados mostram vulnerabilidade de indivíduos com HIV e COVID-19
Participaram do estudo um total de 995 indivíduos com HIV, dos quais foram coletadas um total de 1138 amostras de sangue, e um total de 1062 indivíduos sem, dos quais foram coletadas 1118 amostras de sangue.
A soroprevalência de anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2 foi de 3,7% entre indivíduos com HIV, comparada a 7,4% daqueles sem.
Num subgrupo com evidência de infecção passada, a probabilidade de apresentar COVID-19 grave foi 5,52 vezes maior em indivíduos com HIV.
Quando ajustado para tempo desde confirmação da infecção, indivíduos com HIV mostraram concentrações mais baixas de anticorpos IgG, titulações mais baixas de anticorpos neutralizantes, e avidez similar, comparados aos indivíduos sem HIV.
A implicação dos resultados na proteção daqueles com HIV
Com a análise dos resultados, percebemos que menos indivíduos com HIV foram diagnosticados com infecção prévia pelo SARS-CoV-2. Porém nota-se que os casos de COVID-19 grave foram mais frequentes nos indivíduos co-infectados.
Além disso, a resposta imune, de uma forma geral, também se mostrou menos efetiva, demonstrada pelos níveis mais baixos de anticorpos IgG e titulações menores de anticorpos neutralizantes.
Os autores do estudo propõem que, entre indivíduos com HIV, a resposta imune sorológica contra a infecção pode estar diminuída.
Apesar dos resultados apresentados precisarem ainda ser confirmados por outros estudos, uma das grandes implicações é que indivíduos vivendo com HIV podem necessitar de follow-up após vacinação, se possível com medição da resposta imune montada, para garantir que estes apresentaram resposta satisfatória à vacina, e estarão de fato protegidos contra a COVID-19.
Posts relacionados:
- Fake news: comunidade científica não reconhece cloroquina para tratar COVID-19
- A alta incidência de doenças neurológicas e psiquiátricas pós COVID-19
- Resultados preliminares de segurança da vacina de mRNA em grávidas
- A infecção pela COVID-19 é capaz de aumentar o intervalo QT?