Anúncio

Avaliação do paciente com traumatismo raquimedular

Índice

Mês do Consumidor Sanar Pós

Faça parte da Lista VIP e tenha benefícios no Mês do Consumidor

*Consulte condições

Dias
Horas
Min

Os pacientes que possuem a suspeita de traumatismo raquimedular devido a algum acidente, seja ele automobilístico ou não, devem ser atendidos de maneira específica e, para isso, a avaliação do indivíduo de forma adequada é fundamental.

A medula espinhal está situada dentro do canal vertebral, entre o bulbo (ao nível do forame magno do osso occipital) e a segunda vértebra lombar (L2), geralmente. No homem, mede cerca de 45cm e é um pouco menor na mulher.

Sua função, de maneira geral, é a condução de impulsos nervosos das regiões do corpo até o encéfalo (coordenando as atividades musculares e os reflexos).

Sendo assim, ela é de extrema importância para o funcionamento do organismo e, quando traumatizada, as consequências podem ser graves para o indivíduo.

Avaliação do paciente

Já, no local do incidente, se houver hipótese de lesão medular, o enfermo deve ser transportado ao hospital com métodos de imobilização (por exemplo, o colar cervical rígido, com blocos laterais de suporte, além do uso da prancha rígida). 

Caso o paciente possua nível de consciência rebaixado, ou seja, muito novo para auxiliar no exame clínico, é fundamental a radiografia da coluna. Contudo, quando há consciência, uma boa história clínica pode indicar a presença do trauma raquimedular: presença de dor em algum local da coluna, fraqueza e alteração na sensibilidade.

Além disso, deve-se lembrar do período de choque medular (fase em que há interrupção fisiológica da condução pela medula e que termina, de modo geral, 24h após o acidente), já que nesse tempo há uma incapacidade de testar os reflexos do paciente.

Para confirmar o término desse choque, deve-se realizar o reflexo bulbocavernoso: pressiona-se a glande do paciente, observando a contração reflexa do esfíncter anal ou efetua-se uma leve tração da sonda vesical; quando presente, o exame neurológico poderá seu executado.

Exame neurológico da motricidade:

Primeiramente, observa-se a motricidade ativa dos segmentos, a fim de verificar a presença de alguma paresia (diminuição dos movimentos) ou plegia (ausência dos movimentos). Alguns termos são fundamentais para a compreensão do assunto, salientando que podem fazer referência à paresia ou à plegia:

  • Mono: apenas um membro;
  • Para: membros inferiores;
  • Di: membros superiores;
  • Hemi: membro superior e inferior de um lado;
  • Quadri ou tetra: todos os quatro membros.

 Em um segundo momento, a força é testada por meio de provas contra a resistência (por exemplo, abdução do braço com a resistência do examinador) e contra a força da gravidade (um dos mecanismos é estender os membros superiores para frente, com as mãos supinadas e os dedos abduzidos e estendidos, permanecendo nessa posição por mais de dois minutos).

Assim, ela vai ser graduada em uma escala de 0 a 5 por grupo muscular, de acordo com a Tabela 1. Ademais, testa-se os reflexos superficiais e profundos, essenciais para auxiliar no estabelecimento do nível do trauma medular (Tabela 2).

Tabela 1 – Escala de força muscular

0 Sem contração muscular
1 Contração sem movimento
2 Movimento em plano horizontal sem vencer a força da gravidade
3 Movimento vence a gravidade, mas não vence a resistência
4 Movimento vence alguma resistência
5 Força muscular normal

Tabela 2

Bicipital C5
Braquiorradial C6
Tricipital C7
Patelar L3, L4
Aquileu S1
Cutâneo Abdominal T9, T11
Cremastérico T12, L1
Bulbocavernoso Ausência indica choque medular ou lesão de raízes sacrais

Exame neurológico da sensibilidade

 Divide-se esse exame em dois tipos: sensibilidade superficial (dor, térmica e tátil) e profunda (vibratória e cinético-postural). Ele é feito de acordo com os dermátomos (área da pele inervada por fibras nervosas que se originam de um único gânglio nervoso dorsal) e é classificado em (0) ausente; (1) presente, porém com sensação de formigamento; (2) normal ou completa.

Tabela 3 – Dermátomos

C5 Área sobre o deltoide
C6 Dedo polegar
C7 Dedo médio
C8 Dedo mínimo
T1 Face medial do antebraço
T2 Axila
T4 Mamilo
T6 Apêndice xifoide
T10 Umbigo
T12 Sínfise pubiana
L4 Face medial da perna
L5 Espaço entre QDI e QDII
S1 Borda lateral do pé
S3 Área da tuberosidade isquiática
S4 e S5 Região perianal

Classificação das lesões provocadas por traumatismo raquimedular

De acordo com a American Spinal Injury Association (ASIA), as lesões podem ser classificadas quanto a sua totalidade em completas e incompletas.

A primeira caracteriza-se pela perda completa, a partir de determinado nível, da capacidade motora e sensitiva. Já a segunda, incompleta, possui uma perda parcial desses dois elementos. Essa diferenciação é de extrema importância, já que o prognóstico das vítimas do TRM é melhor para os pacientes com lesões incompletas.

Escala de Frankel Modificada

Foi criada em 1969 visando avaliar o grau de deficiência do paciente com lesão medular. Por um tempo, foi abandonada devido a sua baixa sensibilidade; contudo, devido à padronização da ASIA para avaliação do paciente com traumatismo raquimedular, ela foi modificada e, com isso, passou a ser altamente utilizada em pacientes com suspeitas de TRM.

Tabela 4 – Escala de Frankel Modificada

A Completa – sem função motora
B Incompleta – há função sensitiva estendendo-se até S4-S5; sem função motora
C Incompleta – há função motora e a maioria dos músculos tem força inferior a grau 3
D Incompleta – há função motora e a maioria dos músculos tem força superior a grau 3
E Normal

Reabilitação do traumatismo raquimedular

É imprescindível o acompanhamento médico e da enfermagem na vida do paciente para que haja um adequado controle de possíveis complicações crônicas da lesão (bexiga neurogênica, úlcera de decúbito, dor neuropática etc.).

Conclusão

A partir desse estudo, torna-se evidente a importância do atendimento adequado ao paciente que é vítima de algum acidente. Dessa forma, a implantação de protocolos de atendimento inicial, juntamente com o transporte a partir de métodos de imobilização, é imprescindível para não piorar o quadro do traumatismo.

Ademais, o exame neurológico é fundamental para auxiliar no diagnóstico da região que sofreu com o incidente; assim, seguir os passos sistematizados para a examinação é a melhor maneira de identificar e de classificar o traumatismo raquimedular. 

Autora: Izabela Borges Silva

Instagram: @izaabelabs

Posts relacionados:

Referências

  1. Manual de Iniciação em Neurocirurgia – 2° edição – Fernando Campos e Gomes Pinto.
  2. Abordagem Multiprofissional em Lesão Medular: Saúde, Direito e Tecnologia – https://www.ifsc.edu.br/documents/30701/523474/Lesao+Medular+WEB.pdf/39df2463-bd7b-5e88-7a8f-da0594784c9b
  3. Lesão da medula espinal. Atualização bibliográfica: fisiopatologia e tratamento inicial – https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-18512012000100014

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Compartilhe este artigo:

Uma pós que te dá mais confiança para atuar.

Conheça os cursos de pós-graduação em medicina da Sanar e desenvolva sua carreira com especialistas.

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀