Medicina Nuclear é uma especialidade médica única por
desempenhar tanto o diagnóstico por imagem quanto o tratamento dos pacientes. É
uma ciência que faz uso de radiofármacos ou radiotraçadores em baixíssimas
doses químicas (nanogramas), carregados com baixíssimas atividades de radiação
(milicurie – mCi), para estudar os mais diversos processos
metabólico-fisiológicos no corpo humano!
Como assim?
Podemos substituir um dos átomos de Flúor da glicose por um radioisótopo do
flúor, o 18F, que é instável e emite radiação pósitron quando sofre
decaimento físico. Parece uma bagunça física? Mas não é. Graças à emissão dessa
partícula de antimatéria, o pósitron, que é um anti-elétron, podemos fazer
imagens ao vivo do trajeto da glicose no corpo inteiro. Esse é o famoso exame
PET/CT ou PETSCAN (Positron Emission Tomography) que forma belas imagens de
hipercaptação dos traçadores.
Figura 1. PET/CT ou PETSCAN

A grande diferença
em relação à Radiologia é que as imagens da Medicina Nuclear não são puramente
anatômicas, estáticas – são funcionais, fisiológicas. O método de aquisição das
imagens também é diferente: o paciente é que recebe a substância radioativa e
quem capta a radiação são os detectores das máquinas. Na radiologia, o aparelho
em questão é quem emite a radiação. Além disso, os traçadores não são
contrastes e, apesar do nome radiofármacos, nem fármacos podem ser
considerados. Por serem administrados em ínfimas doses, não possuem efeito
farmacológico, o que garante uma taxa quase nula de efeitos colaterais e
altíssima segurança do exame. A radiação equivalente para um PET/CT de corpo
inteiro é menor do que a de uma tomografia.
O CT do
PET/CT é uma tomografia. Você pode se perguntar, como então a dose total de
radiação é menor? Simples. Na Medicina Nuclear não precisamos de altas doses de
radiação da tomografia para delimitar com resolução quais são as estruturas
estudadas. Utilizamos uma tomografia com baixa dose que serve apenas para guiar
anatomicamente, ou seja, topografar as regiões de interesse que estejam hiper
ou hipocaptantes.
Outros
exames muito utilizados em Medicina Nuclear são as cintilografias. Para estudar
tireoide, função tireoidiana, localizar tireoide ectópica ou, até mesmo,
pesquisar metástase de câncer de tireoide, podemos utilizar a cintilografia com
131Iodo , que é um isótopo instável, emissor de radiação gama e
beta.
Figura 2. Cintilografia com 131Iodo

As células tireoidianas ou
neoplásicas, ávidas por iodo, não percebem que o iodo administrado é radioativo
e o internalizam. Com baixas doses de radiação, algo da ordem de 5mCi, podemos
fazer imagens e detectar essas células, mesmo que sejam restos celulares em um
paciente tireoidectomizado. Com doses maiores, de 100 a 300 mCi, podemos fazer
a radioablação da tireoide, inclusive tratando o câncer metastático
diferenciado!
Ainda
existem as cintilografias ósseas (figura 3), cintilografias renais (figura 4),
cintilografia miocárdica (figura 5) e muitos outros.
Figura 3. Cintilografia óssea

Figura 4. Cintilografia Renal

Figura 5. Cintilografia miocárdica

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Com certeza é uma especialidade multifacetada, com contato com todas as áreas da medicina. Lida, predominantemente, com exames de imagem, de forma que o dia-a-dia do médico nuclear é interpretar exames e laudar. No entanto, para quem não quer ficar tão longe dos pacientes, a Terapia Radionuclídica é uma realidade e também o futuro. Cada vez mais traçadores específicos ligados a isótopos radioativos estão sendo desenvolvidos para diferentes tipos de câncer, o que permite realizar além do diagnóstico, o tratamento – conhecido como teranóstico. Praticamente um míssil teleguiado de radiação, com poucos efeitos sistêmicos. Vale a pena conhecer!
Autor: Stephan Pinheiro Macedo de Souza