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Você já ouviu falar sobre gastroparesia diabética? | Colunistas

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Definição:

A gastroparesia é uma síndrome caracterizada pelo atraso do esvaziamento gástrico na ausência de obstrução mecânica do estômago. Se dá por complicações da diabetes tipo 1 ou tipo 2, quando há lesão de nervos do estômago e do nervo vago. Visto que o nervo vago controla o movimento da em todo trato gastrointestinal se lesionado por neuropatia autonômica, afeta os músculos do estômago e do intestino, retardando o peristaltismo.

Epidemiologia: 

Atualmente, segundo a International Diabetes Federation houve um crescimento na prevalência de diabetes, dados da 9ª edição do Atlas de Diabetes da IDF mostram que existem 463 milhões de adultos com diabetes em todo o mundo. Assim, a prevalência global de diabetes atingiu 9,3%, com 50,1% dos adultos não diagnosticados, com o diabetes tipo 2 sendo responsável por cerca de 90% de todas as pessoas com diabetes.

Nesse sentido, ainda que seja difícil precisar a epidemiologia da gastroparesia diabética, pode-se inferir que indivíduos diabéticos apresentam um risco acrescido de desenvolver a síndrome: sete vezes superior para diabéticos tipo 2 e trinta vezes superior para diabéticos tipo 1. Além disso, verifica-se uma maior prevalência e incidência no sexo feminino comparativamente com o sexo masculino.

Fisiopatologia: 

Deve-se elencar primeiramente, a heterogeneidade da fisiopatologia desta síndrome, podendo estar associada a fatores histológicos e fatores funcionais. 

A coordenação da atividade do músculo liso depende do sistema nervoso entérico, a intensidade da contração depende da atividade do sistema nervoso simpático e parassimpático, mediados pelo nervo vago. Além disso, o esvaziamento do estômago resulta da contração do fundo do estômago em conjunto com contrações fásicas do antro e inibição da força de contração do piloro e do duodeno. Tais mecanismos precisam da interação entre os músculos lisos, os nervos entéricos e autonômicos e das células intersticiais de Cajal. 

Nesse sentido, a hiperglicemia causa mecanismos que podem levar a desmielinização e degeneração axonal, ocasionando neuropatia autonómica, que prejudica a neurotransmissão miontérica. Em vista disso, a perda da estimulação parassimpática pelo nervo vago retarda esvaziamento gástrico, o que ocasiona maior absorção de nutrientes, como carboidrato, elevando a glicemia. 

Quadro Clínico: 

Os sinais e sintomas da gastroparesia incluem: Acidez, náuseas, vómitos de comida não digerida, sensação de plenitude gástrica pouco depois de começar a comer, inchaço abdominal, níveis de glicose no sangue alterados, falta de apetite, refluxo gastroesofágico e espasmos na parede do estômago. 

Sintomas que podem ser leves ou graves. 

Importa ressaltar que pode haver complicações, entre elas pode-se mencionar a alteração na flora intestinal devido ao longo tempo de permanência no trato gastrointestinal. Assim como a formação de massas sólidas e a possibilidade de obstrução gástrica e uma possível oclusão da passagem do alimento do estomago para o intestino. Por fim, uma vez que o alimento permanece mais tempo no trato digestório, a absorção fica aumentada, dificultando o controle da glicemia para pacientes diabéticos. 

Diagnóstico: 

A gastroparesia diabética deve ser considerada em doentes diabéticos com sintomas do trato gastrointestinal superior seja por um controle glicêmico instável ou por apresentação de sintomas sem causa aparente. De início é necessário fazer a exclusão da obstrução mecânica e úlcera péptica, como também a presença de distúrbios alimentares.

Além da história clínica e do exame físico, é importante que outras técnicas sejam utilizadas, como:  Cintilografia gástrica (padrão-ouro), endoscopia digestiva alta, teste de respiração para esvaziamento gástrico estável, eletrogastrografia e ultrassonografia. 

Tratamento: 

A manutenção da glicemia é o principal objetivo no tratamento da gastroparesia. Para isso, são necessárias mudanças na frequência e na dose da administração da insulina. Somado a isso, em casos mais graves de retardo no esvaziamento, a alimentação de sonda nasogástrica ou via parenteral podem ser necessárias. Fica evidente, portanto, que o tratamento busca alívio de sintomas e não a cura, uma vez que a gastroparesia atua como uma doença crônica e sem cura.  

Conclusão: 

Diante das complicações dessa patologia, há uma piora considerável na qualidade de vida dos pacientes. Assim, deve-se buscar uma maior atuação nas pesquisas e estudos acerca dessa temática, visto que dados epidemiológicos, eventuais causas e considerações sobre uma melhor intervenção farmacológica ainda são escassas. 

Autora: Gabrielle Araújo Barros

Instagram: @gabi_abarros


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências: 

Silva MLT, Borges VC, Waitzberg DL. Insuficiência pancreática Diabetes “Mellitus”. In: Waitzberg DL. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica, 3a ed. São Paulo: Atheneu, 2000.

SBD – Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes; Rio de Janeiro, 18 de setembro 2021. Disponível em:  https://diabetes.org.br/

Aleppo G, Calhoun P, Foster NC, Maahs DM, Shah VN, Miller KM. Reported gastroparesis in adults with type 1 diabetes (T1D) from the T1D Exchange clinic registry. Journal of diabetes and its complications. 2017.

Angeli TR, O’Grady G. Challenges in defining, diagnosing, and treating diabetic gastroparesis. Journal of diabetes and its complications. 2018.

Choung RS, Locke GR, 3rd, Schleck CD, Zinsmeister AR, Melton LJ, 3rd, Talley NJ. Risk of gastroparesis in subjects with type 1 and 2 diabetes in the general population. The American journal of gastroenterology. 2012.

McCallum RW, Chen JD, Lin L, Schirmer BD, William RD, Ross RA: Gastric pacing improves emptying and symptoms in patients with gastroparesis. Gastroenterology 1998.

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