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Doença de Kawasaki

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A doença de Kawasaki é uma importante doença exantemática e, também, uma importante causa de vasculite na infância. É uma vasculite que acomete artérias de médio calibre e tem como sinônimo síndrome do linfonodo mucocutânea.

É geralmente autolimitada mesmo na ausência de tratamento, durando em média 12 dias, mas que pode originar consequências sérias para o individuo, principalmente quando não é precocemente identificada e instituído o tratamento.

É mais comum em crianças do sexo masculino na faixa etária abaixo dos 5 anos. É incomum antes dos 6 meses e após os 5 anos, tendo geralmente um quadro clínico mais dramático. Além disso uma doença com incidência sazonal, sendo mais frequente no período do inverno e primavera.

O que causa?

A etiologia da doença de Kawasaki ainda é desconhecida. A principal suspeita é que seja causado por um agente infeccioso não identificado e que exista uma predisposição genética para o desenvolvimento da doença associada.

A resposta imunológica exacerbada e aberrante é a provável responsável pelas lesões nos vasos de médio calibre, parecendo ocorrer um envolvimento predominantemente dos macrófagos.

O Diagnóstico é clínico…

A doença de Kawasaki causa comumente rash cutâneo inespecífico e não pruriginoso que acomete principalmente tronco, extremidades, região inguinal e perineal; conjuntivite não purulenta bilateral; febre; alterações na mucosa oral e em extremidades e adenomegalia, sendo esses os principais sinais da doença.

O diagnóstico é clinico a partir desses critérios diagnósticos listados abaixo:

  • Febre durando pelo menos 5 dias associada a pelo menos 4 dos 5 seguintes critérios:
    • Conjuntivite bilateral não purulenta;
    • Alterações da mucosa oral: hiperemia labial ou de faringe, fissuras labiais ou língua “em framboesa”;
    • Alterações das extremidades: eritema palmar ou plantar, edema de mãos e pés (mais comum, geralmente, na fase aguda) e descamação periungueal (na fase convalescente);
    • Rash cutâneo polimorfo;
    • Linfadenomegalia cervical (pelo menos 1 linfonodo maior que 1,5cm de diâmetro).

Nem sempre encontramos todos os critérios clínicos, e quando a criança tem febre inexplicada por mais de cinco dias associada a 2 ou 3 critérios, devemos considerar o possível diagnóstico de doença de Kawasaki incompleta.

Pode causar também alterações em outros sistemas, como:

  • Cardíacas: miocardite, pericardite, arritmias, insuficiência cardíaca e aneurisma coronariano (sendo está a complicação mais temida);
  • Neurológicas: meningite asséptica;
  • Articulares: cursando com poliartrite;
  • Pulmonar: pneumonite.

O aneurisma de coronária é um condição que ocorre principalmente nas crianças que não receberam o tratamento com imunoglobulina.

Existem algumas condições mais relacionadas com o risco de aneurisma coronariano que são:

  • Idade menor que 1 ano;
  • Febre persistente maior que 14 dias;
  • Sexo masculino;
  • Concentração sérica de sódio menor que 135 mEq/L;
  • Leucócitos maior que 12000/mm3;
  • Hematócrito menor que 35%.

Os aneurismas podem ser pequenos a moderados ou gigantes. São considerados gigantes quando possuem diâmetro maior que 8 cm, e tem pior prognóstico, devido maior chance de trombosarem e causar infarto agudo do miocárdio, arritmias e morte súbita. Os aneurismas fusiformes têm melhor prognóstico.

Dentre os achados laboratoriais, podemos encontrar:

  • Leucocitose com desvio para esquerda;
  • Anemia normocítica e normocrômica;
  • Elevação de PCR (proteína C-reativa) e VHS (velocidade de hemossedimentação);
  • Trombocitose;
  • Aumento moderado das transaminases;
  • Hipoalbuminemia;
  • Hiponatremia;
  • Líquor com pleocitose com predomínio de mononucleares;
  • Leucocitúria.

Como Tratar?

Assim que instituído o diagnóstico, devemos iniciar o tratamento com Imunoglobulina intravenosa, preferencialmente entre os primeiros sete a dez dias de doença.

O intuito de iniciar o tratamento precocemente é principalmente reduzir complicações cardíacas e o tempo de doença.

A recomendação é realizar a infusão de imunoglobulina intravenosa (IGIV) na dose de 2g/kg em única infusão por 8 a 12 horas, associada ao AAS (ácido acetilsalicílico) na dose de 80 a 100 mg/kg/dia, dividido em 4 tomadas.

Caso ocorra persistência da febre, é orientado realizar uma segunda infusão de imunoglobulina humana (2g/kg).

Caso o paciente não apresente melhora da febre após a segunda infusão de IGIV, os estudos indicam realizar corticoterapia, através da pulsoterapia com a administração de metilprednisona 30mg/kg em 2 a 3h uma vez ao dia por três dias.

Após 48h do controle da febre, devemos reduzir a dose do AAS para 3 a 5 mg/kg/dia até 8 semanas.

Devido o risco de aparecimento do aneurisma de coronária, devemos realizar um ecocardiograma no momento do diagnóstico. Caso não haja evidência de aneurisma, o exame deve ser repetido na segunda semana e entre a sexta e oitava semanas do início do quadro.

Se o paciente tiver tido aneurisma de coronária pequeno a médio é recomendado manter o AAS em doses baixas na dose de 3-5 mg/kg/dia, ao passo que, é recomendado anticoagulação com warfarina objetivando manter o RNI entre 2 e 2,5 se o aneurisma for gigante. O intuito é evitar trombose e estenose do vaso acometido.

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