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Variante do coronavírus encontrada em animais de estimação pela primeira vez | Colunistas

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Introdução

O surgimento de novas variantes do vírus causador da Covid-19 tem sido um dos empecilhos a serem superados para que se possa dar um fim ao caráter pandêmico da doença. É sabido que, além dos seres humanos, o coronavírus também pode infectar animais domésticos, mas a contaminação é mais rara e causa pouco ou nenhum dano aos pets. Entretanto, em março de 2021 pesquisadores do Reino Unido descobriram uma variante do SARS-CoV-2 que parecia infectar mais facilmente algumas espécies de animais, como cães e gatos.

A variante B.1.1.7 surgiu em setembro de 2020 no condado de Kent no sudeste da Inglaterra e tem se espalhado rapidamente pela região. A B.1.1.7 demonstrou ser a responsável por cerca de 95% dos novos infectados no Reino Unido. Os pesquisadores resolveram intensificar os estudos acerca da variante, pois, além da suspeita de terem maiores taxas de transmissibilidade e letalidade, ela também foi encontrada em animais internados no setor cardiológico de clínicas veterinárias.

B.1.1.7 e os danos cardiológicos

Os funcionários do “The Ralph”, Centro de Referência de Veterinária de Londres, notaram uma coincidência intrigante: o pico de quadros de Covid-19 causados pela variante B.1.1.7 se deu ao mesmo tempo que o aumento de casos de animais de estimação admitidos no hospital com miocardite. Entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 o número de casos de inflamação no miocárdio de cães e gatos sofreu um aumento de 11.4%.

Com esse dado em mãos o chefe do setor de cardiologia do hospital veterinário, Luca Ferasin, juntamente com sua equipe observou oito gatos e três cães para entender se havia conexão entre a infecção pela nova variante e a miocardite. É importante ressaltar que nenhum dos animais havia histórico de problemas cardiológicos.

Sete dos onze animais foram submetidos ao teste de proteína C reativa (PCR) e três tiveram resultado positivo. Além disso, os quatro animais restantes fizeram o teste de anticorpos para o SARS-CoV-2 e dois deles demonstraram já ter contraído covid-19 causada pela variante estudada. Os animais que fizeram parte das pesquisas tiveram remissão dos sintomas, com exceção de um dos gatos que teve uma piora súbita dias depois e os donos optaram pela eutanásia.

Os pets apresentam risco para os seres humanos?

De acordo com o virologista Eric Leroy, que atua em um instituto de pesquisa na França, os animais tem um impacto muito pequeno – quase nulo – na transmissão de Covid-19 para os seres humanos, mas o surgimento da variante do Reino Unido poderia mudar esse quadro. Entretanto, a partir das pesquisas desenvolvidas no The Ralph, ficou claro que os animais apresentaram sintomas após seus donos contraírem o vírus.

Além disso, o especialista em doenças infecciosas emergentes, Scott Weese afirma que é muito mais provável que os animais de estimação peguem o coronavírus dos seus donos e não o contrário. Já a microbiologista Shelley Rankin da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, reforça que não se pode descartar a possibilidade de a miocardite ter outras causas que não estejam atreladas à infecção por Covid-19 e que a transmissão do animal para o humano é bem pouco provável.

Conclusão

Atrelar a condição cardiológica dos animais ao coronavírus continua sendo uma boa hipótese segundo os pesquisadores, mas ainda não há evidência suficiente de que a causa foi o vírus. Devemos continuar atentos ao que já sabemos de fato, o vírus causa danos ao ser humano e é de fácil transmissão. Além disso, não há razão para se alarmar quanto à possibilidade de contrair a Covid-19 a partir de seu animal de estimação, é muito mais provável de acontecer a infecção a partir do contato com outra pessoa. 

Por fim, devemos focar em manter os protocolos de segurança adotados até então – como o uso de máscaras, álcool e o distanciamento social – protegendo você e seu pet.

Autora: Gabrielli Cantarino

Instagram: @gabicantarino


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2021.03.18.435945v1.full#page

https://www.sciencemag.org/news/2021/03/major-coronavirus-variant-found-pets-first-time

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