O útero é
um órgão do aparelho reprodutor feminino, responsável pelo desenvolvimento
embrionário, pela menstruação (descamação da parede do útero); além realizar a
expulsão do feto no momento do parto, através das contrações uterinas.
(JUNQUEIRA, CARNEIRO, 2013)
O útero, normalmente, tem formato semelhante a uma pera invertida e divide-se em quatro partes: fundo, corpo, istmo, e cérvix. O corpo do útero é a parte dilatada, e o fundo do útero é a parte superior que tem forma de cúpula e é anterior ao istmo. A porção estreita do útero recebe o nome de cérvix ou colo uterino. Suas paredes são formadas por camadas, da periferia à sua profundidade: o perimétrio, tela subserosa, miométrio e endométrio. (DANGELO, FATINI, 2003)

Posição do útero
A posição
do útero é variável em relação às outras estruturas pélvicas e, geralmente, é
descrita em relação ao seu posicionamento como: anterior, intermediária ou
posterior; flexão e versão. (BEREK, 2014)
O útero da mulher em idade reprodutiva, normalmente, encontra-se em leve anteversão e anteflexão. O termo “versão” está relacionado ao ângulo formado entre o eixo longitudinal da vagina e o eixo longitudinal do colo. O útero retrovertido é considerado uma variação da normalidade.
Já o termo “flexão” está relacionado ao ângulo entre o eixo longitudinal do colo e o eixo longitudinal do corpo uterino. Este ângulo encontra-se no local mais fixo do útero (istmo), pode variar de 100 a 140° e se estiver para trás, diz-se que o útero está em retroflexão. Sabe-se ainda que o grau de distensão vesical e o enchimento do retossigmoide podem modificar a posição do útero. (PASSOS, 2017)
Causas de útero retrovertido
O útero
retrovertido, também conhecido como útero invertido ou útero inverso, tem como
principais causas o desenvolvimento incorreto do útero na adolescência, endometriose
(doença em que a mucosa que reveste a parede interna do útero cresce em outras
regiões do corpo) e miomas uterinos. (SEDICAS, 2016; BEREK, 2014)
O útero
retrovertido pode, ainda, ser provocado pela gravidez, ocorrer durante o parto
(posição em geral transitória), pela flacidez dos ligamentos que fixam o útero
à pelve ou a outros órgãos, pela presença de cicatrizes ou aderências
provocadas por focos da endometriose ou por infecções pélvicas. (FILIZOLA,
2019; BEREK, 2014)
Diagnóstico
Geralmente,
quando o útero retrovertido é móvel, as mulheres não apresentam sintomas,
apenas cólicas fracas durante e após o período menstrual e, algumas vezes
desconforto em determinadas posições no contato íntimo, predispondo a disfunção
sexual. (BEREK, 2014; SEDICAS, 2016)
Já nos
casos em que o útero retrovertido é fixo, os principais sintomas são:
dismenorreia (cólicas menstruais fortes), dispareunia (dor durante o ato
sexual), proctalgia (dor durante a evacuação), disúria (dor durante a micção) e
dor na coluna lombar e na região dos quadris. (SEDICAS, 2016)
O médico é capaz de diagnosticar a retroversão através de exames de rotina como toque vaginal e ultrassonografia pélvica. Ao toque vaginal bimanual, exame realizado através da inserção dos dedos indicador e médio na vagina até que o colo uterino seja localizado; permitindo a avaliação da posição uterina.
Enquanto nas mulheres com anteversão o istmo é tocado em trajeto ascendente, nas mulheres com retroversão palpa-se a superfície macia da bexiga e o istmo será percebido em trajeto descendente, na região posterior do útero. (HOFFMAN, 2014; SEDICAS, 2016)
Útero retrovertido X gravidez
A
retroversão uterina geralmente não causa grandes problemas à mulher e não impossibilita
a gravidez. Entretanto, mulheres com útero retrovertido tem maior probabilidade
de desenvolver endometriose, que é uma causa importante de infertilidade e,
desta forma, pode dificultar a fecundação e a gravidez. (SEDICAS, 2016)
O útero retrovertido
na gravidez normalmente não traz complicações importantes e não interfere no
curso da gestação. Pode ocorrer, nos casos de útero invertido fixo, sintomas como
dores ao urinar, evacuar, durante e após o contato íntimo, por toda a gravidez,
principalmente entre o terceiro e quarto mês de gestação. (SEDICAS, 2016)
Tratamento
Primeiramente é importante lembrar que a retroversão uterina não é exatamente uma doença, e portanto não precisa necessariamente de tratamento. O útero invertido só é considerado patológico se estiver fixo nessa posição devido à endometriose, infecções pélvicas ou inflamações.
Nesses casos, a cura ocorre através de cirurgia, que geralmente não é necessária. A operação possibilita fixar melhor o útero, de forma que ele fique mais voltado para frente. Entretanto, a cirurgia aumenta os riscos de infecções, inflamações e dor durante as relações (SALES, 2016).
Autora: Amanda Simili