Com o avanço da tecnologia dos aparelhos de ultrassonografia, a USG de primeiro trimestre torna-se possível e permite a melhora do acompanhamento materno-fetal.
A USG de primeiro trimestre é importante para a confirmação da gravidez tópica, datação da idade gestacional, confirmação de numero de fetos, viabilidade da gestação e rastreamento de más formações. Pode ser realizada por via transvaginal ou abdominal.
Prática adequada na USG de primeiro trimestre
A USG é um exame que requer habilidade do profissional que irá realizá-lo. Para tanto, o profissional deve ser treinado com estrutura adequada para casos que possam necessitar de condução à referência, com habilidade e com equipamentos de qualidade.
O exame ultrassonográfico de primeiro trimestre deverá ser realizado entre a 11ª – 14ª semana gestacional, e a via de escolha recomendada é a abdominal, sendo a via transvaginal de escolha quando houver limitações como posição fetal, retroversão uterina e obesidade materna, de acordo com o Ministério da Saúde.
USG como rastreamento de cromossomopatias
Durante o primeiro trimestre, o feto irá apresentar um comprimento cabeça-nádega (CCN) em torno de 45 a 84 mm. Nesse momento pode ser realizado o rastreamento para cromossomopatias através da associação entre achados ultrassonográficos e marcadores bioquímicos, como a fração livre de beta HCG. Assim, podem ser rastreadas até 95% das cromossomopatias; dessas, apenas uma taxa de 3% é considerada falsa positiva. As principais cromossomopatias são a trissomia do 21 e do 18.
Contudo, a USG não é o método de diagnóstico, mas sim uma ferramenta para rastreamento. Sua indicação é bem combinada quando associada a anamnese e exame físico da paciente.
USG na medida da translucência nucal
A medida da translucência nucal é a quantidade de líquido na região da nuca do feto. Para a realização de tal medida, é necessário:
- Gestação entre a 11ª e 14ª semana;
- CCN de 45 a 84 mm;
- Corte sagital quando se observa a presença da ponta do nariz e a translucência nucal posteriormente;
- Apenas a cabeça e a parte superior do tórax devem estar à mostra na tela do ultrassom e então deve-se distinguir a pele fetal e a membrana amniótica.

Fonte: FEBRASGO
Em seguida, o caliper mede o espaço anecoico, entre a parte interna da derme e a parte interna da pele.
Os valores alterados da TN são equivalentes aos valores acima do percentil 95 para a idade gestacional correspondente. Contudo, considera-se que valores acima de 2,5 mm estão acima do percentil 95 e podem ser preditores de cromossomopatia.

Fonte: FEBRASGO

Fonte: FEBRASGO
USG e osso nasal
Entre a 11ª e 14ª semana de gestação, o osso nasal pode ser classificado como ausente, hipoplásico ou presente, não sendo de importância a aferição do seu comprimento. Para avalia-lo, é necessário:
- Posição adequada para avaliação da translucência nucal;
- Feixe acústico com incidência de 90° com o osso do nariz;
- Identificação de 3 linhas ao nível do osso do nariz:
- Pele;
- Osso nasal (é mais ecogênico do que a pele, quando com menor ou igual ecogenicidade da pele, é considerado ausente ou hipoplásico);
- Ponta do nariz.

Fonte: FEBRASGO
USG e rastreamento de anomalias fetais
Essa avaliação deve ser voltada para órgãos alvos, como polo cefálico, tórax, coluna, coração e membros. Quando não forem observadas alterações anatômicas, não deverá ser descartada a avaliação de segundo trimestre.
Vale destacar que esse é um dos momentos mais esperados pela paciente, quando pode então escutar os batimentos cardíacos fetais.
USG e gestação gemelar
A USG tem papel fundamental na detecção de córions. Nas gestações gemelares, é possível detectar o sinal de Lambda quando a gestação for dicoriônica, entretanto, quando monocoriônica, apresenta o sinal de T.
USG e ducto venoso
Deve-se fazer uso do doppler colorido. Para tal avaliação, é necessário que o feto esteja em repouso, assim como:
- A imagem deve estar magnificada entre tronco e abdome fetal;
- Deve-se obter um corte sagital mediano;
- Através do doppler colorido, identificar a veia umbilical, o ducto venoso e o coração fetal.
A amostra do doppler espectral deve ser de 0,5 a 1,0 mm e deve ser posicionada acima do seio umbilical. A angulação deve ser menor que 30°, e o filtro deve ser otimizado para uma frequência de 50-70HZ, considerada baixa frequência. A velocidade de varredura deve ser de 2-3 cm por segundo, sendo considerada alta.

Fonte: FEBRASGO
O ducto venoso é considerado normal quando a onda A está positiva, assim, é considerado anormal quando a onda A for ausente ou reversa.
Conclusão
A USG de primeiro trimestre é uma ferramenta importante para uma melhor assistência materno-fetal. É indicada para confirmação da implantação tópica do saco gestacional, além de oferecer uma datação gestacional (através da CCN) mais fidedigna do que a data da última menstruação, fazer documentação do número de embriões e sacos gestacionais, avaliação de anomalias ou rastreamento de aneuploidias.
É importante observar o saco gestacional quando o beta HCG atingir um limiar de 1.500 unidades/ml; caso não seja encontrado, deve-se suspeitar de gestação ectópica.
A transluscência nucal será medida pela quantidade de líquido na região da nuca do feto que deve ser menor do que 2,5 mm.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Cadernos de Atenção Básica, 32) – http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf
Santana EF, Peixoto AB, Traina E, Barreto EQ. Ultrassonografia no primeiro trimestre da gravidez. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018. – https://sogirgs.org.br/area-do-associado/ultrassonografia-no-primeiro-trimestre-da-gravidez.pdf
ZUGAIB, M. Zugaib Obstetrícia. 3ª ed. – Barueri, SP. Manole, 2016.