As crianças podem ser acometidas por algumas Patologias Urológicas Infantis, que devem ser de conhecimento de todo médico generalista para a investigação complementar e encaminhamento adequados. Neste Super Material, falaremos sobre a criptorquidia.
Patologias Urológicas Infantis: criptorquidia
A criptorquidia é uma anomalia congênita, bastante comum em neonatos, em que um dos testículos ou ambos não se encontram na bolsa escrotal, mas em algum ponto do seu trajeto migratório habitual entre o abdome e o escroto.
Fisiopatologia e epidemiologia
Embriologicamente, o testículo tem origem intra-abdominal e, no decorrer da gestação, há migração do mesmo para a bolsa escrotal passando pelo canal inguinal, através de uma estrutura embriológica denominada gubernáculo.
Entretanto, este fenômeno pode não ocorrer antes do nascimento, levando à criptorquidia. Esta condição acomete cerca de 1% dos meninos até 1 ano, idade em que a grande maioria já sofreu regressão pela migração espontânea do testículo.

Imagem: Anatomia normal com migração do testículo para o escroto pelo gubernáculo e anatomia alterada com criptorquidia. Fonte: Google imagens.
Classificação
Em 20% das criptorquidias não se palpa o testículo em nenhuma outra localização, mas em 80% dos casos isso é possível. Sendo palpável, as localizações mais comuns são: abdominal, inguinal e supraescrotal. Mas, o testículo pode, ainda, ser ectópico, quando se encontra fora do eixo natural de migração, estando posicionado em região suprapúbica ou femoral.

Imagem: Localizações mais comuns do testículo criptorquídico. Fonte: Google imagens.
Quadro clínico
Por si só, a ausência do testículo na bolsa escrotal não é tão preocupante, já que a descida espontânea pode ocorrer em até 6 meses. Por outro lado, a criptorquidia pode estar associada a alguma malformação como a hipospádia ou anomalias da parede abdominal, que podem ser indicativas de outras patologias e merecem investigação complementar.
A hipospádia, em conjunto com a criptorquidia bilateral, são indicativas de distúrbio do desenvolvimento sexual e as malformações de parede abdominal podem apontar para onfalocele e Síndrome de Prune-Belly.
SAIBA MAIS: Hipospádia é a condição em que o meato uretral assume uma posição anômala, estando na face ventral do pênis, abaixo da sua localização típica. É o resultado do desenvolvimento incompleto da uretra anterior, do corpo cavernoso e do prepúcio. É classificada de acordo com a localização do meato uretral, podendo ser: distal ou anterior (50%), mediana ou peniana (20%) e proximal (30%). Entre as hipospádias proximais a mais extrema é a perineal, em que a uretra se encontra abaixo da bolsa escrotal.

Imagem: Diferentes tipos de hipospádia: distal, peniana (mediana), proximal e perineal. Fonte: Google imagens.
SE LIGA NO CONCEITO! A onfalocele é uma malformação em que se observa um saco herniático no abdome, resultado da ausência de retorno do intestino para a cavidade abdominal, que deveria ocorrer na 10ª semana de gestação. Já a Síndrome de Prune-Belly é uma forma de uropatia fetal, sem etiologia definida, caracterizada por uma tríade clássica: ausência ou hipoplasia congênita da musculatura da parede abdominal, criptorquidia bilateral e anormalidades do trato urinário. Nesta síndrome, o abdome é flácido, com pele enrugada (“abdome em ameixa”) e as vísceras abdominais são facilmente palpáveis.