Definição da urgência hipertensiva
Quando há elevação acentuada da pressão arterial sistólica (PAS) >/=180mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) com valores >/= 120 mmHg sem lesões de órgãos-alvos (LOA) aguda e progressiva e sem risco iminente de morte.
PA elevada em pacientes com risco prévio de condições como angina instável; cardiomiopatia dilatada e insuficiência renal; gestantes diagnosticadas com pré-eclâmpsia.
Investigação da urgência hipertensiva
Clínica: A investigação clínica e a solicitação de exames devem ser voltadas
para a adequada avaliação da PA e de LOA. No início, a PA deve ser medida nos dois braços, em ambiente calmo de preferência, até a estabilização (no mínimo 3 medidas). Durante a anamnese, deve-se avaliar do paciente:
- PA usual e situações que desencadeiam seu aumento (ansiedade,
dor, sal, etc.); - Comorbidades e sua gravidade;
- Uso de fármacos anti-hipertensivos (dosagem e adesão). Reajustar medicamentos se necessário.
- Uso de fármacos que possam aumentar a PA (anti-inflamatórios,
corticoides, simpatomiméticos, etc.); - Uso de drogas licita e ilícitas (principalmente para drogas adrenérgicas
como a cocaína); - Deve-se verificar a presença de LOA aguda ou progressiva.

Tratamento da urgência hipertensiva
O tratamento da Urgência Hipertensiva (UH) só deve ser iniciado após um período de observação clínica em ambiente calmo, ajudando a afastar os casos de pseudocrise (tratados somente com repouso, analgésicos ou tranquilizantes).
No caso de UH confirmada, a maioria dos casos não irá necessitar de redução da PA no PS, mas em casos de alto risco para eventos cardiovasculares, os anti- hipertensivos orais usados para reduzir gradualmente a PA em 24 a 48 horas são captopril (Inibidor da Enzima Conversora da Angiotensina), clonidina (Agonista adrenérgico de ação direta/central do receptor adrenérgico α2) ou betabloqueadores (propranolol, atenolol, carvedilol, metoprolol). As doses são variáveis, sendo recomendado sempre o uso inicial na menor dose e reavaliação do paciente para a decisão da necessidade de outra dose.
Captopril: 25-50mg, VO, pode repetir em até 1 hora, se necessário
Clonidina: 0,1-0,2mg
O paciente necessita de um retorno ambulatorial precoce ( 7 dias).
O uso de cápsulas de nifedipino de liberação rápida são proscritas no tratamento das UH. Podem gerar queda abrupta da PA, taquicardia reflexa e hipofluxo cerebral.
Não há evidência de que medicações intravenosas mudem a história da doença e prognóstico, não havendo a recomendação do uso desses medicamentos na UH para redução pressórica imediata.
Diferenças entre a emergência e a urgência hipertensiva
| Emergência hipertensiva | Urgência hipertensiva |
| Com LOA aguda | Sem LOA aguda |
| Com risco de vida | Sem risco iminente de vida |
| Medicação EV | Medicação VO |
| Nitroprussiato/ Nitroglicerina | Captopril/ Clonidina |
| Internação em UTI | Acompanhamento ambulatorial precoce |
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Mapa mental hipertensiva: urgência x emergência

Perguntas Frequentes:
1 – O tratamento da urgência hipertensiva deve ser iniciado de imediato para todo paciente?
Não! O tratamento da Urgência Hipertensiva (UH) só deve ser iniciado após um período de observação clínica em ambiente calmo, ajudando a afastar os casos de pseudocrise (tratados somente com repouso, analgésicos ou tranquilizantes).
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Referências
- MARTINS, Herlon Saraiva et al. Medicina de emergência: abordagem prática(USP). 11ª edição. São Paulo: editora Manole, 2016.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz brasileira de hipertensão arterial. 7ª edição. Rio de Janeiro, 2016.