Uma possível desesperança francesa | Colunistas
O covid-19 é uma síndrome respiratória aguda, grave, com alta capacidade de contágio causada pelo coronavírus e suas variantes. Esse vírus teve sua disseminação iniciada no ano de 2020 e com muita rapidez atingiu o mundo, sendo assim, passou a ser considerada uma pandemia pela organização mundial de saúde (OMS). A infecção que é causada por esse vírus vem trazendo um grande numero de mortes, principalmente em idosos, imunodeprimidos, diabéticos, obesos, hipertensos e cardiopatas. O grande problema não está apenas na tentativa de conter os aumentos dos casos de coronavírus, mas há uma grande preocupação também com as variantes desse vírus e até que ponto as atuais vacinais terão eficiência após as mutações virais.
O que são vírus?
São parasitas intracelulares obrigatórios e isso causa neles uma dependência na reprodução. O coronavírus faz parte da família dos causadores de infecções respiratórias e de maneira mais especifica, o agente é o SARS-CoV-2.
O que são as mutações e porquê acontecem?
A replicação viral ocorre de maneira rápida e essa velocidade acaba facilitando a ocorrência de erros no material genético. O vírus realiza esse processo introduzindo seu material genético na célula hospedeira e nesse momento ocorre a cópia. As possíveis alterações aparecem após esse momento.
É importante salientar que a mutação pode ocorrer naturalmente em qualquer célula que tenha material genético.
O que as mutações podem causar no vírus?
Essas mutações afetam o comportamento viral podendo deixar o vírus mais infeccioso, aumentar a gravidade da doença ou até mesmo os possíveis órgãos que poderão ser acometidos. Mas é importante deixar claro que nem sempre o resultado dessas alterações vai causar efeito de melhora para o vírus, já que é algo aleatório e é difícil prever quando e qual será o resultado da próxima variação.
É claro que se essa nova característica melhorar a transmissão ou virulência, ela irá permanecer.
Quadro clínico do paciente infectado
Os sintomas podem ser variados, desde um resfriado até síndrome gripal.
- Tosse
- Febre
- Coriza
- Cefaleia
- Odinofagia
- Dispneia
- Anosmia
- Ageusia
- Náuseas/êmese/diarreia
- Astenia
- Hiporexia
Transmissão
A transmissão ocorre por contato com fluidos corporais de outras pessoas já doentes, por isso sua disseminação ocorreu de maneira tão rápida por todo mundo. Alguns atos comuns, como abraços, podem gerar transmissão.
- Apertos de mãos
- Gotículas de saliva
- Espirros
- Tosse
- Catarro
- Objetos ou superfícies contaminadas como talheres, bebedouros, brinquedos, maçanetas, celulares, mesas.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito de várias formas, desde apenas clínica do paciente até com uso de exames auxiliares como imagens ou laboratoriais.
No diagnóstico clínico, considerando um adulto, o médico faz associação entre sinais e sintomas referidos pelo paciente e, dessa forma, avalia a possibilidade da pessoa estar infectada ou não.
No diagnóstico clínico-epidemiológico, o médico além dos sinais e sintomas avalia os possíveis contatos do paciente com alguém próximo ou familiar que nos últimos 14 dias também estava com o mesmo quadro referido (o possível contato pode ter sido confirmado ou não com COVID-19 ).
No diagnóstico por imagem, podem ser pedidos raio-x ou tomografia de tórax com intuito de poder observar o grau de comprometimento que o vírus está trazendo para o paciente.
No diagnóstico laboratorial, o profissional de saúde pode solicitar o exame para que não haja dúvida ao diagnosticar, uma vez que assim como outros vírus, esse também tem sintomas sistêmicos. Os testes são separados de acordo com os dias de infecção:
- RT-PCR: é usado não apenas para diagnostico de COVID, mas para influenza e também para a presença de vírus sincicial respiratório e é pedido, normalmente, nos primeiros dias de sintomas até o 7° dia. A coleta é pelo swab nasal e/ou orofaríngeo.
- Imunológico: é usado para poder detectar, ou não, anticorpos que são produzidos durante a infecção. É feito, normalmente, a partir do 8° dia de sintomas e não é usado como forma de diagnóstico.
- Sorologia: é usado para detectar imunoglobulinas da classe A, M ou G. É realizado após 7° dia de sintoma por um exame de sangue. Esse exame, quando feito na fase aguda, se negativar, não exclui o possível diagnóstico, sendo assim, não é usado para determinar se o paciente está infectado ou não.
Profilaxia
Por enquanto, a forma mais eficiente de prevenir o contágio é o isolamento social. Mas medidas como o uso de máscara descartável (cirúrgica realizar a troca a cada 2 horas), boa higiene das mãos e de objetos que vem da rua, uso de álcool em gel 70%, manter a distância mínima de 1 metro entre as pessoas durante o convívio social, cobrir a boca e o nariz usando lenço descartável ou parte interna do cotovelo ao tossir ou espirrar, são práticas que ajudam a reduzir[A1] a disseminação do vírus.
Hoje a vacina também é usada como prevenção, mas como é algo recente e a produção não consegue suprir todo o mundo de uma vez só, ainda é algo bastante restrito, mas o avanço da vacinação continua conforme é possível.
Variantes do COVID
Como o vírus se espalhou muito rápido pelo mundo, isso também fez com que as mutações aparecessem na mesma proporção; hoje são três variantes já identificadas e uma ainda está sendo estudada.
- Variante viral da Inglaterra
- Variante viral da África do Sul
- Variante viral do Brasil
- Variante viral da França
As três primeiras variantes já são entendidas. A da Inglaterra é aparentemente mais virulenta, a da África do Sul não é sensível a todas as vacinas que até agora foram estudadas, a do Brasil é mais virulenta e aparentemente contaminou pessoas que já tinham contraído o COVID-19. Já a da França ainda está em investigação pelos estudiosos, foi anunciada no dia 16/03/2021 e encontrada em 8 pacientes mortos após complicações do Covid-19. O problema é que essa variante não é detectada pelo teste RT-PCR, pacientes sintomáticos têm testes negativos, mas após alguns dias, os anticorpos podem ser detectados na corrente sanguínea.
O Ministério da Saúde francês está fazendo testes e análises o mais rápido possível para poder saber até onde esse escape do teste para diagnóstico pode ser prejudicial e se isso pode causar uma maior disseminação com um vírus possivelmente mais virulento e com diagnóstico mais difícil. Outro ponto que deve ser estudado é se essa variante poderá ser sensível as vacinas já criadas.
Conclusão
Essa pandemia do novo coronavírus foi além do que maioria da população mundial, profissionais da saúde estão expostos todos os dias: infecção; leitos de UTIs e enfermarias lotados; até mesmo os hospitais estão escassos, ou seja, a cada dia muitas vidas são perdidas.
As consequências dessa pandemia não está apenas na saúde, mas também na vida financeira, já que o lockdown vem acontecendo em vários lugares como uma maneira de tentar reduzir a transmissão.
É preciso incentivar e alertar a população incansavelmente sobre a necessidade de ficar em casa e quando não for possível, usar o que for preciso para proteger a todos ao redor.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
Nova variante do coronavírus é detectada na França – https://www.poder360.com.br/coronavirus/nova-variante-do-coronavirus-e-detectada-na-franca/
https://dasa.com.br/blog-coronavirus/nova-variante-da-covid-19
sobre as perspectiva de agravamento da crise pela covid-19 frente as novas variantes virais – https://coronavirus.ufrj.br/wp-content/uploads/sites/5/2021/02/Nota-Variantes-Virais_Grupo-de-Trabalho_UFRJ.pdf
por que vírus sofrem mutações? – https://www.dw.com/pt-br/por-que-os-v%C3%ADrus-sofrem-muta%C3%A7%C3%A3o/av-56146366
COVID-19: manifestações clínicas e laboratoriais na infecção pelo novo coronavírus – https://www.scielo.br/pdf/jbpml/v56/pt_1676-2444-jbpml-56-e3232020.pdf
Coronavírus sobre a doença – https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca
Nova variante não identificada por testes de PCR é encontrada na França – https://exame.com/ciencia/nova-variante-nao-identificada-por-testes-de-pcr-e-encontrada-na-franca/