Há
alguns meses, o mundo foi surpreendido com uma pandemia que paralisou o
comércio, empresas, shoppings, faculdades e escolas. O isolamento foi uma das
medidas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo como
objetivo a diminuição da disseminação deste novo vírus.
Dessa forma, este artigo tem como
intuito realizar uma breve revisão sobre as principais características que vem
sendo abordadas nos últimos meses no tocante ao novo coronavírus de 2019.
1. Características do novo coronavírus
de 2019
Os coronavírus são um grupo de vírus
envelopados que devido a sua aparência com uma coroa possuem essa terminologia.
Grande parte dos coronavírus provocam doenças em suas espécies hospedeiras específicas;
os que podem infectar humanos através da transmissão entre espécies tornaram-se
uma ameaça importante à saúde pública, a exemplo dos dois surtos graves da
doença por coronavírus que ocorreram nas últimas duas décadas: síndrome
respiratória aguda grave (SARS) em 2003 e síndrome respiratória do Oriente
Médio (MERS) em 2012.
Os
SARS e MERS são as cepas mais conhecidas e agressivas de coronavírus, cada uma
causando aproximadamente 800 mortes nos anos de 2003 e 2012, respectivamente.
Segundo a OMS, as taxas de mortalidade por SARS e MERS são 10% e 36%,
respectivamente.
Nos anos 60 surgiram o coronavírus
humano 229E (HCoV-229E) e o HCoV-OC43, classificado no gênero Alphacoronavírus
e membro da linhagem 2a dos Betacoronavirus, respectivamente; em Março de 2003
e 2004 emergiram o SARS-CoV-1, membro da linhagem 2b dos Betacoronavirus e o
HCoV-NL63, membro da linhagem 1b de Alphacoronavírus; em 2005 foi descoberto o
HCoV-HKU1, membro da linhagem 2a dos Betacoronavirus e – finalmente – em 2012
surgiu o MERS-CoV, membro da linhagem 2c dos Betacoronavirus. Contudo, em 2019
tiveram evidências de que algumas pessoas estavam sofrendo de uma infecção por
um novo Betacoronavirus, que foi denominado como novo coronavírus de 2019 (COVID-19),
sendo o sétimo novo coronavírus descrito responsável por infecção respiratória.
O COVID-19 surgiu em Wuhan-China com
a suspeita que tenha se originado em um mercado de frutos do mar, no qual um
animal desconhecido poderia ser o responsável pelo contaminação (transmissão zoonótica)
do novo vírus. Posteriormente ele foi designado como coronavírus 2 da síndrome
respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) e se tornou uma Pandemia em 12 de março
de 2020.
Inicialmente, a infecção confirmada por SARS-CoV-2 foi relatada como pneumonia de Wuhan com etiologia desconhecida, que mostrava alguma semelhança com infecções por SARS-CoV (SARS-CoV-2 possui uma sequência genômica idêntica de 75-80% ao SARS-CoV, tendo também semelhança com o receptor para entrar na célula (ACE2), bem como semelhanças com vários coronavírus de morcego) e MERS-CoV, associado à admissão na UTI e alta mortalidade.
Assim como, altas concentrações de citocinas foram registradas no plasma de pacientes que necessitavam de internação na UTI, como GCSF, IP10, MCP1, MIP1A e TNFα, sugerindo que a quantidade de citocinas está associada à gravidade da doença.
O SARS-CoV-2 causa doenças por meio
de um mecanismo análogo ao coronavírus da SARS, com danos potenciais a órgãos
vitais como pulmão, coração, fígado e rim, e a infecção apresenta um risco
considerável para os pacientes pela alta prevalência de pneumonia, tendo uma
patogenicidade única, por causar infecções no trato respiratório superior e
inferior.
Atualmente, de acordo com a European
Centre for Disease Prevention and Control, entre 31 de dezembro de 2019 a 10 de
abril de 2020, foram relatados 1 563 857 casos de COVID-19 e 95 044 mortes, com
maior prevalência de óbitos em Itália (18 281), Estados Unidos (16.690) e
Espanha (15 238).
A contaminação do COVID-19 pode ser
por meio do contato, por gotículas respiratórias, bem como por fômites; alguns
estudos apontam a transmissão por aerossóis, porém ainda são necessárias mais
pesquisas.
As precauções como desinfecção das
mãos, uso de máscara N95 e separação das vestimentas, são meios adequados para
diminuir a transmissão. O teste confirmatório é feito por meio da coleta de uma
amostra de swab da nasofaringe avaliado por reação em cadeia da
polimerase-PCR, porém algumas pesquisas apontam que a Tomografia Computadorizada
(TC) de tórax é a mais sensível do que a PCR para o diagnóstico precoce.
Em relação ao quadro clínico, a maioria dos pacientes apresentam tosse seca e febre, como principais sintomas. Além desses, pode-se citar congestão faríngea, fadiga, cefaleia e mialgia; taquipneia, hipóxia, insuficiência respiratória, choque séptico, coma e falência de órgãos, em casos mais graves.
Como também, existe um grupo de pessoas assintomáticas, que corrobora para a superestimação da taxa de mortalidade e para a sua disseminação, sendo necessário mais estudos para saber a extensão da transmissão por assintomáticos.
Segundo um estudo recente da China e de um relatório dos Estados Unidos, a maioria das mortes acontecem em pacientes com idade acima de 65 anos, sendo os casos mais graves nos enfermos com idade acima de 85 anos, já as crianças são um grupo que apresentam quadro leve, sendo a maioria assintomática.
Além disso, pacientes com COVID-19 que apresentam maior taxa de complicações são aqueles com comorbidades, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, doença renal crônica ou câncer, que comprometem seu sistema imunológico. Os hipertensos são um grupo que mais sofrem pelo quadro grave ou que foram a óbito em razão da COVID-19.
Dessa forma, em face à emergência do
novo coronavírus, ainda há uma grande necessidade de se compreender as características
do COVID-19 e buscar caminhos que levem à prevenção contra um desfecho cada vez
mais sombrio, sem falar das medidas terapêuticas para combatê-lo.
Autor: Letícia Sousa Oliveira
Instagram: @letsousa_oli