A ultrassonografia com doppler é uma modalidade adicional dos exames ultrassonográficos, permitindo a visualização e a análise (direção e velocidade) de fluxo sanguíneo.
As informações derivadas dos transdutores Doppler podem ser apresentadas ao operador de forma acústica ou gráfica (velocidade em relação ao tempo). Além delas, a cor e as tonalidades de cinza do volume do fluxo são importantes aliados na análise das imagens.
Princípios Físicos
Você já deve saber que a USG normal obtém as
imagens através da diferença entre a transmissão e recepção do pulso de onda
que o transdutor emite, ou seja, a diferença nas características das ondas
emitidas e refletidas. O doppler é uma característica a mais desse transdutor,
pois torna possível a obtenção de imagens baseadas na diferença entre as
frequências da onda ultrassônica emitida e refletida, causada pela reflexão da
onda em um objeto em movimento. No caso da nossa análise, o objeto em movimento
são as hemácias. Então, quanto mais as hemácias se afastam do transdutor, menor
é o desvio sofrido pela frequência de eco; consequentemente, se as hemácias se
aproximam do transdutor, a frequência sofre um desvio maior. Com o desvio da
frequência sendo proporcional à velocidade das hemácias, fica mais fácil
determinar as características desse fluxo.
A Formação da Imagem
As informações do doppler podem ser mostradas aos
operadores de forma gráfica, acústica (sim, você pode ouvir o fluxo sanguíneo)
ou convertida em cor. Existem diferenças na análise a partir desses parâmetros:
Sonoro: quanto
maior o volume do som, maior o volume de fluxo e quanto maior o intervalo, mais
rápida é a velocidade do fluxo.
Gráfico:
a direção do fluxo é analisada baseando-se no eixo de referência: quando a
posição é acima do referencial, o refletor (o que está sendo analisado o
movimento) está se aproximando do transdutor, quando a posição é abaixo do
referencial, o refletor está se afastando do transdutor.
Convertido em cor: na maioria dos aparelhos de USG, o fluxo em direção ao transdutor é colorido em vermelho e o que se afasta do transdutor é colorido em azul, mas fique sempre atento a legenda de cores no painel da máquina.

Modos de Doppler
Agora que você já entendeu como a imagem
básica da USG doppler é formada, ainda é possível acrescentar mais alguns modos
nessa imagem para melhorar a análise desse fluxo.
Doppler de onda pulsada: um modo do doppler a ser utilizado para saber
a exata posição de algo em movimento – para isso, o sistema somente processa os
dados de uma área específica em um determinado período. O sinal é emitido e
recebido na forma de pulso e a área de destaque é identificada, limitando os
sinais que retornam em um intervalo de tempo específico e ignora os sinais que
chegam antes e depois do esperado.
Doppler duplex:
combina a imagem em escala de cinza com as informações de fluxo colorido.
Artefatos da Imagem Doppler
Trabalhar com o doppler não é tão simples
quanto parece. Tecnicamente, um artefato é a discrepância entre uma imagem
interpretada e a realidade anatômica ou fisiológica presente no paciente no
momento da aquisição da imagem, podendo estar presente na ultrassonografia com
ou sem o modo doppler. Os artefatos envolvem erros de imagem, de operação e de interpretação.
A seguir, observemos alguns artefatos comuns na obtenção de imagens, sendo importante
identificá-los para evitar diagnósticos patológicos equivocados.
Sombra Acústica: quando
chega à interface com atenuação alta, o pulso de ultras- sonografia não
consegue penetrar mais, criando “sombras” lineares anecoicas ou hipoecoicas que
caminham na direção do feixe de ultrassom. Com esse achado, identifica-se a
limitação de certos transdutores em observar imagens mais profundas.

Cruzamento:
é a obtenção a imagem em espelho, geralmente obtida por angulações específicas
em tecidos específicos. Portanto, sua eliminação é feita regulando a angulação
do transdutor.

Fantasma:
alguns desvios de estruturas que não estão sendo avaliadas podem interferir na
imagem obtida por doppler (por exemplo, o movimento da parede ventricular, em
vez do fluxo sanguíneo no ventrículo). Para eliminar esse artefato é simples,
basta aplicar o “filtro de parede”.

Autor: João Victor Lopes Lima
Instagram: @morethanstudiess