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Ultrassom Morfológico Gestacional 3D/4D: Método para diagnósticos prévios em embriões e fetos | Colunistas

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O
que é o Ultrassom Morfológico Gestacional 3D/4D?

O
Ultrassom Morfológico Gestacional 3D/4D consiste em um exame de imagem, no qual
é possível analisar o embrião ou o feto anatomicamente; dessa forma, permite
perceber anomalias com antecedência. Além disso, classifica-se, ainda, em dois
tipos: (1) o 3D, que, diferentemente da ultrassonografia tradicional 2D, mostra
muito mais do que ossos e órgãos internos, pois trabalha com a inclusão de
planos superficiais, de modo a apresentar nitidamente a superfície externa do
embrião ou feto, e (2) o 4D, que, embora semelhante ao método tridimensional,
revela não apenas a anatomia fetal, mas, também, os seus movimentos. 

Tais
exames possibilitam observar o período embrionário, a partir de meados da
quinta semana gestacional; todavia, anteriormente a esse momento, não se
enxerga o concepto, devido às suas pequenas dimensões. Dessa maneira, dado que
um dos seus principais objetivos é a detecção prévia de anomalias e doenças, o
ideal seria realizar a investigação morfológica entre a décima segunda e a
décima quarta semanas, quando as imagens já revelam traços
anatomorfofisiológicos fetais mais marcantes. Tendo isso em vista, pode-se,
então, diagnosticar antecipadamente anormalidades como a síndrome de Down, a
malformação cardíaca e o risco para pré-eclâmpsia.

Vamos,
agora, enumerar as principais características encontradas, por meio do
Ultrassom Morfológico 3D/4D, sob circunstâncias de normalidade.

Os
principais achados normais para o primeiro trimestre
 


semana:

  1. Saco gestacional, com formato
    esferoidal, dentro das folhas endometriais;
  2. Pequeno saco vitelino secundário,
    representando o primeiro sinal do desenvolvimento embrionário;
  3. Embrião, mas ainda conformado em
    pequena linha reta, que deve atingir por volta de três milímetros, ao final da
    quinta semana.


semana:

  1. Cabeça proeminente, graças ao
    desenvolvimento do cérebro anterior;
  2. Cordão umbilical e ducto vitelino;
  3. Chance de se descobrir uma gestação
    múltipla.


semana:

  1. Boa visualização da cabeça, que fica
    fortemente flexionada em contato com o peito, por conta do rápido
    desenvolvimento do rombencéfalo;
  2. Membros em posição lateral ao corpo.


semana:

  1. Rosto se tornando aparente;
  2. Braços e pés;
  3. Inserção do cordão umbilical, na
    região anterior da parede abdominal;
  4. Cavidades ventriculares
    caracteristicamente císticas, particularmente o rombencéfalo. No entanto, isso
    não deve ser confundido com o diagnóstico precoce de um Cisto de Dandy Walker.


e 10ª semanas:

  1. Ventrículos laterais;
  2. Cabeça dividida do corpo pelo pescoço;
  3. Coluna examinada em todo o seu
    comprimento;
  4. Braços com cotovelos e pernas com
    joelhos; 
  5. Pés se aproximando medialmente.

Desenvolvimento
morfológico normal de embriões de cinco a dez semanas de gestação.

Kurjak. Early human development assessed by 3D and 4D sonography. Fertil Steril 2005.

11ª
e 12ª semanas:

  1. Detalhes do rosto, como nariz,
    órbitas, maxila e mandíbula;
  2. Estômago, bexiga urinária e rins;
  3. Ossos longos;
  4. Dedos.

Feto
com onze semanas mostrando movimento das extremidades superior e inferior.

Kurjak. Early human development assessed by 3D and 4D sonography. Fertil Steril 2005.

As
anomalias embrionárias e fetais previamente detectadas

Por meio
do Ultrassom 3D/4D, abre-se a possibilidade para o reconhecimento precoce de
anormalidades cromossômicas, entre a décima primeira e a décima quarta semanas
de gravidez. Uma vez que já sabemos, então, quais achados seriam esperados no
desenvolvimento embriofetal saudável, vamos conhecer, também, as prováveis
anomalias.

Síndrome
da barriga em ameixa seca

A
Síndrome da barriga em ameixa seca resulta de estenose ou obstrução do trato
urinário distal. O diagnóstico ultrassonográfico é concebido com base em um
achado de eco cístico abdominal inferior, causado por dilatação anormal da
bexiga. Essa falha na formação do sistema urinário pode ser caracterizada por
um espectro de anormalidades, no qual os pacientes são categorizados em faixas,
de acordo com a gravidade dos seus sintomas. 

Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Extrofia
da bexiga

A
extrofia da bexiga é secundária ao desenvolvimento anormal da membrana cloacal,
resultante em: eversão e exteriorização das vísceras pélvicas na superfície
abdominal, umbigo com deslocamento inferior, ramos pubianos divergentes e
genitais externos anormais. O diagnóstico pré-natal baseia-se em uma bexiga
fetal não visível, baixa inserção do cordão umbilical, massa protuberante
saindo da parte inferior da parede abdominal, pênis pequeno e ossos ilíacos
abertos.

Escoliose
grave

A
escoliose grave é identificada, na ultrassonografia 3D/4D, quando a curvatura
normal da coluna está interrompida, de forma que aparece anormalmente angulada
em vistas longitudinais, sendo persistente até mesmo com os movimentos ou
alterações de posição.

Derrame
pleural

O derrame
pleural pode ser uma das características de hidropisia fetal ou estar
secundário a outras anormalidades, como ao Sequestro Broncopulmonar.
Quando aparece isoladamente, é responsável por cerca de 40% da mortalidade
perinatal, geralmente, devido ao ocasionamento de doenças progressivas, que
levam à hipoplasia pulmonar.

Higroma
cístico

O higroma
cístico consiste em um conjunto de saculações, cheias de líquido, na região do
pescoço lateral e nucal, que resultam de lesões linfáticas; portanto, está
frequentemente associado a edema cutâneo generalizado. Além disso, vale
ressaltar que essa anomalia é a mais comum no primeiro trimestre.

Gêmeos
siameses

Gêmeos
siameses são uma entidade muito rara de anormalidade, na classe dos gêmeos
monozigóticos. Embora a separação de gêmeos siameses possa ser realizada com
sucesso em casos específicos, a viabilidade e a subsequente morbidade dependem
do grau de comunicação tanto vascular quanto entre os órgãos dos indivíduos.
Por isso, é necessário que se faça a análise intrauterina detalhadamente o mais
cedo possível. Nesse sentido, deve-se suspeitar de gêmeos siameses, quando não
ocorrer uma clara separação das características anatômicas fetais. A fim de
encontrar essa configuração o quanto antes, deve-se realizar um mapeamento
anatomovascular meticuloso para determinar a extensão do compartilhamento dos
órgãos, direcionando-se, assim, à determinação do prognóstico adequado àquela
situação.

Gêmeos siameses com 1 mês.

Acrania,
Exencefalia e Anencefalia

A
acrania, exencefalia ou anencefalia podem ser diagnosticadas bastante
precocemente, por volta da sétima semana gestacional, em razão dos recursos do
ultrassom morfológico 3D/4D. O diagnóstico se dá por ausência do crânio e/ou
por presença tecido cerebral deformado, sem o aparecimento de ventrículo
cerebral. 

O desenvolvimento de cérebro
e medula espinhal, durante a gravidez, se define por: CH – hemisfério cerebral;
C – Cerebelo; D – Diencéfalo; M – Medula; SC – Medula espinhal; F –
proencéfalo; MB – medioencéfalo.

Kurjak. Early human development assessed by 3D and 4D sonography. Fertil Steril 2005.

Espinha
Bífida

A espinha
bífida resulta de uma falha no fechamento do tubo neural, a qual, normalmente,
ocorre na sexta semana de gestação. Ao realizar o mapeamento 3D da secção
coronal do embrião, na sétima semana, torna-se viável confirmar (1) o
fechamento do tubo neural, que se encontra delimitado por duas linhas paralelas
e (2) a visualização de três centros de ossificação; de modo que a ausência de
(1) e (2) representa forte indício para a manifestação de espinha bífida.
Entretanto, o diagnóstico preciso se dá em meados das nove semanas da gravidez,
graças à demonstração, muito clara, da área espinhal, via imagem de superfície
3D.

Onfalocele

Na
onfalocele, os fetos de oito a dez semanas demonstram hérnia de intestino
médio, visualizada como uma massa hiperecogênica, na base do cordão umbilical.
Já antes de doze semanas de gestação, a hérnia patológica pode ser
diagnosticada pela forma e tamanho da massa, visto que a retração do intestino
médio, na cavidade abdominal, completa-se até o final da décima primeira
semana.

Anomalias
faciais
 

Uma
anomalia facial pode ser associada a uma anomalia do sistema nervoso central,
seja isoladamente ou como parte de uma síndrome. Sendo assim, a identificação
da presença ou da ausência de um osso nasal tem alto valor na avaliação da
aneuploidia, durante o primeiro trimestre gravídico (avaliação de risco para
trissomia 21).

Na
procura prévia por traços associados à face em trissomia 21, deve-se atentar,
principalmente, à existência de maxilar curto. Tal trissomia é popularmente
conhecida como síndrome de Down, cuja verificação, quando não feita
intrauterinamente, pode ser realizada após o nascimento, conforme explicado
detalhadamente no artigo “Bebê com Síndrome de
Down: como identificar”
, publicado pela colunista
Ana Flávia Lima, aqui na Plataforma SanarMed.

Além
disso, traços tais quais a micrognatia, também, podem ser detectados pelos
métodos de imagem 3D/4D, na forma de anomalias estruturais isoladas. Essa
micrognatia congênita está, frequentemente, associada a orelhas mais baixas,
porque, assim como as mandíbulas, as orelhas surgem do primeiro arco faríngeo
(branquial). Como exemplos do micrognatismo ligado diretamente à anormalidade
cromossômica ou síndrome, enquadram-se a síndrome de Turner,
síndrome de Treacher Collins
e síndrome de Edwards;
comprovando, dessa forma, a sua relevância diagnóstica.

Chegando
aos segundo e terceiro trimestres, a fenda labial e palatina compõe a lista dos
elementos de grande importância na investigação clínica. Ademais, a partir do
final do primeiro trimestre, os globos, bem como as lentes oculares, já são
perceptíveis pela ultrassonografia tridimensional, permitindo, então, a busca
por catarata, a qual se define, por sua vez, pela presença de opacidade na
lente.

Conclusão

Portanto, ao permitir tantos achados clínicos prévios, o Ultrassom Morfológico Gestacional 3D/4D é ponto central para a construção e formulação de prognósticos eficientes, uma vez que quanto antes iniciado o tratamento dessas anomalias, no intuito de melhorar a qualidade de vida da mãe e do seu bebê, mais efetivo ele será.

Autor: Bianca de Araújo
Sobral

Instagram: @araujobiancas

Sugestão de leitura complementar

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