
Introdução
As úlceras venosas constituem-se um sério problema de saúde pública, em função do grande número de pessoas acometidas, por necessitar de cuidados em saúde, provocar ausência do trabalho ou perda do emprego, contribuindo para onerar o gasto público, além de provocar o sofrimento das pessoas e a interferência na sua qualidade de vida.
As úlceras venosas são responsáveis pela principal causa de úlcera de perna, com uma ocorrência que atinge índices de até 80,0%, e podem acometer desde indivíduos jovens até os mais idosos.
As úlceras de perna podem ser: venosa, arterial e neurotrófica e neuropática, hipertensiva, microangiopática, arteriosclerótica, anêmica. No entanto as úlceras venosas são as mais prevalentes com aproximadamente 80 a 85%, as de origem arterial com 5 a 10% e o restante de origem neuropática ou úlcera mista
As úlceras venosas constituem a manifestação clínica mais grave da insuficiência venosa crônica. Caracterizam-se por dor disseminada, com presença de edema no pé e tornozelos, localizadas geralmente na região do maléolo medial ou lateral, com bordas bem definidas, apresentando leito com tecido necrosado ou de granulação, exsudato variável de cor amarelada,
podendo torna-se profunda.
Diante disso, é de extrema importância o manejo adequado desses pacientes, englobando uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, nutricionista, psicólogos, dentre outros, para que eles possam ter o cuidado necessário, não agravando ainda mais a ferida.
Fisiopatologia
Úlceras venosas geralmente ocorrem quando as válvulas das veias das pernas estão danificadas e o fluxo sanguíneo, que deveria ocorrer das veias superficiais para as veias profundas, passa a fluir sem direção ocasionando hipertensão venosa, fazendo com que os capilares se tornem mais permeáveis propiciando que macromoléculas, como fibrinogênio, hemácias e plaquetas, passem para o espaço extra vascular.
Este evento causa alterações cutâneas como edema, eczema, hiperpigmentação e lipodermatoesclerose, fazendo com que a pele fique mais sensível e propicia ao surgimento de uma lesão.
Características das ulceras venosas
- As lesões surgem espontaneamente ou a partir de traumas. São secundárias à infecção ou resultantes de aumento do edema. Ocorrem principalmente na região acima do maléolo medial. Mais da metade das úlceras que ocorrem nessa região são primariamente de origem venosa.
- Tipicamente não são profundas, mas podem ocasionar a perda da pele em sua espessura total.
- Borda bem demarcada ou com aparência de mapa.
- Exsudação intensa.
- Têm geralmente uma base avermelhada, a menos que exista a presença de tecido necrosado.
- Geralmente encontradas acima do maléolo medial; podem estar localizadas em qualquer região abaixo do joelho, mas não na sola do pé.
Aspectos clínicos
As ulceras venosas apresentam várias manifestações nas pernas como: edema, dor, varizes, mudanças da cor da pele.
O edema é a queixa inicial da maioria dos pacientes. Ela se desenvolve insidiosamente, agrava-se durante o dia após a permanência em pé, e retorna ao normal depois de uma noite de sono. Pode apresentar marcas a pressão digital, no início, mas com as mudanças crônicas relacionadas ao endurecimento e fibrose, as marcas desaparecem. Os diuréticos não são geralmente utilizados exceto para tratar outros problemas apresentados pelo paciente.
As varizes frequentemente precedem o edema, causam sensação de peso nas pernas e refletem o envolvimento do sistema venosos superficial.
Dor na perna pode ser uma dor leve e permanente cujo alivio se dá com a elevação ou caminhadas. Pode ser severa e envolver o sistema venosos profundo – claudicação venosa, ruptura de tecido e liberação de enzimas. É frequentemente aliviada ou reduzida com a elevação da perna, a dor piora quando a perna estiver pendente durante um período de tempo, é mais forte no final do dia, principalmente após longos períodos de permanência em pé ou na posição sentada.
Ulceras dolorosas podem indicar a presença de infecção bacteriana, além disso, a dor deve ser diferenciada da dor relacionada a doença arterial com claudicação intermitente da panturrilha da perna ou contrição local o caminhar.
A hemosiderose é causada pelo derramamento de hemácias através dos poros capilares dilatados, o deposito de hemossiderina e a promoção da deposição de melanina. Há presença de eritema seguido por descoloração amarronzada mais profunda da pele.
Em pessoas de pele mais escura, pode ter a cor negra e os pacientes poderão se preocupar com gangrena. Geralmente observada na região do maléolo medial, mas pode aparecer em qualquer área abaixo do joelho.
Há presença de dermatite estática, pele seca crônica (descascando em partículas finas até a ictiose com escamação), coceira, arranhões e escoriações.
Prevenção de úlcera venosa
Repouso com elevação dos membros inferiores, pois facilita o retorno venoso. Os pés devem permanecer elevados pelo menos a 30 graus. Deve ser orientado com moderação em pacientes idosos, uma vez que pode afetar a mobilidade.
O uso de meias de compressão é aconselhável para prevenir o edema e melhorar o efeito da bomba muscular, conforme avaliação e prescrição médica;
A caminhada e exercícios de elevar o calcanhar ocasionam flexão e contração dos músculos da panturrilha. Estes são necessários para a manutenção da bomba muscular;
Cuidados com a pele: a pele do membro afetado tende a ser descamativa e apresentar dermatite, por isso é necessária cautela na escolha do produto. Os cremes ou loções com fragrâncias ou corantes devem ser descartados. Um emoliente suave deve ser a opção.
Reduzir o peso corporal;
Realizar avaliação clínica periódica, para pesquisa de anemia, desnutrição, hipertensão e insuficiência cardíaca;
Evitar traumas nos membros inferiores.
Autora: Gabriela de Godoy
Instagram: @gabigodoy5
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências bibliográficas
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