Os tumores ósseos são infrequentes, correspondendo a apenas 2% de todos os tumores, sendo que desses apenas 0,6% são malignos.
Além disso, sabe-se que os tumores ósseos possuem um diagnóstico negligenciado, muito por conta do baixo índice de suspeição do médico assistente, seja por desconhecimento ou falta de contato clínico com casos. Além disso, ocorrem muitos erros de avaliação e uma grande incidência de pacientes portadores de tumores ósseos que se apresentam de forma assintomática.
Usualmente, o período entre o início da apresentação clínica, com sintomatologia, e o diagnóstico dos tumores ósseos é de cerca de 6 meses. Ou seja, é um diagnóstico demorado e complicado!
Então, como devemos nos preparar para suspeitar deste diagnóstico?
Diagnóstico dos Tumores Ósseos
Inicialmente, devemos ter em mente como realizar uma história clínica e exame físico muito elaborados e voltados para a detecção de um possível tumor ósseo. Em seguida, uma radiografia simples auxilia em uma grande porção dos casos de lesão óssea tumoral.
Para realização de diagnóstico diferencial ou até para a confirmação do próprio diagnóstico pode-se fazer necessária a realização de uma cintilografia óssea.
Por fim, o estadiamento tumoral, após o seu diagnóstico, deve ser realizado com o auxílio de uma Tomografia computadorizada, em alguns casos a ressonância nuclear magnética ou até um PET – CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons).
PET-CT
O PET-CT é uma técnica de união entre a medicina nuclear, com a tomografia por emissão de pósitrons (PET), e a tomografia computadorizada convencional, buscando associar as informações metabólicas às informações anatômicas.
O traçador metabólico mais comumente utilizado é o 18F-FDG (18-F-Fluordeoxiglicose), cujo acúmulo depende do metabolismo glicolítico nos órgãos e tecidos humanos. Um consumo aumentado de glicose é visto em tumores malignos, usualmente, demonstrando uma maior avidez pelo 18F-FDG.
Investigação dos Tumores Ósseos
A anamnese, como qualquer outra, deve identificar a idade do paciente, bem como seu gênero/etnia, buscando compreender a história da doença atual e os sintomas que a representam.
O médico avaliador deve tentar compreender os possíveis cenários clínicos associados com o tumor ósseo. Deve-se avaliar a presença e as características da dor, bem como a presença ou ausência de tumor em partes moles. Além disso, um dos possíveis sintomas relatados é a proeminência ou deformidade óssea de aparecimento recente.
A nível do exame físico, é importante que seja realizado um exame físico completo. O examinador deve se atentar para o membro contralateral, buscando divergências entre os membros.
Além disso, pode-se observar a presença de pontos dolorosos, edema, massas palpáveis (incluindo as suas mensurações para acompanhamento), existência de relação com irrigação local (presença de vasos no local), sinais e sintomas neurológicos (como perda de força muscular, parestesia), aderência aos tecidos profundos e alterações na amplitude de movimentos, comprometendo a possibilidade de movimentação articular.
HORA DA REVISÃO: A parestesia é uma alteração sensitiva qualitativa de perversão da sensibilidade, correspondendo a uma sensação anormal de formigamento sem a presença de um estímulo suficiente para gerar essa sensação.
SE LIGA! A dor é a queixa mais frequente dos pacientes com tumores ósseos.
Em seguida, achados radiográficos incidentais e fraturas patológicas também geram bastante encaminhamentos para investigação de tumores ósseos. Alterações no formato do osso acontecem de forma muito frequente, levando a queixas de deformidades ou proeminências ósseas, o que é refletido na avaliação radiográfica.
SAIBA MAIS: Um achado radiográfico incidental representa a percepção de alguma alteração no exame radiográfico realizado com outros propósitos, que não esta alteração.
As fraturas patológicas são fraturas que ocorrem sem a presença de trauma ou energia justificável para a sua ocorrência, normalmente associadas a doenças ósseas que culminam com a fragilidade óssea, como por exemplo a osteoporose ou lesões tumorais.
Tumores Ósseos Benignos e Malignos
É necessário a investigação e identificação de tumorações das partes moles, as quais podem fazer parte de um tumor ósseo ou apenas ser o diagnóstico diferencial do mesmo. As lesões ósseas benignas diferem em algumas características das malignas, sendo as partes moles importantes para essa diferenciação:
- Lesão Benigna: Bordas escleróticas bem definidas, com ausência de tumor nas partes moles, reação periosteal sólida (periósteo consegue conter a proliferação da lesão tumoral) e destruição óssea geográfica (limitada a uma região).
- Lesão Maligna: Reação periosteal interrompida (tumor consegue romper a barreira do periósteo), destruição óssea permeativa (ou “roído de traça”), ampla zona de transição e tumor presente nas partes moles.
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