O risco de reinfecção do Covid (SARS-CoV-2) é um assunto que ainda há controvérsias. Ao longo do avanço das vacinas e das pesquisas sobre o assunto, viu-se que é um risco plausível para a população em geral.
Desde os não vacinados até os vacinados e também naqueles que já contraíram a doença e se curou. Vamos abordar aqui as particularidades de cada cepa em relação a esse evento. Confira!
Primeiro caso de reinfecção
O primeiro caso de reinfecção , do SARS-CoV-2 foi agosto de 2020. Em dezembro do mesmo ano, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso do tipo no Brasil. Quando uma médica de 37 anos voltou a ter diagnóstico positivo de Covid-19 mais de três meses depois de contrair a doença pela primeira vez.
O risco de reinfecção , nos primeiros três meses iniciais, sugere ser baixo, norteando uma possível imunidade a curto prazo. Por outro lado, a permanência de imunidade duradoura ainda é incerta.
Risco de reinfecção do covid: como é a resposta Imune
A resposta imune contra o SARS-CoV 2 envolve imunidade celular e produção de anticorpos(imunidade humoral). Logo no início da infecção há uma resposta de células B e plasmócitos de memória , com secreção de IgA e IgM no inicio,e após IgG no 7º ao 10° dia do início dos sintomas.
Os títulos de IgA e IgM diminuem após 1 mês e os de IgG atingem o pico em 49 dias. Células T são ativadas de forma simultânea na primeira semana de infecção e células T CD4+ e CD8+ de memória específica para SARS-CoV 2 atingem o pico em 2 semanas mas ficam detectáveis por mais de 100 dias.
O declínio de IgG é esperado e não deve ser uma preocupação. Responsáveis pela geração de plasmócitos de longa duração que protegem contra infecções subsequentes.
Um estudo saúde demonstrou que podem desenvolver uma proteção contra reinfecção nos 6 meses seguintes à infecção. Sugerindo uma possível imunidade de duração mais longa
Risco de reinfecção do covid: diagnósticos
O que é um caso suspeito de reinfecção? Indivíduo com dois resultados positivos de RT-PCR para o vírus SARS-COV-2. Intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção respiratória, independente da condição clínica observada nos dois episódios.
Também há uma subnotificação de casos de reinfecção. Por falta de testes e armazenamentos destes para o diagnóstico da doença e comparação entre as linhagens.
Para garantir a confirmação de reinfecção, é essencial a coleta e armazenamento das amostras de RT-PCR. Para a análise do sequenciamento genômico entre as duas amostras.
Esta confirmação exige suporte laboratorial mais complexo. Na indisponibilidade de uma das amostras a investigação não poderá ser complementada inviabilizando a análise do caso.
Reinfecção da COVID-19 por cepas diferentes do SARS-CoV-2
Apesar da provável imunidade, pelo menos a curto prazo, há casos de reinfecção da COVID-19 por cepas diferentes do SARS-CoV-2 confirmados por sequenciamento genômico em vários países do mundo, inclusive no Brasil,mas é uma situação rara.
Um estudo realizado pela Fiocruz , sugere que a variante Delta, detectada inicialmente na Índia , aumente o risco de reinfeção comparada a outras cepas.
Variante Gama
A reinfecção é evidente na variante Gama(original de Manaus), assim como pela variante Beta, detectada pela primeira vez na África do Sul. Nestes casos, a capacidade de neutralizar a cepa Delta é onze vezes menor.
Soro de pessoas vacinadas
O soro de pessoas vacinadas também tem potência reduzida contra a variante delta. Mas apresentam mais efetividade do que àqueles que não se vacinaram.
A capacidade de neutralizar a cepa é 2,5 vezes menor para o imunizante da Pfizer e 4,3 vezes menor para o da Astrazeneca.
Variante Delta
Assim como outras variantes de preocupação, a Delta possui mutações na região do genoma da proteína espícula do novo coronavírus – proteína S ou Spike.
Localizada na superfície da membrana viral, compondo a coroa do vírus, é responsável pela a adesão do vírus às células.
Mutações na proteína S aumentam a capacidade de adesão aos receptores presentes células do hospedeiro. O que leva à maior transmissibilidade do patógeno. Também a modificando a região da proteína S onde se ligam os anticorpos, permite, que o vírus escape do sistema imune.
Variante Delta em relação as outras
Pesquisas confirmam o grande distanciamento da variante Delta em relação às variantes Gama e Beta, a análise revelou a posição central da cepa Alfa, originária do Reino Unido.
Vacinas baseadas na variante Alfa podem proteger amplamente contra as variantes atuais, o que pode ser uma informação relevante para a formulação de novos imunizantes.
“Está se tornando mais provável que mais de uma variante seja necessária para fornecer proteção conforme o complexo sorológico do Sars-CoV-2 continua a evoluir. Sugerimos que um componente, provavelmente, continuará a incluir cepas relacionadas a Wuhan ou B.1.1.7 [variante Alfa] visto que, pelo menos até agora, elas parecem estar mais centralmente posicionadas no complexo sorológico, sendo capazes de fornecer proteção contra múltiplas variantes virais”, dizem os pesquisadores no trabalho.
O especialista lembra que a variante Delta já se tornou predominante em vários países no mundo, tendência também observada no Brasil.
“A grande arma que nós temos no mundo, no momento, é a vacina, associada às medidas preventivas, com o uso de máscaras, higienização das mãos e evitando aglomerações, sobretudo em locais fechados”
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Sugestão de leitura
Referência
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS (TelessaúdeRS-UFRGS). Os indivíduos que se recuperam da COVID-19 podem ser infectados novamente ou desenvolvem imunidade contra a doença? Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; 9 Abr 2021 [citado em dia, mês abreviado e ano]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/posts_coronavirus/os-individuos-que-se-recuperam-da-covid-19-podem-ser-infectados-novamente/.
PESQUISA sugere maior risco de reinfecção pela variante Delta. [S. l.], 28 jun. 2021. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-sugere-maior-risco-de-reinfeccao-pela-variante-delta. Acesso em: 7 nov. 2021.