Anúncio

Tudo que você precisa saber sobre os segmentos hepáticos

segmentos hepáticos

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Fique por dentro de tudo relacionado aos segmentos hepáticos!

Considerado o maior órgão do corpo humano, o fígado desempenha diferentes funções (mais de 500). Entre elas:

  • Participa na digestão de lipídeos através da bile
  • Regula diferentes vias metabólicas
  • Produz diferentes fatores de coagulação
  • Responsável pela metabolização de diferentes drogas e toxinas

O fígado é responsável por uma ampla variedade de funções bioquímicas estratégicas. Sintetizando e eliminando um grande número de moléculas para uma variedade de finalidades. Um fígado saudável tem algumas características importantes:

  • Uma enorme reserva fisiológica. Mesmo que 80% do fígado seja removido, ele pode continuar a realizar todas as suas funções fisiológicas;
  • Regeneração. Em contraste com outros órgãos, após a ressecção de até três quartos do fígado, a mitose ativa pode regenerar uma massa hepática normal.

    Essa incrível capacidade do fígado tem sido usada no transplante hepático. O transplante de um doador vivo envolve o transplante de quatro segmentos do lobo direito (50-60% da massa do fígado) para um receptor.

    No doador, o fígado remanescente se regenera ao tamanho normal em 6–8 semanas; no recipiente, a regeneração demora um pouco mais. Eventualmente, tanto o doador quanto o receptor têm fígados de tamanho normal e em pleno funcionamento.

Anatomia do fígado

O fígado normalmente pesa entre 1,3 e 3,0 quilogramas e é um órgão macio marrom-rosado. É o segundo maior órgão do corpo e está localizado no lado direito do abdome.

É composto por lobos anatômicos (D e E) separados pelo ligamento falciforme. Cirurgicamente, esta divisão é feita ao nível do porta-hepatis. Oonde a artéria hepática e a veia porta se dividem em ramos D e E.

 

Figura 1. Anatomia macroscópica do fígado

O fígado divide-se em duas faces: diafragmática e visceral. A face diafragmática é separada do diafragma pelos recessos subfrênicos. Esse recesso é separado em direito e esquerdo pelo ligamento falciforme. 

O órgão é coberto com peritônio visceral, exceto na chamada área nua do fígado. A face visceral é coberta com peritônio. Exceto no leito da vesícula biliar e da porta do fígado, onde os vasos e ductos entram e saem do fígado.

Segmentos hepáticos

Os lobos são subdivididos em segmentos. Cada segmento tem sua própria vascularização, drenagem biliar e venosa.

Os segmentos hepáticos são importantes pontos cirúrgicos. Uma vez que possibilitam a realização de segmentectomias por possuírem vascularização, drenagem biliar e venosa próprias.

Permitem assim a retirada de um segmento sem comprometimento do restante do órgão. Funcionando cada segmento como um ‘mini fígado’ independente. Ao todo, temos 8 segmentos hepáticos.

A segmentação do fígado é dupla:

  • 1° envolve a veia porta, a artéria hepática e os ductos bilíferos; 
  • 2° envolve as veias hepáticas;

Uma linha imaginária sobre a face diafragmática, que corre a partir do fundo da vesícula biliar até a veia cava inferior, separa as partes. Ambas as partes têm divisões medial e lateral. Observem:

Figura 2. Relação dos pedículos e dos segmentos hepáticos

Parte posterior do fígado (lobo caudado): 

  • Segmento posterior (I).

Parte hepática esquerda: divisão lateral esquerda: 

  • Segmento posterior lateral esquerdo (II);
  • Segmento anterior lateral esquerdo (III).

Divisão medial esquerda: 

  • Segmento medial esquerdo (IV).

Parte hepática direita: divisão medial direita: 

  • Segmento anterior medial direito (V); 
  • Segmento posterior medial direito (VIII).

Divisão lateral direita: 

  • Segmento anterior lateral direito (VI) segmento posterior lateral direito (VII)

*O segmento I não é visível na face diafragmática do fígado. 

*O segmento VIII não é visível na face visceral do fígado. 

Irrigação arterial

O fígado é um órgão muito vascularizado. Cerca de 1.500 mL de sangue passam pelo fígado a cada minuto. O que é aproximadamente 25% do débito cardíaco (o débito cardíaco normal é de 5 L/min). Comparado ao seu peso (cerca de 2,5% do peso corporal), ele recebe um grande suprimento de sangue.

É importante perceber que a maioria (cerca de 65%) do sangue fornecido ao fígado é sangue venoso desoxigenado (que transporta muito menos oxigênio do que o sangue arterial) do intestino delgado e grosso proveniente da veia porta.

Apenas um terço do suprimento é sangue arterial oxigenado e carrega um alto nível de oxigênio proveniente da artéria hepática. Esse suprimento duplo de sangue cumpre três funções importantes:

Funções do suprimento duplo de sangue

Primeiro

O suprimento duplo de sangue fornece uma segurança para o fígado. E o mantém vivo mesmo se um suprimento for interrompido devido a algum estado patológico.

Segundo

O sangue venoso carrega várias substâncias nocivas, toxinas e produtos biológicos derivados de alimentos e bactérias intestinais presentes no intestino grosso.

O fígado atua como um filtro que impede a exposição da circulação sistêmica a essas substâncias. Quando essa função de filtro do fígado é prejudicada, como em pacientes com insuficiência hepática, essas substâncias prejudiciais chegam ao cérebro. E o paciente terá alterações neurológicas variáveis, até o coma.

Terceiro

O sangue venoso carrega muitos nutrientes do intestino delgado; esses nutrientes, se liberados sem controle na circulação, produzirão desequilíbrio metabólico.

O fígado atua como um depósito temporário para armazenar quantidades excessivas desses nutrientes e os libera na hora de necessidade (como o jejum).

Esta imagem mostra a drenagem venosa para o sistema venoso portal e a drenagem venosa do fígado. A veia porta é formada pela veia mesentérica superior (que coleta os nutrientes e o sangue desoxigenado rico em toxinas do intestino) e pela veia esplênica (que carrega os linfócitos imunologicamente ativados) do baço. 

No fígado, o sangue venoso portal é primeiro distribuído para a extensa rede de sinusoides. E, em seguida, coletado por três veias hepáticas: veias hepáticas direita, média e esquerda. Essas veias hepáticas drenam para a veia cava inferior, que drena para o lado direito do coração para oxigenação.

Num sistema portal, o sangue que retorna dos capilares não retorna diretamente ao sistema venoso. Mas é novamente passado por outro conjunto de capilares em outro órgão ou tecido. Existem dois sistemas portais no corpo humano: o sistema pituitário-hipofisário no cérebro e o segundo no fígado.

O objetivo desse sistema portal é fornecer ao fígado um tempo extra de circulação. E expor o sangue à extensa rede de placas de hepatócitos. Ajuda o fígado a realizar suas atividades metabólicas e de filtragem com mais eficiência.

Figura 3. Circulação porta-hepática

Suprimento nervoso 

Feito pelas fibras simpáticas de T7 a T10, fazendo sinapse no plexo celíaco, com o vago D, E e o nervo frênico D. As fibras nervosas acompanham a artéria hepática e os ductos biliares dentro do parênquima e inervam a cápsula de Glisson.

Suprimento linfático 

Vasos linfáticos emergem do porta-hepatis e a maioria acompanha a veia cava inferior para dentro do mediastino.

Principais doenças hepáticas

Encefalopatia hepática

Acontece quando o fígado é incapaz de metabolizar certas toxinas. Sobretudo a amônia (NH3), que acabam alcançando a circulação sanguínea  tecidos (incluindo o tecido nervoso, podendo gerar edema celular). Pode acontecer tanto na insuficiência hepática crônica quanto na aguda. Ela é potencialmente reversível. 

O quadro clínico consiste em 

  1. Flapping (não é patognomônico da encefalopatia)
  2. Hálito hepático
  3. Alterações comportamentais: paciente pode estar com rebaixamento do nível de consciência, apresentando-se comatoso/letárgico ou pode apresentar-se agitado e agressivo
  4. Reflexos tendinosos exaltados ou diminuídos
  5. Hipertonia e incoordenação motora

Diagnóstico é feito clinicamente e o seu estadiamento é feito a partir do critério de West-Heaven. É possível enquadrar o paciente nos estágios 1-4 a depender da sua gravidade.

Figura 4. Critérios de West-Heaven

Síndrome hepatorrenal

Acontece quando um paciente hepatopata começa a desenvolver insuficiência renal aguda pré-renal. Mas por que pré-renal? Porque nesses pacientes há um relativo “estado de hipovolemia” por dois motivos:

• Acúmulo de vasodilatadores no sangue  vasos se dilatam, há queda na resistência vascular periférica. A vasodilatação é sobretudo ESPLÂCNICA (leito mesentérico).

• Artéria esplênica se dilata  Sequestro esplênico  estado de hipovolemia

A partir disso os rins respondem com vasoconstrição (só que no paciente já hepatopata, a resposta será ainda mais exacerbada, contando com ativação do SRAA, levando à diminuição da TFG), levando à perda progressiva da função renal. 

Diagnóstico é feito a partir de um paciente hepatopata + apresentando sinais como oligúria, aumento da escórias nitrogenadas + ascite volumosa. 

Síndrome hepatopulmonar

Acontece no paciente hepatopata que começa a sofrer de hipoxemia, sendo decorrente de alterações intravasculares pulmonares.

Essa síndrome também ocorre devido ao acúmulo excessivo de vasodilatadores. Os quais acabam agindo diretamente na circulação pulmonar, aumentando significativamente o tamanho dos capilares pulmonares.

Por esses se tornarem maior, o fluxo sanguíneo que deveria ser lentificado (para propiciar uma troca gasosa adequada) se acelera. E além disso o oxigênio no saco alveolar e a hemácia presente no capilar ficam ainda mais distantes. De forma geral, o paciente acaba apresentando um shunt D  E. 

Manifestações no paciente:

  • Dispneia
  • Baqueteamento
  • Cianose
  • Platipneia (dispneia em pé ou sentado)
  • Ortodeóxia (queda da Sat. O2 quando em pé)

Segmentos hepáticos: sugestão de leitura complementar

Veja também:

Referências

  1. Saxena R, Theise ND, Crawford JM. Microanatomy of the human liver-exploring the hidden interfaces. Hepatology. 1999 Dec;30(6): 1339-46.doi: 10.1002/hep.510300607.
  2. Si-Tayeb K, Lemaigre FP, Duncan SA. Organogenesis and development of the liver. Dev Cell 2010 Feb 16;18(2):175-89. doi: 10.1016/j.devcel.2010.01.011.
  3. Hoekstra LT, et al. Physiological and biochemical basis of clinical liver function tests: a review. Ann Surg 2013 Jan;257(1):27-36. doi:10.1097/SLA.0b013e31825d5d47.
  4. Nishikawa H, Osaki Y. Liver Cirrhosis: Evaluation, Nutritional Status, and Prognosis. Mediators Inflamm 2015;2015:872152. doi: 10.1155/2015/872152.
  5. Peng Y, Qi X, Guo X. Child-Pugh Versus MELD Score for the Assessment of Prognosis in Liver Cirrhosis: A Systematic Review and Meta-Analysis of Observational Studies. Medicine (Baltimore). 2016 Feb;95(8):e2877

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Não vá embora ainda!

Temos conteúdos 100% gratuitos para você!

🎁 Minicursos com certificado + e-books

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀