O Dispositivo Intrauterino (DIU) é uma forma altamente eficaz e reversível de contracepção, oferecendo uma variedade de opções para mulheres em idade fértil. Com uma ampla gama de tipos disponíveis, desde os hormonais até os de cobre, o DIU se tornou uma escolha popular entre as mulheres em todo o mundo.
Dessa forma, o DIU é uma das formas mais comuns de contracepção em todo o mundo. Sua popularidade deriva de sua eficácia, longa duração e reversibilidade. Globalmente, estima-se que milhões de mulheres usem esse dispositivo como método contraceptivo primário.
Dispositivo Intrauterino (DIU)
A sigla DIU significa dispositivo intrauterino, ou seja, que fica localizado dentro da cavidade uterina e, tecnicamente, é utilizada apenas para os dispositivos não hormonais, que são os de cobre e o de cobre com prata.
Os hormonais, chamados de SIU, por conter hormônio, consideram-se sistemas intrauterinos que contêm o hormônio levonorgestrel, possuindo atualmente dois nomes comerciais no Brasil, o Mirena e o Kyleena.
Como os dispositivos intrauterinos agem?
Insere-se ambos os tipos no útero, onde exercem sua ação contraceptiva, mas seus mecanismos de ação são distintos.

Hormonais
Os dispositivos hormonais liberam progestina, um hormônio sintético similar à progesterona, diretamente no útero. Essa progestina atua de várias maneiras para prevenir a gravidez. Primeiramente, ela espessa o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides em direção ao útero. Essa barreira física impede que os espermatozoides alcancem o óvulo, reduzindo assim as chances de fertilização.
Além disso, em algumas mulheres, a progestina também inibe a ovulação, ou seja, a liberação mensal do óvulo pelos ovários. Sem a presença de um óvulo disponível para fertilização, a gravidez não pode ocorrer. A progestina também altera o revestimento do endométrio, tornando-o menos propenso à implantação de um óvulo fertilizado, caso a ovulação ocorra. Todos esses mecanismos combinados contribuem para a eficácia contraceptiva dos DIUs hormonais.
Diferença entre SIU Mirena e Kyleena
Ambos são métodos hormonais que contêm o hormônio levonorgestrel, liberado em doses muito baixas diariamente na cavidade uterina. Não contém estrógenos, podendo ser utilizados por pacientes que não desejam o uso deste hormônio ou possuem contraindicações.
A diferença do SIU Kyleena, recentemente lançado, é o tamanho menor (28mm X 30mm) em relação ao Mirena (32mm X 32mm) e o diâmetro do tubo insertor menor, sendo 3,8mm no Kyleena em comparação a 4,4mm no Mirena. Com isso, há um desconforto menor no momento da inserção.
As indicações também são diferentes, utiliza-se o Kyleena apenas para contracepção, pois contém menos hormônio (19,5mg), já o Mirena contém 52mg de levonorgestrel, sendo indicado também para sangramento uterino anormal e terapia hormonal, além da contracepção.
Cobre
Os DIUs de cobre, por outro lado, não contêm hormônios, mas são revestidos com fios de cobre que são gradualmente liberados no útero ao longo do tempo. O cobre possui propriedades espermicidas, o que significa que ele é tóxico para os espermatozoides. Quando o DIU de cobre é inserido no útero, o cobre interfere na capacidade dos espermatozoides em se moverem e fertilizarem um óvulo.
Além disso, o cobre também pode causar alterações no muco cervical, tornando-o menos hospitaleiro para os espermatozoides.
Cobre e prata
A prata tem sido historicamente conhecida por suas propriedades antimicrobianas, ajudando a prevenir o crescimento bacteriano no local de inserção do DIU.
Ao incorporar prata no revestimento do DIU de cobre, os fabricantes visam oferecer uma camada adicional de proteção contra infecções. Esta combinação de cobre e prata não apenas ajuda a prevenir a gravidez, mas também pode reduzir o risco de infecções associadas ao uso do DIU. Além disso, a prata foi
adicionada a fim de diminuir os efeitos colaterais do cobre, como aumento do fluxo menstrual e intensidade das cólicas menstruais.
Indicações do dispositivo intrauterino
O DIU é uma opção contraceptiva adequada para uma alta gama de mulheres, incluindo aquelas que nunca tiveram filhos, adolescentes, mulheres em idade reprodutiva e mulheres que desejam espaçar ou limitar o número de gestações.
Indicações específicas para o uso do DIU incluem:
- Mulheres que desejam uma contracepção altamente eficaz e de longa duração
- Desejam engravidar no curto prazo, mas desejam preservar sua fertilidade futura
- Mulheres que não podem usar contraceptivos hormonais devido a contraindicações médicas
- Mulheres que procuram uma opção contraceptiva reversível e que não afete a fertilidade após sua remoção
Inserção do DIU/SIU
A inserção do DIU consiste em um procedimento relativamente simples geralmente realizado no consultório médico. Antes da inserção, realiza-se uma avaliação médica completa, incluindo a história clínica da paciente, exame físico e testes de triagem, conforme apropriado.
A técnica de inserção pode variar de acordo com o tipo de DIU escolhido (hormonal ou de cobre), mas geralmente envolve as seguintes etapas:
- Preparação da paciente, incluindo consentimento informado e instruções prévias.
- Dilatação do colo do útero, se necessário, para facilitar a passagem do DIU.
- Inserção cuidadosa do DIU no útero, utilizando um aplicador específico.
- Verificação da posição adequada do DIU por meio de ultrassonografia ou exame pélvico.
- Orientação pós-inserção sobre os possíveis efeitos colaterais, cuidados e sinais de complicações.

Fonte: Fiocruz, 2024.
Contraindicações para uso do DIU
Existem algumas situações em que não recomenda-se o seu uso. Mulheres que estão grávidas ou suspeitam de gravidez devem evitar o DIU, pois sua inserção durante a gravidez pode aumentar o risco de complicações. Histórico de câncer uterino ou cervical também pode influenciar a decisão de usar o DIU, especialmente se o câncer estiver ativo ou em remissão recente. Alergias a componentes do DIU e distúrbios anatômicos graves também devem ser considerados ao avaliar a adequação do DIU como método contraceptivo.
Além disso, é importante mencionar o papel do DIU em relação aos miomas uterinos. Os miomas são tumores benignos que se desenvolvem no útero e podem causar sintomas como sangramento menstrual intenso, dor pélvica e pressão na bexiga. Em mulheres com certos tipos de miomas, não recomenda-se uso do DIU, especialmente se os miomas forem grandes ou próximo da cavidade uterina. O DIU pode não ser capaz de ser inserido corretamente ou pode aumentar o desconforto associado aos sintomas dos miomas.
Complicações do DIU
Embora o Dispositivo Intrauterino (DIU) seja geralmente seguro e eficaz, como qualquer procedimento médico, ele pode estar associado a algumas complicações.
-
Perfuração Uterina: durante a inserção do DIU, há um pequeno risco de perfuração do útero. Ocorre se DIU for inserido com muita força ou se o útero tiver uma anatomia incomum. A perfuração uterina pode exigir intervenção médica para remover o DIU e tratar qualquer dano causado ao útero
-
Expulsão do DIU: em alguns casos, o dispositivo pode ser expelido do útero, parcial ou completamente, sem que a mulher perceba. Isso pode ocorrer especialmente nos primeiros meses após a inserção
-
Sangramento irregular: mulheres que utilizam esse método podem experimentar sangramento menstrual irregular nos primeiros meses após a inserção. Isso pode incluir sangramento mais intenso, mais leve ou mais prolongado do que o habitual
-
Infecção: embora seja raro, o DIU pode aumentar ligeiramente o risco de infecção uterina, especialmente nas primeiras semanas após a inserção. Sintomas de infecção podem incluir febre, dor pélvica persistente e corrimento vaginal com odor desagradável
-
Rejeição ou reação alérgica: em casos raros, uma mulher pode ter uma reação alérgica aos materiais do DIU. Isso pode levar a sintomas como dor abdominal, inflamação ou erupção cutânea.
Acompanhamento médico após inserção do DIU
Após a inserção do DIU, o médico deve verificar se o DIU está no lugar correto através de uma USG transvaginal, discutir quaisquer preocupações ou sintomas que a mulher possa ter e fornecer orientações sobre o que esperar nos próximos meses.
Fonte: telediu, 2024.
Além disso, mulheres que utilizam DIU devem continuar a realizar exames de rotina, como exames ginecológicos e citologia oncótica (Papanicolau), de acordo com as recomendações médicas. Esses exames são importantes para monitorar a saúde ginecológica geral e detectar precocemente quaisquer problemas.
Essas pacientes deverão realizar autoexames regularmente para verificar a posição do DIU e procurar sinais de expulsão ou complicações, como dor pélvica intensa, sangramento incomum ou corrimento vaginal anormal.
Continue estudando ginecologia:
Autora: Ana Clara Rodrigues
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências bibliográficas
- SILVA, Ana Carolina Japur de Sá Rosa e. Conceito, epidemiologia e fisiopatologia aplicada à prática clínica. Femina, vol. 47, n. 9, p. 519-523, 2019.
Sugestão de leitura complementar
Você também pode se interessar por esses temas:
Estude com o SanarFlix!
Você quer aprofundar seus conhecimentos de forma prática e dinâmica? Então, não perca tempo e venha estudar com o SanarFlix!
