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Tudo o que você precisa saber sobre doença celíaca | Colunistas

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A doença celíaca é uma enteropatia caracterizada por uma intolerância permanente
ao glúten e desencadeada por mecanismos autoimunes em indivíduos com genes HLA
– DQ2 e/ou HLA – DQ8 (LIU et al, 2014).  

               O glúten é parcialmente degradado por enzimas no trato gastrointestinal e resultará na produção de uma proteína solúvel chamada gliadina, que sofrerá desaminação no epitélio intestinal, gerando derivados peptídeos. Os derivados possuem epítopos com carga elétrica negativa e ativam os linfócitos T intestinais através da ligação com o antígeno leucocitário humano (HLA).

Ao reconhecer os peptídeos do glúten ligados ao HLA, os linfócitos T CD4+ glúten específicos secretam interferon gama que potencializa a atividade citotóxica dos linfócitos T CD8 e as células natural killer (PEREIRA et al, 2017).

               O quadro clínico possui
três apresentações (PEREIRA et al, 2017):

  • CLÁSSICA OU TÍPICA:
    Ocorre nos primeiros anos de vida e a
    sintomatologia inclui diarreia crônica, distensão abdominal, emagrecimento, vômitos,
    irritabilidade, atrofia da musculatura glútea e anemia. Caso o diagnóstico seja
    tardio, o paciente pode evoluir para uma crise celíaca, que se caracteriza por diarreia
    com desidratação hipotônica grave, distensão abdominal, desnutrição grave e
    hemorragia.
  • NÃO CLÁSSICA OU
    ATÍPICA:
    Ocorre durante a infância e a
    sintomatologia pode ser mono ou oligossintomática, podendo apresentar constipação
    intestinal, emagrecimento, artrite, baixa estatura, osteoporose e
    irregularidade no ciclo menstrual.
  • ASSINTOMÁTICA OU
    SILENCIOSA:
    Pacientes com alterações sorológicas e
    histológicas da mucosa intestinal compatível com a doença.

O diagnóstico é confirmado pelo exame
histopatológico do intestino delgado (exame padrão-ouro), cujo resultado classificado
em (MINISTÉRIO
DA SAÚDE, 2015; SILVA; FURLANETO, 2010):

  • MARSH I:  a arquitetura da mucosa
    apresenta-se normal com aumento no número de linfócitos intraepiteliais (>30
    linfócitos por 100 enterócitos);
  • MARSH II: presença de lesão hiperplásica (alargamento das criptas e aumento do
    número de linfócitos);
  • MARSH III: presença de lesão com padrão destrutivo (com atrofia vilosa parcial
    ou total);

Os exames sorológicos também podem ajudar a
identificar pacientes com doença celíaca. Os testes são: anticorpo antiendomísio
(EmA), anticorpo antitransglutainase tecidual (antiTG), que identifica a enzima
responsável pela deaminação da gliadina e anticorpo antigliadina deamminada
(antiDPG).

               O tratamento deve ser feito por uma dieta sem glúten de forma definitiva, sendo necessária uma consulta com um nutricionista. O acompanhamento dos pacientes deve ser realizado com antiTG após seis meses do diagnóstico para avaliar resposta ao tratamento.

Caso não haja declínio na sorologia ou melhora na sintomatologia, deve-se pensar em não adesão à dieta, doença celíaca refratária e outros diagnósticos diferenciais de doença celíaca, como alergia alimentar, intestino irritável, intolerância à lactose, hiperproliferação bacteriana, giardíase e doença inflamatória (LIU, 2014).  

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Autora: Martha Monteiro, Estudante de Medicina

Instagram: @sradeferro

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