A pinça Kocher é um instrumento de preensão aponeurótica que auxilia na execução das operações cirúrgicas fundamentais.
Introdução
Criada em 1882 e utilizada até os tempos atuais, a pinça Kocher é um instrumento hemostático – ou seja, ela visa prevenir e deter sangramentos, assim como as pinças de Halsted, Kelly, Crile e Rochester. Esse dispositivo se destaca por sua estrutura resistente e pela grande capacidade de reter tecidos, graças à presença, em sua extremidade, de “dentes-de-rato” que fornecem maior segurança e firmeza à preensão.
Neste texto, entrei em detalhes sobre cada um dos tempos cirúrgicos e descrevi de forma bastante detalhada as definições de pinçamento e as classificações das pinças, caso o leitor tenha alguma dúvida a respeito do tema. De todo modo, a pinça Kocher é considerada traumática e pode ser utilizada em inúmeros procedimentos cirúrgicos.

Fonte: https://repositorio.uft.edu.br/bitstream/11612/1424/1/Manual%20B%C3%A1sico%20de%20Metodiza%C3%A7%C3%A3o%20cir%C3%BArgica.pdf
História
Emil Theodor Kocher foi um médico pesquisador suíço. Em 1909, foi contemplado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por um trabalho relacionado à fisiologia da tireoide e sua técnica cirúrgica. Formado pela Universidade de Berna, Kocher especializou-se em cirurgia e, em 1972, tornou-se professor. Atuou por 45 anos e, trabalhando com grandes cirurgiões de seu tempo, notou uma alta taxa de complicações após tireoidectomias, principalmente devido a hemorragias, infecções, lesões do nervo recorrente e danos nas paratireóides.
Dessa forma, Kocher refinou a técnica cirúrgica de tireoidectomias: passou a isolar vasos e nervos antes de realizar a excisão da glândula. Com meticulosa hemostasia e antissepsia, conseguiu reduzir a mortalidade das tireoidectomias a números menores que 1% – antes disso, as estimativas indicavam que a mortalidade após essas cirurgias chegava a ser de até 75%.
Além de seu principal trabalho, o cirurgião fez diversas outras contribuições à medicina: desenvolveu 249 artigos científicos, treinou vários médicos durante seu tempo como professor, criou novas técnicas cirúrgicas e, claro, apresentou inovações à instrumentação cirúrgica – inclusive desenvolvendo a pinça que é tema do texto: a pinça Kocher. Em resumo, Kocher foi um dos cirurgiões mais importantes da história, trazendo muitas contribuições importantes não só à cirurgia, mas também para a endocrinologia, ortopedia, neurocirurgia, fisiologia médica e à medicina baseada em evidências.

Fonte: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0294126018301924
Estrutura
A pinça tipo Kocher pode ser reta ou curva e pode ser encontrada em vários tamanhos diferentes, geralmente de 13 a 20 cm. Feita de aço inoxidável – uma vez que este material evita a formação de ferrugem ao longo da pinça -, ela se destaca por suas pontas longas e robustas e por sua extremidade dentada, conforme citado na introdução. Além disso, a pinça Kocher também conta com cremalheira dotada de serrilhados transversais – que diminuem as chances de deslizamento de tecidos que são pinçados. Tais características a tornam mais traumática que as demais pinças.
Fonte: https://proremarks.com/medical/kocher-forceps/
Função e aplicações
Sendo uma pinça hemostática, este instrumento foi projetado para realizar a preensão de vasos calibrosos (artérias), podendo estancar sangramentos profundos. Assim, essa pinça também pode realizar a preensão – ou clampe grosseiro – de tecidos aponeuróticos, nervos, tendões e outras estruturas resistentes, como palmas das mãos, plantas dos pés e couro cabeludo.
É comumente utilizada para pinçamento do estômago e alças intestinais, apresentando as bordas para sutura. Ainda pode ser utilizada em tireoidectomias para segurar as margens da glândula tireoide, bem como em meniscectomias, apendicectomias, histerectomias (realizando a preensão da artéria uterina), mastoidectomias radicais, entre outras cirurgias. Por fim, vale destacar seu uso no centro obstétrico, auxiliando na ruptura artificial de membrana durante o parto vaginal, ou ainda no clampeamento do cordão umbilical e na episiorrafia.
Autor: Marcelo Queiroz Alves
Instagram: @marceloqa
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
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Milestones in European Thyroidology (MET).
Disponível em:
<https://web.archive.org/web/20140109182412/http://www.eurothyroid.com/about/met/kocher.php>. Acesso em: 28 de agosto de 2021.
Kocher’s Forceps.
Disponível em: <https://surgicalunits.com/kochers-forceps-121.html>. Acesso em: 28 de agosto de 2021.
Britannica, The Editors of Encyclopaedia. “Emil Theodor Kocher”. Encyclopedia Britannica, 23 de julho de 2021, <https://www.britannica.com/biography/Emil-Theodor-Kocher>. Acesso em: 22 de outubro de 2021.
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