O que é um tricologista? Todo tricologista é um dermatologista? Esteticistas podem se denominar como tal?
Com o boom do mercado de beleza, novos termos surgem diariamente. Nesta mesma enseada, termos já conhecidos vão sendo revisitados e, consequentemente, ganhando novos significados.
Este processo vem acontecendo com a tricologia, que, à medida que foi se tornando mais popular, ganhou alguns ruídos em sua definição real. Pensando nisso, vamos entender o que, de fato, um tricologista faz, sua rotina e como se especializar na área?
Definição de tricologia
Em linhas gerais, podemos compreender a tricologia como a ciência responsável pelo estudo, acompanhamento e cura dos distúrbios capilares. É fundamental que tenhamos em mente que a tricologia não é uma especialidade médica, e sim uma subárea da dermatologia!
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Esta diferenciação se faz necessária, uma vez que é comum que não-dermatologistas se autodenominem tricologistas. Por mais que esses profissionais tenham conhecimentos básicos sobre o tratamento dos fios capilares, só um médico devidamente preparado oferecerá um atendimento completo.
Como surgiu a Administração em Saúde?
Quando pensamos nos horizontes da medicina do Brasil em 2022, é importante que tenhamos em mente que as coisas nem sempre foram assim!
Um exemplo disso? Nos anos 70, por exemplo, ainda existia uma distinção entre os pacientes, que eram separados por categorias. Essa separação servia como forma de determinar qual paciente seria encaminhado para os hospitais específicos.
Os estudos de Administração em Saúde nas redes públicas, por sua vez, iniciaram nos anos 60, embalados pela série de mudanças nos sistemas de saúde que estavam em curso na época.
O que começou na rede pública foi sendo disseminado em outros tentáculos da medicina, chegando até os departamentos de medicina preventiva e social, escolas de administração pública, faculdades de medicina e afins.
Unindo professores de medicina e administração, o primeiro curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde da FGV surgiu em 1975.
A rotina do Tricologista
Quando pensamos em problemas relacionados ao couro cabeludo, qual é a primeira que paira sobre nós?
É bem provável que a queda de cabelos tenha sido sua resposta, não é mesmo?! Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB), de 2018, indicam que 42 milhões de brasileiros sofrem com a alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície.
A rotina do tricologista não se resume, entretanto, ao tratamento e prevenção da calvície. O tricologista também é o responsável pelo tratamento de outras doenças, como:
- Psoríase;
- Pitiríase;
- Dermatite seborréica.
A rotina do tricologista é focada na investigação dos motivos causadores destes problemas, sempre buscando qual é o tratamento mais indicado para cada situação.
O Mercado de trabalho e áreas de atuação
O mercado de trabalho da tricologia médica sofre com a “banalização” do termo. É comum encontrar cabeleireiros, esteticistas e até mesmo “terapeutas capilares” que se vendam profissionalmente como tricologistas.
Esses profissionais podem auxiliar o paciente na compreensão das raízes do problema, mas a assistência médica de um dermatologista sempre será a opção mais confiável.
Dito isso, há um movimento na sociedade de compreensão de que os problemas capilares demandam atenção médica especializada. Em um mundo onde a preocupação com fatores estéticos cresce constantemente, a busca pelo tricologista só cresce.
O tricologista atua, principalmente, no atendimento clínico. A partir de uma anamnese minuciosa, ele poderá definir quais são os próximos passos para solucionar os problemas enfrentados pelo paciente.

Especialização (residência, pós)
Como dito anteriormente, o médico que pode ser considerado um tricologista é, antes de tudo, um dermatologista.
O médico que deseja ser um dermatologista precisa passar três anos na Residência Médica da área. Os títulos são concebidos após a aprovação no exame elaborado pela instituição escolhida pelo médico.
O exame só é feito por médicos que tenham feito a Residência ou estágio em uma instituição reconhecida pela SDB. Há, também, a possibilidade de realizar a prova caso seja comprovado que o mesmo tem seis anos de atividade dermatológica.
Nesse cenário, alguns cursos de pós-graduação são ofertados no Brasil para os dermatologistas que desejam atuar na área. Na grade curricular, o estudo dos diferentes tipos de alopecias e a prática ambulatória são abordados.
Sugestão de leitura complementar
- Alopecia: o que é, causas, tipos, sintomas e tratamento
- Pós-graduação em dermatologia: o que é, como funciona e as vantagens do curso
Fontes: Dra. Gláucia Labinas, Dra. Fabiana Caraciolo, Folha de São Paulo,