Os testes de triagem neotal são de fundamental importância para o diagnóstico precoce de diversas doenças congênitas, sintomáticas e assintomáticas. Diagnosticar precocemente é fundamental para garantir que sejam feitas intervenção em tempo hábil, a fim de interferir no curso da doença e, dessa forma, permitir a eliminação de possíveis sequelas, bem como garantir qualidade de vida para a criança.
Neste artigo, vamos aprender um pouco sobre dois testes de grande importância na triagem neontal, o Teste do Coraçãozinho e o Teste da Orelhinha. Já ouviu falar deles? Vem comigo que o assunto hoje tá show!
Triagem neonatal
A triagem neonatal foi criada em 2001 por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal – PNTN. Desde sua criação, o programa está implantado em todo o território brasileiro e privilegia os princípios do Sistema Único de Saúde, universalidade, equidade, integralidade, preservação da autonomia e igualdade da atenção à saúde.

Fonte: https://saude.rs.gov.br/teste-do-pezinho-deve-ser-realizado-entre-o-3-e-5-dia-de-vida
Inicialmente, conhecíamos a triagem neonatal somente pela matriz biológica, o famoso “teste do pezinho”, mas hoje já temos diversos outros testes realizados em conjunto, como o teste do olhinho, o teste da orelhinha e o teste do coraçãozinho. Após tantos anos de avanços nas técnicas, podemos perceber o impacto altamente positivo da triagem neonatal na redução da mortalidade infatil, uma vez que permite identificação, diagnóstico e tratamento precoce de diversas doenças.
Hoje, vamos falar de dois deles, os testes da orelhinha e do coraçãozinho, e aprender como são feitos, quais suas funções e sua importância. Vamos lá?
Teste do Coraçãozinho
O que é e o que rastreia?
O teste do coraçãozinho é o exame realizado para o rastreio neonatal para cardiopatias congênitas críticas. As cardiopatias congênitas críticas (CCC) são doenças presentes ao nascimento que precisam de intervenção cirúrgica ou percurtânea (punção na pele para o acesso aos órgãos internos e tecidos, não sendo necessária abordagem invasiva) antes de 1 ano de vida.
Consideramos cardiopatias congênitas críticas aquelas cuja apresentação clínica decorre do fechamento ou restrição do canal arterial, como atresia pulmonar, síndrome de hipoplasia do coração esquerdo e coarctação de aorta crítica e similares. Nas CCC, ocorre uma mistura de sangue entre as circulações sistêmicas e pulmonar, levando à uma redução da saturação de O2, por isso utiliza-se a oximetria de pulso para a sua realização.
Como é feito?
O teste é realizado por meio da oximetria de pulso. A aferição é feita de forma rotineira em recém-nascidos com idade gestacional maior que 34 semanas. O exame deve ser realizado por profissional capacitado. A técnica consiste na utilização do oxímetro de pulso para medir a saturação de oxigênio. Faz-se a aferição pré-ductal (na mão direita) e pós-ductal (em qualquer pé). A aferição pode ser simultânea ou consecutiva.

Fonte: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/cardiologia-e-neonatologia-da-sbp-chamam-atencao-para-o-teste-do-coracaozinho/
A aferição deve ser realizado o mais brevemente possível entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta hospitalar. São considerados resultados normais saturação periférica maior ou igual a 95% em ambas as medidas e diferença menor que 3% entre as medidas do membro superior direito e membro inferior. Caso o resultado não esteja dentro dos parâmetros esperados, uma nova realização deve ser realizada após 1 hora. Caso confirmada alteração no teste, um ecocardiograma deve ser realizado dentro das 24 horas seguintes para idenfiticação da possível cardiopatia.
Teste da Orelhinha
O que é e o que rastreia?
O teste da orelhinha, também conhecido como “exame de emissões otoacústicas evocadas” é o exame utilizado para detecção precoce de problemas auditivos em recém-nascidos. Realizar o teste é fundamental para detectar cedo possíveis problemas de audição na criança e poder garantir à ela o melhor tratamento, de forma a propiciar o desenvolvimento correto da linguagem.

Fonte: https://folhabv.com.br/noticia/CIDADES/Capital/Exame-e-essencial-para-identificar-alteracoes-na-audicao-do-bebe/73186
Como é feito?
O exame consiste em produzir um estímulo sonoro e na captação do estímulo de seu retorno por meio de uma sonda introduzida na orelha do bebê. De forma simples, o exame consiste no registro da energia sonora gerada pelas células da cóclea em resposta aos estímulos auditivos que são produzidos no conduto auditivo externo do recém-nascido. Quando há perda auditiva, não ocorre resposta.
O exame deve ser realizado o mais precocemente possível. Idealmente, deve ser realizado antes da alta hospitalar, a partir de 48 horas de vida. Quando não realizada dentro dessa janela de tempo, deve ser realizado preferencialmente até o primeiro mês de vida. Dessa forma, é possível identificar e diagnosticar perda auditiva até os 3 meses de vida e permitir que até os 6 meses de idade a criança já estava fazendo o tratamento adequado.
Caso dectado algum problema, o próximo passo é encaminhar o bebê para o serviço de diagnóstico, onde irá realizar outros exames complementares. Nessa fase, existem duas possibilidades. Parte dos bebês pode apresentar audição normal e parte terão a perda auditiva confirmada. Após a confirmação, um novo encaminhamento será feito, agora para um programa de intervenção precoce, onde a família será orientada e a criança será preparada para o uso de aparelhos de amplificação ou implanta coclear.
Conclusão
Os testes de triagem neonatal são fundamentais na prática clínica, uma vez que permitem modificar a história natural de doenças graves e garantir melhor qualidade de vida às crianças.
A triagem neonatal faz parte de um programa muito bem sucedido do nosso Sistema Único de Sáude (SUS) e está distribuido por todo o país de forma gratuita e inclusiva. É importante orientar os pais e responsáveis sobre sua realização, explicando os diversos benefícios da triagem e como ela pode impactar positivamente na vida das crianças.
Autora: Isabelle Gualberto Souza
Instagram: @isabellegsz
Referências:
Teste do Coraçãozinho (Oximetria de pulso) na triagem neonatal – http://conitec.gov.br/images/Incorporados/TesteCoracaozinho-FINAL.pdf
Triagem de Cardiopatia Congênita – http://conitec.gov.br/images/Incorporados/TesteCoracaozinho-FINAL.pdf
Triagem Neonatal auditiva – https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2015/02/triagemauditivaneonatal.pdf
Teste da orelhinha – https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/cuidados-com-o-bebe/teste-da-orelhinha/
Triagem Neonatal Biológica – https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/triagem_neonatal_biologica_manual_tecnico.pdf
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.