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Trauma crânio-maxilo-facial e cervical

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O trauma crânio-maxilo-facial e cervical representa um importante desafio na prática médica, especialmente em contextos de emergência, devido à complexidade anatômica e à proximidade de estruturas vitais.

Esses traumas podem resultar de acidentes automobilísticos, quedas, agressões físicas ou lesões esportivas, e frequentemente estão associados a múltiplos danos estruturais, como fraturas ósseas, lesões neurológicas, comprometimento das vias aéreas e hemorragias.

Nesse contexto, a avaliação rápida e precisa, aliada a uma abordagem multidisciplinar, é essencial para garantir o diagnóstico correto e a estabilização do paciente, prevenindo complicações graves e potencialmente fatais.

reconstrução tomografica 3d pós-cirurgico
Créditos: Relatos de Casos Cirúrgicos CBC

Assistência ao paciente politraumatizado

A assistência ao paciente politraumatizado, de modo geral, deve seguir os princípios do protocolo ABCDE do trauma, priorizando, em um primeiro momento, o tratamento de lesões que ofereçam risco iminente à vida. Dessa forma, realiza-se o manejo de lesões não ameaçadoras à vida posteriormente, após a estabilização inicial do paciente. No entanto, é fundamental que, durante o exame secundário, não sejam negligenciadas as injúrias teciduais.

O comprometimento das vias aéreas pode apresentar-se de forma súbita e completa, ou ainda de maneira insidiosa e parcial, exigindo atenção contínua da equipe assistencial. Além disso, pacientes inconscientes com trauma cranioencefálico, indivíduos em torpor induzido por álcool ou outras substâncias, bem como aqueles com lesões torácicas, podem evoluir com dificuldades ventilatórias significativas.

Ademais, é comum a presença concomitante de obstrução das vias aéreas, hemorragia grave, lesões intracranianas e danos à coluna cervical. Portanto, considera-se todas as vítimas de trauma facial grave como portadoras de lesão cervical até que exames de imagem descartem essa possibilidade. Um exemplo clássico é a fratura bilateral de mandíbula, que pode levar à obstrução da hipofaringe e gerar um quadro angustiante de sufocamento, especialmente em pacientes conscientes.

Por isso, conhecer o mecanismo da lesão é essencial para a equipe de atendimento, pois orienta a abordagem diagnóstica e terapêutica. Nesse contexto, a anamnese deve contemplar dados relevantes, como queixas visuais, parestesias ou perda de sensibilidade facial e a capacidade de o paciente realizar a mordida, facilitando a condução dos profissionais de emergência.

Por fim, o tipo e a extensão da fratura craniofacial são determinados por diversos fatores anatômicos, incluindo forma, tamanho e densidade das estruturas ósseas, além de suas relações com cavidades internas, musculatura adjacente e tecidos moles de revestimento.

Trauma crânio-maxilo-facial

O trauma representa uma importante causa de lesões no crânio e na região maxilofacial, afetando estruturas ósseas, dentes e tecidos moles da face. Esse tipo de lesão tem se tornado mais comum e mais grave ao longo do tempo, o que pode estar relacionado ao aumento do uso de transporte rodoviário e à intensificação das atividades socioeconômicas da população.

Etiologia

A origem dessas lesões varia conforme fatores como nível socioeconômico, cultura local, região geográfica e faixa etária, e tem sofrido mudanças contínuas nas últimas décadas. Nesse contexto, as causas incluem acidentes de trânsito, quedas, agressões físicas, acidentes no trabalho, práticas esportivas e ferimentos por armas de fogo.

Além disso, a gravidade e o tipo de lesão dependem da área afetada, da intensidade e da direção do impacto no rosto.

Historicamente, os padrões de trauma facial eram mais simples, mas atualmente podem variar desde lesões superficiais até fraturas ósseas complexas, muitas vezes associadas a danos em outras regiões do corpo, como crânio, coluna cervical, tórax, abdômen e membros, o que exige um tratamento multidisciplinar.

Avaliação inicial e abordagem sistematizada

Como já mencionado, a avaliação inicial deve seguir o protocolo ABCDE do ATLS, com atenção especial para vias aéreas, hemorragias e sinais neurológicos. Essas condições, se negligenciadas, podem causar desfechos graves.

Vias aéreas e complicações relacionadas

A obstrução das vias aéreas pode ser causada por lesão direta, edema, sangramento ou presença de corpos estranhos. Além disso, lesões cervicais concomitantes ocorrem em até 5% dos casos.

Ademais, considera-se intubação precoce e, em casos graves, pode ser necessária uma cricotireoidotomia ou traqueostomia de urgência.

Hemorragia facial

Sangramentos significativos podem surgir de fraturas, especialmente nas regiões superiores ou nasoetmoidais. Após excluir outras fontes, o sangramento pode ser controlado com tamponamento anteroposterior ou fixação intermaxilar. Em casos mais graves, a embolização vascular ou ligadura de artérias pode ser necessária.

Lesões neurológicas associadas

O trauma maxilo-facial geralmente está relacionado a forças de alta intensidade e, por isso, é comum haver traumatismo cranioencefálico associado.

Portanto, adia-se o tratamento das fraturas até a estabilização do quadro neurológico, especialmente em pacientes inconscientes.

Avaliação clínica

A anamnese e o exame físico devem incluir o mecanismo de trauma, o tempo decorrido e qualquer intervenção anterior.

Além disso, a inspeção deve ser minuciosa, com atenção à simetria, fraturas, perda de tecido mole, lesões dentárias e oclusão. Uma avaliação oftalmológica completa também é essencial, bem como a inspeção das cavidades nasal e oral.

Diagnóstico por imagem

A tomografia computadorizada (TC) de alta resolução com cortes de 1 mm e reconstrução 3D é o método padrão para avaliação das fraturas maxilo-faciais. Além disso, o uso de fotografias prévias e a documentação fotográfica atual auxiliam tanto no planejamento da cirurgia como na análise de possíveis sequelas.

Planejamento cirúrgico e conduta

Após o diagnóstico, elabora-se um plano de tratamento que considera:

  • Vias aéreas durante o procedimento.
  • Exposição e redução das fraturas.
  • Fixação óssea e necessidade de enxertos.
  • Reparo de tecidos moles.

Trauma cervical

As lesões na coluna cervical são condições clínicas sérias que, embora menos frequentes em comparação com outros tipos de lesões na coluna vertebral, representam um risco elevado de sequelas neurológicas e incapacidades duradouras.

A coluna cervical, formada por sete vértebras, é fundamental para sustentar a cabeça, permitir os movimentos do pescoço e proteger a medula espinhal. Devido à sua estrutura complexa e grande mobilidade, essa região é especialmente vulnerável a traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos, esportivos e quedas.

Anatomia e biomecânica da coluna cervical

A coluna cervical é composta por sete vértebras (C1 a C7) e estruturas associadas, incluindo discos intervertebrais, ligamentos e músculos. Sua função principal é fornecer suporte à cabeça e permitir movimentos do pescoço. A biomecânica cervical envolve a interação dessas estruturas para manter a estabilidade e mobilidade da região.

Mecanismos de lesão

As lesões cervicais podem ocorrer por diversos mecanismos, como:

  • Flexão: movimento para frente que pode causar fraturas ou luxações.
  • Extensão: movimento para trás que pode resultar em lesões nos ligamentos e discos.
  • Compressão axial: pressão direta sobre a coluna que pode levar a fraturas vertebrais.
  • Rotação: movimento de torção que pode causar lesões nos ligamentos e discos.

Esses mecanismos podem resultar em lesões estáveis ou instáveis, dependendo da integridade das estruturas envolvidas.

Avaliação clínica

A avaliação clínica inicial deve seguir o protocolo ABCDE (vias aéreas, respiração, circulação, deficiência neurológica e exposição). Além disso, é essencial realizar uma história detalhada e exame físico completo, incluindo:

  • Inspeção: verificação de deformidades, hematomas ou sinais de trauma.
  • Palpação: identificação de pontos dolorosos ou instabilidade.
  • Exame neurológico: avaliação de força, sensibilidade e reflexos.

Imagens radiológicas, como radiografias, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), são fundamentais para confirmar o diagnóstico e planejar o tratamento.

Tratamento

O tratamento das lesões cervicais depende da gravidade e tipo da lesão:

  • Lesões estáveis: geralmente tratadas com imobilização cervical e acompanhamento clínico.
  • Lesões instáveis: podem necessitar de intervenção cirúrgica para estabilização da coluna.

A abordagem deve ser individualizada, considerando fatores como idade, comorbidades e expectativa funcional.

Conclusão

Devido às complexidades das regiões mencionadas e à diversidade de especialidades que atuam nelas, um diagnóstico precoce aliado a uma abordagem correta são fundamentais para otimizar a resolução dos casos.

Além disso, a incidência de trauma cervicofacial pode ser reduzida em adultos jovens por meio da educação escolar, com ênfase no uso moderado de álcool e na orientação para lidar com situações hostis, prevenindo a violência interpessoal.

Por outro lado, a otimização do design interno dos domicílios, assim como a assistência constante de familiares ou responsáveis, são medidas especialmente importantes para os idosos, cujo principal mecanismo de trauma costuma ser a queda.

Adicionalmente, o uso mais frequente do cinto de segurança e de airbags por motoristas, bem como o uso de capacetes que protejam toda a face por motociclistas e ciclistas, são condutas essenciais que devem ser sempre seguidas para evitar consequências graves decorrentes de acidentes de trânsito.

Lucas Rodrigues dos Santos  (Cirurgia e Traumatologia  Buco-maxilo-facial e membro da LATEU)

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Referências

  • Resident Manual of Trauma to the Face, Head, and Neck. First Edition. American Academy of Otolaryngology—Head and Neck Surgery Foundation. 2012.
  • Bailey,BJ. Head and Neck Surgery-Otolaryngology. Philadelphia, JB Lippincott Company, 2001, vol. 1, cap.65-69.
  • Rocha DL, Manganello-Souza LC. Tratamento cirúrgico do trauma bucomaxilofacial. 3a ed. São Paulo: Roca; 2006.
  • Khan, T. U. et al. Etiology and pattern of maxillofacial trauma. PLoS One. 2022.
  • Truong, T. A. Initial Assessment and Evaluation of Traumatic Facial Injuries. Semin Plast Surg. 2017.
  • Waseem, M. et al. Cervical Injury. National Library of Medicine, 2025.

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