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Transtorno do espectro autista: entenda o que é e como identificar | Colunistas

Transtorno do espectro autista

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos.

Basicamente, trata-se de um transtorno pervasivo e permanente, não havendo cura, mas a intervenção precoce pode alterar significativamente o prognóstico e suavizar os sintomas.

Epidemiologia

O transtorno do espectro autista ocorre a uma taxa de 8 casos em cada 10 mil crianças (0,08%). As taxas de prevalência aumentam com a idade nos casos de crianças mais jovens, em virtude de um hiato existente entre o início do transtorno e o diagnóstico.

Além disso, o TEA é diagnosticado 4 vezes mais no sexo masculino do que no feminino, no entanto o sexo masculino tem mais propensão a apresentar deficiência intelectual concomitante, por esse motivo meninas sem comprometimento intelectual concomitante ou atrasos de linguagem podem não ter o transtorno identificado, devido a manifestações mais sutis das dificuldades sociais e de comunicação.

Os sintomas costumam ser reconhecidos durante o segundo ano de vida, embora possa ser observado antes dos 12 meses de idade se forem graves e após os 24 meses se os sintomas forem sutis.

Critérios do TEA de acordo com o manual diagnóstico dos transtornos mentais

O Manual Diagnóstico dos Transtornos Mentais (DSM-5), caracteriza o TEA com os seguintes critérios:

Transtorno do espectro autista
Fonte: Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM 5).

Fatores de risco 

Os fatores de risco para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) são diversos e podem incluir:

  • Genética: histórico familiar de TEA aumenta o risco de uma criança desenvolver a condição. Certas mutações genéticas e variações cromossômicas também estão associadas ao TEA
  • Idade dos pais: pais mais velhos, especialmente pais mais velhos, têm um risco ligeiramente aumentado de ter um filho com TEA
  • Complicações durante a gravidez e o parto: exposição a toxinas, infecções maternas, complicações durante o parto (como asfixia perinatal) e uso de certos medicamentos durante a gestação podem aumentar o risco
  • Prematuridade e baixo peso ao nascer: bebês prematuros ou com baixo peso ao nascer têm um risco aumentado de desenvolver TEA
  • Exposição a substâncias tóxicas: exposição prenatal a substâncias como álcool, drogas ilícitas e certos medicamentos pode aumentar o risco.
  • Histórico de distúrbios neurológicos: Algumas condições neurológicas, como epilepsia, estão associadas a um maior risco de TEA.

Sinais e sintomas 

Crianças com TEA podem ter dificuldade em desenvolver habilidades de linguagem verbal e não verbal. Isso pode incluir atraso na fala, uso repetitivo ou incomum da linguagem, dificuldade em iniciar ou manter uma conversa e falta de resposta aos gestos ou expressões faciais dos outros.

Além disso, pessoas com TEA podem ter dificuldade em interagir socialmente com os outros. Isso pode incluir dificuldade em entender e responder às emoções dos outros, dificuldade em fazer amigos, falta de interesse em brincar com outras crianças e dificuldade em manter contato visual durante as interações sociais.

Comportamentos repetitivos e restritos são comuns em pessoas com TEA. Isso pode incluir:

  • Movimentos corporais repetitivos (como balançar as mãos ou balançar o corpo)
  • Fixação em padrões de comportamento
  • Interesses específicos e resistência à mudança na rotina ou no ambiente.

Sinais de alarme do transtorno do espectro autista

Transtorno do espectro autista

Fonte: Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Diagnóstico do transtorno do espectro autista

O diagnóstico é clínico, além de identificar os sintomas já citados, é de suma importância realizar uma anamnese e história clínica detalhada, colhendo informações sobre os pais, a gestação, o parto e o desenvolvimento neuropsicomotor da criança. Além disso, pode ser feito um estudo neuropsiquiátrico, envolvendo aspectos de desenvolvimento, avaliação física neurológico e psiquiátrico, testes auditivos, avaliação oftalmológica, estudo genético, com análise cromossômica e/ou estudo de DNA, neuroimagem, eletroencefalograma, potenciais evocados e testes específicos para erros inatos de metabolismo.

O M-CHAT (Escala Modified Checklist for Autism in Toddlers)  é um teste de triagem (não diagnóstico) universal aplicado pelo pediatra e respondido pelos responsáveis. É um teste exclusivo para sinais precoces de autismo, em crianças entre 16 e 30 meses.

Transtorno do espectro autista
Transtorno do espectro autista

Fonte: Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Tratamento

Terapias comportamentais, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), podem ajudar a desenvolver habilidades sociais, de comunicação e de vida diária em crianças com TEA. Essas terapias geralmente envolvem reforço positivo para promover comportamentos desejados e podem ser adaptadas às necessidades individuais de cada criança.

A terapia da fala pode ajudar a melhorar a comunicação verbal e não verbal, bem como a compreensão da linguagem, em pessoas com TEA que têm dificuldades nessa área.

Além disso, Grupos de habilidades sociais ou treinamento individualizado podem ajudar as crianças com TEA a aprender e praticar habilidades sociais adequadas, como fazer amigos, iniciar conversas e interpretar pistas sociais.

Tratamento medicamentoso no transtorno do espectro autista

Esse tipo de intervenção só é utilizado quando alguns sintomas interferem de forma negativa na vida do paciente. Dessa forma, restrine-se a um pequeno grupo que manifesta comportamentos disruptivos, como: irritabilidade, impulsividade, agitação, auto e ou heteroagressividade e destrutividade. Assim, merecem atenção também algumas comorbidades, como: ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), epilepsia e transtornos do sono. 

Portanto, alguns exemplos de medicações uilizadas podem ser:

  • Risperidona
  • Olanzepina
  • Quetiapina
  • Ziprasidona
  • Clozapina
  • Aripiprazol. 

É importante lembrar, que todos os farmácos citados e qualquer outro são escolhidos e indicados de acordo com os sintomas e a situação em que o paciente e sua família se encontra.

Intervenção dietética no transtorno do espectro autista

Na literatura existem relatos sobre a intervenção dietética para indivíduos com TEA, devido às restrições alimentares comumente observadas. Contudo, essas intervenções não tem indicação para serem feitas de forma profilática, somente se restrição e indicação profissional.

Autora: Ariane Rodrigues 

Instagram: @arianerodrigues_

Referências bibliográficas

  1. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  2. TRANSTORNO do Espectro do Autismo. 5. ed. [S. l.]: Sociedade Brasileira de Pediatria, Abril 2019. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Ped._Desenvolvimento_-_21775b-MO_-_Transtorno_do_Espectro_do_Autismo.pdf. Acesso em: 9 dez. 2021.
  3. TRANSTORNO do espectro do autismo: terminologia, epidemiologia e patogênese. [S. l.], 4 maio 2020. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/autism-spectrum-disorder-terminology-epidemiology-and-pathogenesis?search=transtorno%20do%20espectro%20do%20autismo&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5. Acesso em: 9 dez. 2021.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.

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