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Terapia comportamental dialética para transtorno de personalidade borderline

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Transtorno de Personalidade Borderline: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

Um grande desafio de profissionais da Medicina é realizar o diagnóstico e manejo adequado de transtornos de personalidade em geral, que impactam sobremaneira no vínculo estabelecido com o paciente.

A forma como a pessoa interage com o mundo diz muito de sua personalidade, e os transtornos se configuram em padrões persistentes e generalizados no modo de pensar, perceber, reagir e se relacionar que levam a intenso sofrimento e disfunção significativa na vida da pessoa.

Transtorno de personalidade borderline

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é caracterizado por padrões persistentes de instabilidade emocional, impulsividade, dificuldades nas relações interpessoais e uma autoimagem distorcida. Como qualquer transtorno de personalidade, ocorre desde o início do desenvolvimento, tendo o medo real ou percebido de abandono como núcleo.

Pacientes com TPB frequentemente apresentam uma sensibilidade emocional exacerbada, com respostas intensas a estímulos que outros poderiam considerar triviais. Essa instabilidade emocional pode levar a comportamentos autodestrutivos e episódios de autolesão não suicida (ALNS).

Diagnóstico do transtorno de personalidade borderline

O diagnóstico de TPB é clínico e baseado nos critérios do DSM-5TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição versão revisada). Para um diagnóstico definitivo, é necessário que pelo menos cinco dos seguintes critérios estejam presentes:

  1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado.
  2. Padrões instáveis e intensos de relacionamentos interpessoais, que alternam entre idealização e desvalorização.
  3. Perturbação da identidade com uma autoimagem instável ou um senso de identidade fragmentado.
  4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas (por exemplo, gastos excessivos, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, compulsão alimentar).
  5. Comportamento suicida recorrente, gestos ou ameaças suicidas, ou comportamento de automutilação.
  6. Instabilidade afetiva devido a uma marcada reatividade do humor (por exemplo, episódios intensos de disforia, irritabilidade ou ansiedade).
  7. Sentimentos crônicos de vazio.
  8. Raiva intensa e inadequada ou dificuldade em controlá-la.
  9. Ideação paranoide transitória ou sintomas dissociativos graves em resposta ao estresse.

Dessa forma, o diagnóstico diferencial deve incluir outros transtornos de personalidade, transtornos de humor, como o transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e transtornos relacionados ao uso de substâncias.

Manejo

O manejo do TPB é multidisciplinar, envolvendo abordagens psicoterapêuticas e, em alguns casos, farmacoterapia para controle de sintomas específicos. Assim, a Terapia Comportamental Dialética (DBT) é a intervenção psicoterapêutica de escolha, especificamente desenvolvida para tratar TPB. A DBT, desenvolvida por Marsha Linehan, é uma forma de terapia cognitivo-comportamental que se foca em quatro módulos principais:

  1. Mindfulness: desenvolver a capacidade de estar plenamente presente e consciente no momento atual
  2. Tolerância ao desconforto: aumentar a habilidade de aceitar e tolerar situações difíceis sem recorrer a comportamentos impulsivos
  3. Regulação emocional: ensinar técnicas para identificar e modular emoções intensas
  4. Efetividade interpessoal: melhorar as habilidades de comunicação e assertividade para manter relacionamentos saudáveis bem como respeitar os próprios limites.

A DBT combina sessões de terapia individual com treinamento em grupo, onde são ensinadas essas habilidades. A adesão ao tratamento é fundamental, pois a consistência na aplicação das técnicas de DBT pode reduzir significativamente comportamentos autodestrutivos e melhorar a qualidade de vida da pessoa e da família.

Não existe uma medicação específica aprovada para o tratamento de TPB, mas medicamentos podem ser úteis para o controle de sintomas comórbidos, como depressão, ansiedade, impulsividade ou sintomas dissociativos. Pode-se utilizar ntidepressivos (ISRS), estabilizadores de humor e antipsicóticos atípicos (como aripiprazol e brexpiprazol) dependendo do caso.

Assim, o manejo de TPB requer uma abordagem colaborativa e compreensiva, com foco no desenvolvimento de habilidades que permitam ao paciente lidar melhor com suas emoções e relacionamentos interpessoais. A DBT se destaca como uma ferramenta essencial para médicos no tratamento dessa condição.

Referência bibliográfica

  • LYNCH, Thomas R. et al. Mechanisms of change in dialectical behavior therapy: Theoretical and empirical observations. Journal of clinical psychology, v. 62, n. 4, p. 459-480, 2006.
  • LINEHAN, Marsha M.; WILKS, Chelsey R. The course and evolution of dialectical behavior therapy. American journal of psychotherapy, v. 69, n. 2, p. 97-110, 2015.

Autoria

Dr. Saulo Ciasca

125035 CRM/SP

RQE 57364

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