O que é
São duas as características centrais do TEPT: o evento traumático – a exposição a um evento que envolva a ocorrência ou a ameaça consistente de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, associada a uma resposta intensa de medo, desamparo, ou horror; e a tríade psicopatológica em resposta a este evento traumático, desenvolvem-se três dimensões de sintomas: o re-experimentar do evento traumático, a evitação de estímulos a ele associados e a presença persistente de sintomas de hiperestimulação autonômica.
Definição de evento traumático
Para ser diagnosticada como sofrendo de TEPT, a pessoa exposta a um evento traumático deve corresponder a esses critérios:ter vivenciado, testemunhado ou foi confrontada com um ou mais eventos que envolveram ameaça de morte ou de grave ferimento físico, ou ameaça a sua integridade física ou à de outros; Além disso a pessoa reagiu com intenso medo, impotência ou horror;
Diagnóstico
Para que o diagnóstico de TEPT seja feito , é importante que inicialmente seja construída uma relação médico paciente para superar barreiras de comunicação. É importante que o clínico aborde de forma direta os fatos , pois o paciente dificilmente tomará a iniciativa de revelá-los , tais como, ter sido abusado sexualmente na infância. Porém , uma vez abordado o tema, geralmente o paciente consegue falar sobre ele.
recomenda-se que os clínicos desenvolvam um conjunto de perguntas a serem aplicadas em todos casos “suspeitos”. Deve-se considerar casos suspeitos – aqueles com maiores probabilidades de apresentar o diagnóstico de TEPT – pacientes com sintomas depressivos, ansiosos e/ou com história de uso/abuso de drogas. Não se deve esquecer, tampouco, dos pacientes com queixas somáticas vagas e daqueles que relatam fraturas e machucados “estranhos” (i.e. que podem estar sendo espancados ou abusados sexualmente). As perguntas devem ser feitas dentro de uma abordagem empática, receptiva, sem pré-julgamentos, expressando interesse real pelo paciente. Os eventos traumáticos devem ser abordados de forma direta.
A sintomatologia de TEPT pode ser dividida em três grupos: revivescência do trauma, esquiva/entorpecimento emocional e hiperestimulação autonômica. O TEPT é diagnosticado se esses sintomas persistirem por quatro semanas após a ocorrência do trauma e se redundarem em comprometimento social e ocupacional significativos
Quadro clínico
Revivescencia do trauma
O primeiro grupo de sintomas do TEPT é o relacionado às revivescências do trauma. As revivescências podem se apresentar sob diversas formas: sonhos vívidos, pesadelos, pensamentos ou sentimentos incontroláveis, flashbacks
Esquiva e entorpecimento emocional
Os pacientes usam uma série de estratégias emocionais, cognitivas e comportamentais para minorizarem o sofrimento e o terror causado pelas revivescências traumáticas e pelos sintomas de hiperestimulação autonômica a elas associados.A esquiva corresponde a uma tentativa desesperada de evitar contato com tudo que relembre o trauma. Classicamente, o paciente evita falar, pensar ou ir a locais associados ao trauma. Em alguns casos, pode ocorrer o fenômeno da amnésia psicogênica
Hiperestimulação autonômica
O último grupo de sintomas da tríade que caracteriza o TEPT é a hiperestimulação autonômica. Esses sintomas são mais facilmente observáveis e incluem a irritabilidade, insônia, sobressalto excessivo e hipervigilância. Mesmo que o paciente controle os efeitos das revivescências por meio do entorpecimento emocional, seu corpo pode hiper-reagir frente a certos estímulos externos como se estivesse permanentemente ameaçado de morte. Nesse estado de hiper-reatividade psicofisiológico o paciente pode estar de tal modo hiperestimulado que estímulos mínimos fazem taquicardia ,taquipneia e seus músculos se contraiam. Um leve barulho pode causar um sobressalto acentuado. Além disso , esse estado de alerta constante faz com que a concentração caia, afetando o desempenho em tarefas cognitivas como a leitura e o estudo , e a irritabilidade constante e a agressividade exacerbada podem passar a ser características de um indivíduo que, antes do trauma, apresentava um temperamento calmo e cordato.
Tratamento
O tratamento é feito por meio de psicoterapia , farmacoterapia além de o tratamento de outros transtornos, como o uso de substâncias ou o transtorno depressivo maior.
Psicoterapia
A psicoterapia é o principal tratamento para o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).As técnicas de controle do estresse, como respiração e relaxamento, são importantes. Os exercícios que reduzem e controlam a ansiedade (por exemplo, ioga, meditação) podem aliviar os sintomas, além de preparar a pessoa para o tratamento que envolve a exposição estressante a memórias do trauma.
A principal corrente de pensamento favorece o uso de psicoterapia estruturada e focalizada, geralmente um tipo de terapia cognitivo-comportamental (TCC) denominado terapia de exposição que ajuda a apagar o medo deixado pelo evento traumático.Na terapia de exposição, o terapeuta pede à pessoa afetada que imagine estar nas situações associadas ao trauma anterior. É possível que o terapeuta ajude a pessoa a reimaginar o próprio evento traumático. Devido à ocorrência de ansiedade, muitas vezes intensa, associada às memórias traumáticas e para que a exposição avance no ritmo certo, é importante que a pessoa sinta que tem apoio.
Farmacoterapia
Os antidepressivos são considerados o tratamento de primeira linha para o TEPT, mesmo para pessoas que não têm transtorno depressivo maior também. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina e outros antidepressivos, como, por exemplo, a mirtazapina e a venlafaxina, costumam ser recomendados com mais frequência.
Para tratar a insônia e os pesadelos, às vezes o médico receita medicamentos, como a olanzapina e a quetiapina (também usadas como medicamentos antipsicóticos) ou a prazosina (também usada para tratar a hipertensão arterial). No entanto, esses medicamentos não tratam o TEPT propriamente dito.
Referencias:
- Figueira, Ivan; Mendlowicz, Mauro (2003). Diagnóstico do transtorno de estresse pós-traumático. Revista Brasileira de Psiquiatria, 25(suppl 1), 12–16.
- Câmara Filho, José Waldo S; Sougey, Everton B (2001). Transtorno de estresse pós-traumático: formulação diagnóstica e questões sobre comorbidade. Revista Brasileira de Psiquiatria, 23(4), 221–228.
- https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-de-sa%C3%BAde-mental/ansiedade-e-transtornos-relacionados-ao-estresse/transtorno-de-estresse-p%C3%B3s-traum%C3%A1tico
Autor: Fernanda Mathias Rabelo Peixoto
Instagram: @fernandamrpeixoto
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.