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Transferência e Contratransferência na relação médico-paciente | Colunistas

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A prática médica é composta por diversos componentes que,
quando unificados, promovem uma eficaz relação entre as partes. Um desses
componentes é a relação médico-paciente. Infelizmente, esse é um item que
muitas vezes os alunos, ou até mesmo as faculdades, deixam de lado.

Por isso, vale a pena pensarmos no que estamos perdendo
como futuros médicos ao negligenciarmos essa relação e como isso pode impactar
na saúde do nosso paciente.

A
medicina cientificista do século XIX

No século XIX, a medicina era vista como uma prática cientificista, em que o médico era responsável por tratar doenças, deixando de lado a parte humana da consulta. Esse tipo de atendimento pode ser explicado a partir da visão cartesiana, em que o ser humano era segmentado, sendo o médico responsável pelo segmento da patologia ou dor que afligia o ser, não valorizando os fatores psíquicos e sociais envolvidos no atendimento.

Ainda hoje, com o desenvolvimento da tecnologia, muitos
médicos tendem a focar seus tratamentos na resolução das doenças, sem se
preocupar com os outros fatores determinantes de saúde. Felizmente, nota-se um
crescimento da discussão no meio acadêmico e médico sobre a importância da
relação médico-paciente.

Transferência e Contratransferência

O mecanismo de transferência
consiste no processo no qual os pacientes trazem para a consulta sentimentos e
conflitos originários de relacionamentos anteriores. O mecanismo de
transferência, portanto, pode ser positivo ou negativo.

Na transferência positiva, o paciente encontra no médico aquilo que ele esperava na consulta, um médico atencioso e disposto a lhe ajudar. A partir desse ponto, é estabelecida uma relação de afeto do paciente para com o médico, promovendo uma maior confiança na prática médica e na adesão dos planos terapêuticos prescritos pelos profissionais de saúde.

Entretanto, a transferência pode
também ser negativa. Esse aspecto negativo proveniente dos pacientes pode
ocorrer devido a fatores como inveja, ira, desconfiança, desprezo, entre outros.
Essa transferência negativa pode acontecer devido a uma má recepção pelo
profissional de saúde, evidenciada pela pressa, indiferença e má apresentação.
Fica explícito, portanto, que a transferência negativa torna a consulta mais
difícil, impossibilitando muitas vezes a resolução do problema de forma
satisfatória. 

A contratransferência se refere à
outra parte existente na consulta médica, em que o profissional de saúde transfere
os aspectos afetivos profissionais para o seu paciente. É importante salientar
que nenhum profissional de saúde consegue isolar suas emoções diante de uma
consulta, mas cabe a esses profissionais muitas vezes se eximir de expor suas
opiniões contrárias ou até favoráveis, com vista a não parecer um julgamento.

Assim como a transferência, a contratransferência, pode
ser positiva ou negativa, dependendo de diversos fatores, como a idade, sexo,
apresentação e situação social da parte do paciente, assim como cansaço,
estresse, irritação, insatisfação no trabalho da parte do profissional médico.

A medicina humanizada do século XXI

Fica claro que a relação médico-paciente é um importante aspecto na prática médica que, por muito tempo, foi deixada de lado. Portanto, o que torna uma consulta médica proveitosa e satisfatória não é o uso de drogas de última linha, novas tecnologias ou de conhecimentos científicos elaborados, mas sim a prática da boa relação, em que o médico e o paciente desenvolvem uma situação de transferência e contratransferência positivas.

Dito isso, é importante que, como profissionais, possamos ter uma escuta ativa, procurando sempre entender e compreender as mazelas que acometem o paciente, que estão além da doença física, adotando, portanto, uma visão biopsicossocial do ser. 



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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