A toxina
botulínica, mais conhecida através da marca Botox, é uma substância produzida por uma
bactéria chamada Clostridium botulinum
que paralisa o movimento dos músculos no local onde é aplicada.
O estímulo elétrico para a contração de um músculo, parte
do cérebro, atravessa a medula espinhal, corre pelos nervos até o seu ramo mais
fino. A passagem da informação entre o nervo e o músculo é feita com a
liberação de uma substância chamada acetilcolina, liberada pelo nervo.
A toxina botulínica age através do bloqueio da liberação
desta substância pela terminação do nervo. Se o músculo não recebe a
acetilcolina, ele não contrai. Assim, a toxina botulínica paralisa a
musculatura, bloqueando a informação do estimulo elétrico de chegar até o
músculo.
Quando
utilizada para fins estéticos, a toxina botulínica consegue prevenir ou
eliminar as rugas de expressão ao ser aplicada nos músculos faciais. Quando
a musculatura sob a pele está contraída, tensa, a pele se dobra na superfície,
gerando sulcos, diferenças de relevo, que são as rugas.
Por
outro lado, quando essa musculatura está relaxada, a pele mantém-se lisa. A
toxina botulínica é indicada
para a atenuação das rugas dinâmicas, as que aparecem quando contraímos alguns
músculos (testa, entre as sobrancelhas, pés de galinha),
prevenindo assim também o aparecimento das rugas estáticas, as que estão
aparentes mesmo sem o movimento muscular. É
indicada a partir dos 20-25 anos, como forma de prevenir a formação de algumas
linhas de expressão.
O início
do efeito após a aplicação surge após 2 a 3 dias, com uma paralisação
progressiva do músculo, e pico de ação e estabilização do efeito, com cerca de
15 dias. Este bloqueio é transitório e
geralmente dura em torno de 4 a 6 meses, retornando a ação muscular
paulatinamente e com ela as rugas.
Porém, como todo músculo que não é usado atrofia, o
uso sequencial da toxina
botulínica pode gerar uma leve atrofia na musculatura do local
aplicado. Por isso que, mesmo após o fim do efeito da toxina
botulínica, naquelas pessoas já acostumadas a aplicação periódica, já não há
uma contração tão forte como antes, atenuando o aparecimento das rugas mesmo
sem a medicação.
Por ser um
medicamento biológico, deve ser seguido um intervalo mínimo de três meses entre
cada aplicação, considerando a mesma região tratada. Caso esse prazo não seja
respeitado, pode se desenvolver uma resistência ao produto e perda ou
diminuição do seu efeito.
Diferentes
cepas de bactérias anaeróbias de Clostridium botulinum são responsáveis
pela produção de sete sorotipos de neurotoxina conhecidos, denominados A, B, C,
D, E, F e G, mas só́ os sorotipos A, B e F são usados clinicamente, sendo o
tipo A o mais potente.
As mais conhecidas e usadas na medicina
estética são: Botox, da Allegan; Dysport, da Galderma; e Xeomin, da Merz. Embora
produzidas com mesmo sorotipo de toxina, tipo A, são subtipo com propriedades
diferentes, sendo denominadas OnabotulinumtoxinA
(Botox®), AbobotulinumtoxinA (Dysport®), IncobotulinumtoxinA (Xeomin®). Por
isso, para terem efeitos semelhantes, as toxinas botulínicas de diferentes
empresas têm características próprias, dosagens e padronização
de aplicação diferentes.
Seu
efeito mais conhecido na estética é para tratamento das rugas de expressão. Porém
há também outros usos no mundo da estética, como a diminuição da oleosidade que
ocorre devido ao bloqueio das glândulas
sudoríparas e sebáceas na região aplicada, mesmo quando sua aplicação é
intramuscular (em camada mais profunda).
Da
mesma forma, este bloqueio das glândulas faz a aplicação da toxina botulínica
ser uma excelente opção para quem sofre de hiperidrose, com suor excessivo,
podendo ser aplicada em mãos, pés e axilas.
Também,
é uma opção de tratamento bastante eficaz da enxaqueca, sendo aplicada nos
pontos gatilhos musculares que iniciar a dor de cabeça. Esse procedimento faz
diminuir a necessidade do uso de medicações, atenua a dor e até mesmo diminui o
número de crises do paciente, melhorando intensamente sua qualidade de vida.
Pode
ainda ser usada para correção do sorriso gengival através da aplicação na musculatura
do levantador do lábio superior, e para diminuição da hipertrofia do músculo mastigatório masseter, gerando efeito
de emagrecimento do rosto, além de melhora do bruxismo e tensão ao
mastigar.
Para as
rugas de expressão a aplicação é feita em diferentes pontos diretamente sobre o
músculo que desejamos tratar. Esses pontos de
aplicação devem ser individualizados e de acordo com o tipo de contração que
aquela pessoa faz ao movimentar a musculatura.
Para atenuar as rugas horizontais da testa devemos aplicar poucas unidades da toxina botulínica em múltiplos pontos no músculo frontal, principalmente na região central dessa área, onde a contração é mais forte. Deve-se tomar cuidado para não aplicar muito próximo ao supercílio para evitar a queda do mesmo e na região onde está atravessando a artéria temporal (figura 1)

As rugas verticais – da braveza- entre os supercílios (na glabela) são tratadas através da paralisação dos músculos corrugadores e próceros. Por serem menores, porém mais fortes, as aplicações são em menos pontos com maior dose da toxina em cada ponto. A dose terapêutica necessária apresenta relação com a massa muscular que receberá a aplicação (figura 2).

Já para eliminar pés de galinha devemos aplicar a toxina na região lateral dos olhos, no músculo periorbital (figura 3).

Também
nessa região pode-se aplicar em um ponto na cauda do supercilio a fim de elevar
a região lateral do supercilio e mantê-lo mais arqueado, principalmente nas
mulheres.
Outros
usos para a toxina botulínica é a aplicação no músculo perioral para melhora
das rugas em código de barra, nas bandas platismais do pescoço e no depressor
do septo nasal, evitando que a ponta do nariz caia ao sorrir.
Após a
aplicação deve-se evitar manipulação ou fricção no local aplicado;
permanecer com cabeça posição vertical por 4 horas e evitar exercícios por 24 horas.
A
aplicação precisa é
imprescindível para evitar-se complicações. A difusão da toxina
botulínica na área dos olhos pode causar blefaroptose, diplopia, ectrópio,
lagoftalmo e diminuição do lacrimejamento.
Na
área perioral, o excesso de dose pode causar alteração da fala, dificuldade
para comer, perda de saliva e líquidos por incompetência oral, deformidade no
sorriso e até assimetria facial.
A
toxina quando aplicada erroneamente na região cervical pode causar disfagia, alteração
da voz, boca e/ou garganta seca, dor de garganta e fraqueza dos músculos
flexores cervicais.
Para prevenir tais complicações é importante o conhecimento preciso da anatomia facial, uso de doses corretas e diluição adequada do produto para não alterar o halo de difusão do mesmo.
Autora: @dra-maine-trece
Instagram: @dra.mainetrece