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Touch ou toque? O Whatsapp e seu papel na relação médico-paciente | Colunistas

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“O uso do Whatsapp no atendimento médico deve despertar a consciência de que cada vez mais a consulta deve ser edificada sobre os princípios da ética médica”.

A evolução da comunicação humana sem dúvidas acompanha o desenvolvimento
da medicina, na atualidade é de grande percepção a importância que se faz do
uso do WhatsApp ou do Telegram para a continuidade do cuidado médico fora dos
limites do consultório e do hospital. Ou a ininterrupção até mesmo dentro do
ambiente hospitalar, onde a dinamização do atendimento torna-se cada vez mais
necessária.

Em contrapartida, pensar na utilidade do uso de um aplicativo
virtual de mensagens para atuação na linha de diagnóstico e controle em saúde,
engloba um aspecto que deteriora o que é proposto pela Declaração de Helsinki
onde está descrito que toda precaução deve ser tomada para proteger a
privacidade e confidencialidade das informações pessoais dos pacientes, tal
descrição por muitas das vezes é infringida quando relacionada ao uso de
aplicativos de mensagens.

Juntamente ao ideal de sigilo médico defendido pelo código
bioético, pode-se associar a resolução do CFM 1958/2010 onde está descrito
que  “a 
consulta médica compreende a anamnese, o exame físico e a elaboração de
hipóteses ou conclusões diagnósticas, solicitação de exames complementares,
quando necessários, e prescrição terapêutica como ato médico completo e que
pode ser concluído ou não em um único 
momento”. Desse modo, seria correto pensar em uma consulta virtual por
uma cadeia de mensagens? Em qual momento se estabelece o vínculo do médico com
o paciente? A ocorrência do exame físico acontece como descrito pela
propedêutica?

Todo esse atendimento feito por uma plataforma de conversa
torna o ato médico passível de erros crassos, visto que a  Lei 12.842/2013, Lei do Ato Médico, em seu
artigo 2º diz que o médico deve agir com o máximo de zelo. Em
contrapartida, o Telegram ou WhatsApp, não conseguem garantir o zelo que é
estabelecido pelo médico e o paciente no consultório adequado, partindo de
técnicas adequadas e pautado nos princípios de ética médica que garante ao
profissional e ao cliente o sucesso do ato. Êxito esse que está associado a
garantia do bem estar e a qualidade de vida progressiva ao ser humano que ora
ou outra necessita de uma ajuda que guarda respeito absoluto pela vida e presta
os cuidados de maior qualidade para o seu paciente.

O uso do aplicativo de mensagens instantâneas podem dinamizar
a relação médico paciente e completar a linha de cuidado cotidiano médica, mas
nunca deve substituir a beleza de um atendimento de excelência onde o médico
toca o paciente. Na obra “Urupês” de Monteiro Lobato, o Major Mendanha
peregrina por atendimento médico até que encontra o doutor Inacinho que o
interroga, toma o pulso do major, o ausculta com a atenção, cuidado e ainda
pede uma pausa para que ele possa raciocinar e estabelecer um diagnóstico com
excelência seguida de uma auscultação estetoscópica para findar o atendimento
médico como rege a semiologia, que assusta Mendanha pela nomenclatura, mas ao
mesmo tempo o tranquiliza pelo cuidado.

Na atualidade, pensar nessa situação entre o médico e o paciente de forma instantânea por caracteres, áudios, vídeos ou imagens torna-se um pensamento mecânico, mas, não é realizável e passa distante do ideal.Não há nessa troca um momento em que o médico vai enxergar no paciente o espanto, a dúvida, o receio, a felicidade, a tranquilidade de estar frente a uma bateria de exame físico realizada por um humano sem a intervenção da máquina. Os emoticons escondem a real face do sentimento humano do paciente e falaciam a qualidade e a dedicação do profissional médico para com o cuidado da saúde do seu cliente.

É inevitável que a inovação tecnológica esteja associada a
prática médica, a novidade traz ao campo da medicina um novo panorama para o
avanço humano. Porém, o médico deve-se pautar na ética do seu ofício e no
sentimento humano ao perceber que o seu paciente não deve se esconder atrás de
mensagens curtas, imagens da parte do corpo afetado ou exames complementares
realizados de forma autônoma e interpretados via virtual. O médico deve opinar
sobre o quadro do paciente ao tocá-lo. É apenas nesse momento que uma alma
humana salva outra alma humana, pelo toque, pelo contato, pela interação que
nenhuma tecnologia no mundo será capaz de substituir.

Danilo Gustavo

Instagram: @dg_danilo_

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