Anúncio

Torniquete, terapia de guerra nas suas mãos | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Segundo William Mayo “A medicina é a única vencedora na guerra”. Há forte ligação entre conflitos e avanço na melhoria do atendimento ao trauma e cuidado de pacientes com múltiplas lesões.

O campo de batalha expõe uma realidade dura e de difícil simulação em ambiente controlado, na qual a pesquisa e a implementação de manobras, equipamentos e condutas podem expandir tanto quando a criatividade das pessoas que os propõem.

A pesquisa sobre manejo de politraumas e lesões graves é promovida por necessidade e tem resultado em taxas melhores de sobrevivência, atualmente, que em qualquer outro momento da história. Um dos principais pilares desse avanço na área é a guerra ao terrorismo, desempenhada pelos Estados Unidos ao longo dos últimos anos.

Medidas antes associadas à maleficência, causando mais danos que benesses, como os torniquetes, hoje encontram literatura que baseiam sua aplicação inteligente e comprovam a importância do seu uso quando bem indicado.

Choque hemorrágico

Conceituando

Para melhor entendimento dos pontos de discussão, aqui vai uma revisão do choque hemorrágico, frequentemente encontrado nos prontos-socorros. Não à toa, a atenção às lesões exsanguinantes tomaram a frente do tradicional mnemônico de atendimento inicial ao politraumatizado “ABCDE”, acrescentando-as como X no início do protocolo.

A hemorragia vai causar redução do débito cardíaco por redução da pré-carga. Com a baixa volemia, haverá desequilíbrio entre perfusão e oxigenação, que por fim levará ao estresse oxidativo celular e ativação das vias apoptóticas. O ambiente torna-se propício para instalação da tríade letal (acidose metabólica, coagulopatia e hipotermia)

Tais lesões podem ocorrer externamente, derivada de traumas como: cortes, perfurações e lacerações. Mas também internamente, onde podem ser de difícil diagnóstico e necessitam de boa avaliação quanto aos seus sinais e sintomas. São locais passíveis de acúmulo sanguíneo: crânio, tórax, abdome, pelve e, apesar de negligenciados, os ossos longos fraturados.

Grau de Choque

                A classificação do choque hemorrágico em graus auxilia no diagnóstico e conduta quanto à reposição volêmica. Pode-se usar parâmetros clínicos simples ou elaborados, sendo que em vigência de gravidade dá-se preferência para os parâmetros simples e início rápido do tratamento.

Tratamento

Baseia-se na Interrupção da hemorragia + Reposição volêmica.

Repor Volemia

                Os acessos devem ser obtidos rapidamente, preferencialmente nas veias ante cubitais de ambos os lados. Os cateteres devem ser curtos e calibrosos para dar potência a reposição. A quantidade de líquido deve ser particularizada a cada paciente com base em sua evolução, mas inicia-se entre 1000 e 2000 ml no adulto e 20 ml/kg na criança, com Ringer Lactato.

Manter reposição plena até a normalização dos valores pressóricos, que ocorrerá por volta da infusão de 3 vezes a quantidade perdida, visto que 2/3 extravasam para o extravascular. As medidas de reposição não devem atrasar o controle definitivo da hemorragia.

Interromper Hemorragia

                As condutas dependem do local, extensão e volume do sangramento. Diversas medidas como pressão direta, curativos hemostáticos e terapias farmacológicas podem ser utilizadas. Daremos enfoque ao uso do torniquete.

Torniquete

No início da guerra ao terror, a taxa de mortalidade por lesões exsanguinantes era alta. Sangramento nas extremidades por corte, contusão, laceração ou decepação podem ser volumosas e levar ao choque hemorrágico.

A popularização do uso do torniquete auxiliou na melhora do manejo das lesões, mas implementava isquemia ao tecido não lesado que se encontrava distalmente ao local de uso do torniquete. A demora no transporte e remoção era um dos grandes responsáveis por esse efeito colateral catastrófico e o associava a infecções por manter aberta uma barreira de fácil contaminação.

A melhora no tempo de resgate e o uso de medidas adjuvantes no controle da hemorragia, como curativos hemostáticos e compressivos, auxiliaram na melhora dos resultados de implementação de torniquetes.

Um estudo feito pelo exército americano no Iraque e Afeganistão, comparou resultados de aplicação do torniquete em momentos diferentes: antes do paciente descompensar por choque; depois de descompensado. Os resultados foram de 96% de sobrevida na aplicação precoce e bem indicada, ante 4% de sobrevida na aplicação tardia.

Quando Usar?

                Torniquetes devem ser usados se o controle do sangramento por pressão direta ou curativo compressivo não conseguirem o estancamento e hemostasia.

Local de aplicação

O primeiro torniquete deve ser aplicado na axila ou virilha. Em caso de controle insatisfatório, é indicado a aplicação do segundo torniquete proximal à lesão. O local de aplicação não deve ser coberto durante o transporte, para que a inspeção seja facilitada e revisada constantemente.

Sangramentos em locais centrais não têm indicação de uso de torniquete. Hemorragias abdominais e pélvicas devem ter outros agentes hemostáticos como preferência.

Pressão de oclusão

Deve-se impor pressão suficiente para bloquear o fluxo arterial, ocluindo o pulso distal a aplicação. Há relação direta entre a quantidade de pressão e tamanho do membro, quanto maior for este, mais forte deve ser aquele.

Limite de tempo

                A segurança de uso em salas cirúrgicas tem sido comprovada por até duas horas, sem danos isquêmicos significativos aos nervos e músculos. Normalmente, o uso de torniquete está associado à necessidade de manejo cirúrgico para tratamento definitivo, portanto a aplicação no pré-hospitalar deve ser mantida até a chegada ao hospital apropriado mais próximo.

Controle de dor

                Em pacientes conscientes, o torniquete pode ser doloroso. O controle da dor deve ser ponto de atenção constante e antecipado no transporte.

Autor: Yan Porto, estudante de medicina


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

  1. Colégio Americano de Cirurgiões. Advanced Trauma Life Suport (ATLS). 9. ed. Chicago: Colégio Americano de Cirurgiões; 2014.
  2. KING, David R. Initial care of the severely injured patient. New England Journal of Medicine, v. 380, n. 8, p. 763-770, 2019.
  3. Manifold C, Abraham H. Shock: fisiopatología de la vida y la muerte. In: National Association of Emergency Medical Technicians. PHTLS: Soporte Vital de Trauma Prehospitalario. 9. ed. Burlington: Jones & Bartlett Publishers; 2019.

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀