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Toracotomia de emergência: o que é, indicações e possíveis complicações do procedimento

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Toracotomia de emergência: aprenda a técnica do procedimento e sinta-se seguro na emergência.

O trauma torácico é uma ocorrência comum entre pacientes traumatizados, e representa uma causa significativa de risco à vida quando não é identificado e tratado de maneira adequada.

A toracotomia de emergência é um procedimento cirúrgico realizado no tórax para tratar lesões graves ou condições médicas que ameaçam a vida e requerem intervenção imediata.

O que é a toracotomia de emergência?

A toracotomia executada na sala de emergência (TSE), é um procedimento de extrema urgência, utilizado como último recurso na tentativa de preservar a vida do paciente.

Esse procedimento envolve a realização de uma incisão anterolateral no tórax, com o objetivo de proporcionar um acesso imediato ao coração e aos principais vasos torácicos. Isso possibilita:

  • O controle direto de hemorragias intratorácicas que representam uma ameaça à vida
  • Alivio do tamponamento cardíaco
  • Aplicação de massagem cardíaca direta
  • Clampeamento temporário da aorta torácica descendente
  • Reparação de lesões cardíacas.

Na imagem abaixo é possível visualizar a incisão anterolateral no tórax.

Fonte: Cirurgia torácica do vale, 2023.

Quais as principais indicações para realização de uma toracotomia de emergência?

Os principais objetivos da toracotomia incluem:

  • Aliviar o tamponamento cardíaco.
  • Controlar a hemorragia resultante de lesões nos vasos intratorácicos ou no coração
  • Eliminar o embolismo aéreo grave ou fístula broncopleural
  • Realizar massagem cardíaca direta
  • Temporariamente ocluir a aorta torácica descendente para direcionar o fluxo sanguíneo prioritariamente para o miocárdio e o cérebro
  • Atenuar hemorragias subdiafragmáticas

O propósito dessas ações é realizar uma tentativa de reanimação durante a abordagem inicial de pacientes traumatizados, especialmente aqueles com ferimentos iminentemente fatais que experimentam rápida deterioração hemodinâmica logo após sua chegada à sala de emergência.

Fazer ou não a toracotomia: quando tomar essa decisão?

A indicação da toracotomia de emergência deve ser criteriosa, com o objetivo de minimizar danos aos pacientes. Visto que, muitos deles não se beneficiam do procedimento ou enfrentam danos permanentes, e também de reduzir os custos para o sistema de saúde que presta assistência a esses pacientes.

Assim, a toracotomia não deve ser realizada em pacientes que apresentem lesões com risco de vida em outras regiões, como:

  • Trauma cranioencefálico com lesões graves no cérebro
  • Trauma abdominal com hemorragia profusa
  • Sinais vitais indetectáveis.

Observe o fluxograma a seguir, ele te ajudará na tomada de decisão:

Fluxograma de Tomada de decisão em Trauma Torácico e realização de Toracotomia de Reanimação na sala de Emergência (TSE). Adaptado de Gomez et al.

Como é realizada a toracotomia na emergência?

A Toracotomia de Reanimação (TSE) é normalmente realizada na sala de atendimento da emergência, enquanto se estabelecem as vias aéreas definitivas e os acessos venosos. É essencial seguir uma série de procedimentos preparatórios, incluindo:

  • Antissepsia local
  • Colocação de campos cirúrgicos
  • Equipe devidamente paramentada e pronta para realizar o procedimento, dada a gravidade do estado do paciente.

Estas medidas são cruciais tanto para a proteção do paciente, minimizando o risco de infecções, quanto para a segurança da equipe, uma vez que esse procedimento envolve um alto risco de contaminação pelos agentes presentes no sangue do paciente.

A toracotomia é executada na região anterolateral do tórax, geralmente no quarto ou quinto espaço intercostal esquerdo. Para localizar o ponto correto, é identificado o ângulo de Louis, que é a protuberância externa marcando a junção do manúbrio esternal com o corpo do esterno.

Fonte: researchgate, 2023.

Logo abaixo deste ponto, encontra-se o segundo espaço intercostal. Uma incisão é feita da direção do esterno em direção à axila, com atenção para seccionar todos os planos de forma conjunta. Após liberar a musculatura intercostal e a pleura parietal, as costelas são cuidadosamente afastadas para evitar fraturas.

Estruturas observadas na toracotomia de emergência

Na exposição da cavidade pleural esquerda, várias estruturas podem ser identificadas, incluindo:

  • Saco pericárdico
  • Nervo frênico esquerdo
  • Pulmão esquerdo
  • Hilo pulmonar na região anterior
  • Músculo diafragma na região inferior
  • Esôfago e a aorta descendente na região posterior ao coração.

Ao acessar essas estruturas, é necessário realizar o clampeamento temporário da aorta descendente, uma vez que essa medida melhora a perfusão para o cérebro e o coração.

A passagem de uma sonda nasogástrica pode ser útil para auxiliar na identificação da aorta, já que esta está localizada posteriormente ao esôfago.

Quais são as possíveis complicações do procedimento?

A Toracotomia é um procedimento invasivo de alto risco, e várias complicações podem surgir durante ou após a sua realização:

  • Infecção: pode ocorrer infecção no local da incisão ou infecções respiratórias, especialmente se o paciente já estiver debilitado
  • Hemorragia: a cirurgia envolve o acesso a estruturas vasculares, o que aumenta o risco de sangramento. Hemorragia intraoperatória ou pós-operatória pode ser uma complicação grave
  • Lesões a órgãos e estruturas: durante o procedimento, órgãos e estruturas adjacentes podem ser danificados, como nervos, vasos sanguíneos, pulmões ou músculos
  • Fraturas de costelas: a separação cuidadosa das costelas é necessária para acessar a cavidade torácica, e isso pode resultar em fraturas de costelas.

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Referência bibliográfica

  • Boyd M, Vanek VW, Bourguet CC. Emergency room resuscitative
    thoracotomy: when is it indicated?
    J Trauma. 1992;33(5):714-
    21.
  • Biffl WL, Moore EE, Johnson JL. Emergency Department
    Thoracotomy.
    In: Moore EE, Feliciano DV, Mattox KL, editors.
    Trauma. 5th ed. McGraw-Hill Companies; 2004. p. 239-253
  • Coimbra R. Toracotomia na sala de emergência. In: Souza HP,
    Breigeiron R, Gabiatti G, editores. Cirurgia do Trauma: condutas
    diagnósticas e terapêuticas. 1ª ed. São Paulo: Atheneu; 2003. p.
    119-126.

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