Toracotomia de emergência: aprenda a técnica do procedimento e sinta-se seguro na emergência.
O trauma torácico é uma ocorrência comum entre pacientes traumatizados, e representa uma causa significativa de risco à vida quando não é identificado e tratado de maneira adequada.
A toracotomia de emergência é um procedimento cirúrgico realizado no tórax para tratar lesões graves ou condições médicas que ameaçam a vida e requerem intervenção imediata.
O que é a toracotomia de emergência?
A toracotomia executada na sala de emergência (TSE), é um procedimento de extrema urgência, utilizado como último recurso na tentativa de preservar a vida do paciente.
Esse procedimento envolve a realização de uma incisão anterolateral no tórax, com o objetivo de proporcionar um acesso imediato ao coração e aos principais vasos torácicos. Isso possibilita:
- O controle direto de hemorragias intratorácicas que representam uma ameaça à vida
- Alivio do tamponamento cardíaco
- Aplicação de massagem cardíaca direta
- Clampeamento temporário da aorta torácica descendente
- Reparação de lesões cardíacas.
Na imagem abaixo é possível visualizar a incisão anterolateral no tórax.

Quais as principais indicações para realização de uma toracotomia de emergência?
Os principais objetivos da toracotomia incluem:
- Aliviar o tamponamento cardíaco.
- Controlar a hemorragia resultante de lesões nos vasos intratorácicos ou no coração
- Eliminar o embolismo aéreo grave ou fístula broncopleural
- Realizar massagem cardíaca direta
- Temporariamente ocluir a aorta torácica descendente para direcionar o fluxo sanguíneo prioritariamente para o miocárdio e o cérebro
- Atenuar hemorragias subdiafragmáticas
O propósito dessas ações é realizar uma tentativa de reanimação durante a abordagem inicial de pacientes traumatizados, especialmente aqueles com ferimentos iminentemente fatais que experimentam rápida deterioração hemodinâmica logo após sua chegada à sala de emergência.
Fazer ou não a toracotomia: quando tomar essa decisão?
A indicação da toracotomia de emergência deve ser criteriosa, com o objetivo de minimizar danos aos pacientes. Visto que, muitos deles não se beneficiam do procedimento ou enfrentam danos permanentes, e também de reduzir os custos para o sistema de saúde que presta assistência a esses pacientes.
Assim, a toracotomia não deve ser realizada em pacientes que apresentem lesões com risco de vida em outras regiões, como:
- Trauma cranioencefálico com lesões graves no cérebro
- Trauma abdominal com hemorragia profusa
- Sinais vitais indetectáveis.
Observe o fluxograma a seguir, ele te ajudará na tomada de decisão:

Como é realizada a toracotomia na emergência?
A Toracotomia de Reanimação (TSE) é normalmente realizada na sala de atendimento da emergência, enquanto se estabelecem as vias aéreas definitivas e os acessos venosos. É essencial seguir uma série de procedimentos preparatórios, incluindo:
- Antissepsia local
- Colocação de campos cirúrgicos
- Equipe devidamente paramentada e pronta para realizar o procedimento, dada a gravidade do estado do paciente.
Estas medidas são cruciais tanto para a proteção do paciente, minimizando o risco de infecções, quanto para a segurança da equipe, uma vez que esse procedimento envolve um alto risco de contaminação pelos agentes presentes no sangue do paciente.
A toracotomia é executada na região anterolateral do tórax, geralmente no quarto ou quinto espaço intercostal esquerdo. Para localizar o ponto correto, é identificado o ângulo de Louis, que é a protuberância externa marcando a junção do manúbrio esternal com o corpo do esterno.

Logo abaixo deste ponto, encontra-se o segundo espaço intercostal. Uma incisão é feita da direção do esterno em direção à axila, com atenção para seccionar todos os planos de forma conjunta. Após liberar a musculatura intercostal e a pleura parietal, as costelas são cuidadosamente afastadas para evitar fraturas.
Estruturas observadas na toracotomia de emergência
Na exposição da cavidade pleural esquerda, várias estruturas podem ser identificadas, incluindo:
- Saco pericárdico
- Nervo frênico esquerdo
- Pulmão esquerdo
- Hilo pulmonar na região anterior
- Músculo diafragma na região inferior
- Esôfago e a aorta descendente na região posterior ao coração.
Ao acessar essas estruturas, é necessário realizar o clampeamento temporário da aorta descendente, uma vez que essa medida melhora a perfusão para o cérebro e o coração.
A passagem de uma sonda nasogástrica pode ser útil para auxiliar na identificação da aorta, já que esta está localizada posteriormente ao esôfago.
Quais são as possíveis complicações do procedimento?
A Toracotomia é um procedimento invasivo de alto risco, e várias complicações podem surgir durante ou após a sua realização:
- Infecção: pode ocorrer infecção no local da incisão ou infecções respiratórias, especialmente se o paciente já estiver debilitado
- Hemorragia: a cirurgia envolve o acesso a estruturas vasculares, o que aumenta o risco de sangramento. Hemorragia intraoperatória ou pós-operatória pode ser uma complicação grave
- Lesões a órgãos e estruturas: durante o procedimento, órgãos e estruturas adjacentes podem ser danificados, como nervos, vasos sanguíneos, pulmões ou músculos
- Fraturas de costelas: a separação cuidadosa das costelas é necessária para acessar a cavidade torácica, e isso pode resultar em fraturas de costelas.
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