1.1 Epidemiologia do câncer
O
câncer é um grande desafio para a sociedade, devido a sua incidência mundial e
a sua heterogeneidade de apresentação, fato que dificulta o tratamento e a
cura. Segundo o panorama da Agência Internacional
para Pesquisa em Câncer (IARC), em 2018, eram estimados cerca de 18 milhões de
novos casos. Para entender essa complexa patologia, é preciso ter em
mente que ela é resultado do acúmulo de mutações, que em certo momento,
conseguem escapar ao controle do sistema imunológico do indivíduo originando o
tumor, o qual apresenta a capacidade de manter a proliferação celular, além de
inibir os supressores de crescimento, resistir à morte celular programada,
aumentar a angiogênese local, bem como é capaz de realizar metástase, características
que formam os “hallmarks” do câncer demonstrados na figura 1.
FIGURA 1

https://www.cell.com/fulltext/S0092-8674(11)00127-9
Nesse contexto, o câncer de mama merece elevada atenção, visto que
este se encontra em segundo lugar no ranking de causas de morte por neoplasia
no mundo, com porcentagem equivalente a 11,6% do total. Somente no Brasil, são
esperados cerca de 60 mil novos casos dessa doença para o biênio 2018-2019,
segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Além
disso, são fatores de risco conhecidos para a mulher, a idade acima dos 35 anos,
hábitos de vida como o tabagismo, sobrepeso, fatores hormonais e exposição à
radiação ionizante.
1.2 TNM-8
De
forma a auxiliar a terapêutica do câncer de mama, utiliza-se um sistema de
estadiamento denominado Tumor-Nódulo-Metástase (TNM), pelo qual avalia-se o
tamanho do tumor primário (T), presença ou não de linfonodos acometidos (N) e
presença ou ausência de metástase (M). A partir de 2018, passou a chamar-se
TNM-8, atualização realizada pela American Joint Committee on Cancer (AJCC) ao
incorporar a análise prognóstica dessa neoplasia, a fim de particularizar ainda
mais o tratamento. Também fazem parte da configuração atual, portanto, o grau tumoral (dividido em graus I, II e III, conforme
o nível de diferenciação celular), análise de expressão do receptor
do fator de crescimento epidermal humano 2 (HER2) e dos receptores hormonais de estrogênio e de progesterona, além da inclusão
dos testes genômicos como o Oncotype
Dx e o Mammaprint Dx.
1.3 Prognóstico e tratamento do câncer de mama
Cerca de 80% das pacientes diagnosticadas com
esse tipo de neoplasia possuem tumores que expressam receptores hormonais para
estrógeno e/ou progesterona. Essa característica é um fator de bom prognóstico,
uma vez que esse tipo tumoral apresenta boa resposta terapêutica frente ao
tratamento hormonal. Têm boa resposta, também, os tumores que apresentam
expressão de receptores HER2, uma vez que podem ser combatidos com anticorpo
monoclonal como o Trastuzumab. Por outro lado, pacientes com tumores que não
apresentam a expressão de nenhum desses receptores, os chamados triplo
negativos, além de terem características mais agressivas, não possuem
tratamento quimio ou radioterápico especializado. Juntamente a isso, avalia-se o
índice de proliferação tumoral (Ki67), expresso ciclicamente nas
células durante as fases da mitose, estando ausente no período G0, quanto maior a porcentagem do
Ki67, mais a célula tumoral prolifera e, desse modo, pior é o prognóstico da
paciente. O conjunto desses
fatores forma a classificação molecular do câncer de mama, sendo a mais atual a
de 2017, proposta na 15th St. Gallen
International Breast Cancer Consensus Conference (tabela 1).
TABELA 1

Para mais informações sobre diagnóstico e
terapêutica, acesse: https://www.nccn.org/.
Letícia Madureira Pacholak
Biomédica, mestre em Ciências Aplicadas à
Saúde, estudante de Medicina da Unioeste e apaixonada por oncologia.
Redes sociais: @lee.pacholak e @vem.residencia