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Tireoidites: o que são e quais as principais?

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As tireoidites consistem em uma variedade de doenças correlatas caracterizadas por um processo inflamatório ou infeccioso da tireoide.

Geralmente são classificadas, de acordo com a evolução clínica, em tireoidites agudas, subagudas e crônicas.

Na tireoidite ocorre a destruição das células tireoidianas, o que pode provocar a liberação de hormônios da tireoide na circulação, e corresponde a cerca de 10 % dos casos de tireotoxicose.

A Tireoide: revisando a anatomia

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta (com dois lobos), que fica localizada na parte anterior pescoço, logo abaixo da região conhecida como pomo de Adão.

É uma das maiores glândulas do corpo humano e tem um peso aproximado de 15 a 25 gramas (no adulto).

Quais as funções da tireoide?

Ela age na função de órgãos importantes como o coração, cérebro, fígado e rins. Interfere, também:

  • No crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes
  • Na regulação dos ciclos menstruais
  • Fertilidade
  • Peso
  • Memória
  • Concentração
  • Humor
  • Controle emocional.

É fundamental estar em perfeito estado de funcionamento para garantir o equilíbrio e a harmonia do organismo. Além disso, o órgão é responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam em todos os sistemas do nosso organismo.

Histologia da tireoide: o que preciso saber?

A unidade funcional básica da tireoide é o folículo tireoidiano, uma estrutura esférica composta por células foliculares epiteliais que envolvem uma substância gelatinosa conhecida como coloide. Essas células, ricamente vascularizadas, sintetizam e secretam os hormônios tireoidianos:

  • Tiroxina (T4)
  • Triiodotironina (T3).

A tireoglobulina, uma proteína fundamental na produção hormonal, é armazenada dentro do coloide. Quando estimuladas pelo hormônio estimulante da tireoide (TSH) da hipófise, as células foliculares liberam enzimas. Essas enzimas catalisam a liberação dos hormônios tireoidianos, que são então absorvidos pela corrente sanguínea.

O paratireóide, são estruturas geralmente localizadas na superfície da tireoide. É responsável pela produção do hormônio paratormônio (PTH), que regula o cálcio no organismo. É interessante notar que, embora estejam próximas, a tireoide e as paratireoides são glândulas distintas com funções independentes.

Imagem que ilustra o Aspecto histológico da tireoide.
Imagem: Aspecto histológico da tireoide. Fonte: retirado de www.anatpat.unicamp.br

Quando a tireoide não está funcionando adequadamente pode liberar hormônios em excesso (hipertireoidismo) ou em quantidade insuficiente (hipotireoidismo).

O que é o hipotireoidismo?

A menor produção de hormônio tireoidiano, de acordo com a exigência do corpo, é chamada de hipotireoidismo.

O diagnóstico é feito a partir da análise dos níveis de TSH no sangue e são solicitados a verificar seus níveis de T3 e T4. No caso de hipotireoidismo, o nível de T3 e T4 deve ser menor que o normal.

O tratamento varia de pessoa para pessoa. Geralmente controla-se o hipotireoidismo pelo uso de um hormônio tireoidiano sintético ou pela administração de suplementos adequados de iodo.

Hipertireoidismo

Chama-se a superprodução de hormônios da tireoide de hipertireoidismo, também chamada de tireoide hiperativa ou tireotoxicose. Assim, quando há um “fluxo” de uma quantidade excessiva de hormônios que leva a inflamação das glândulas tireoides, temos uma tireoidite subaguda.

Nesta doença, a tireoide fica edemaciada e às vezes até os olhos, devido ao excesso de atividade da glândula tireoide que libera uma quantidade excessiva de hormônio na corrente sanguínea.

SAIBA MAIS: A teoria mais aceita para explicar a associação entre oftalmopatia e hipertireoidismo é a possível reação cruzada de linfócitos T sensibilizados e/ou anticorpos contra antígenos comuns a tireoide e a órbita.

Assim, faz-se o diagnóstico a partir da análise dos níveis de TSH (hormônio tireoestimulante) no sangue e níveis de T3 e T4. No caso de hipertireoidismo, o nível de T3 e T4 deve ser mais alto que o normal.

Complicações graves: tireotoxicose

Em doentes idosos, podem ocorrer complicações ainda mais graves, como a “crise tireotóxica (tempestade tireoidiana)”, que resulta no aumento da frequência cardíaca (taquicardia).

Assim, a tireotoxicose é a síndrome clínica decorrente do excesso de hormônios tireoidianos circulantes, secundário ao hipertireoidismo ou não. Portanto, diferentemente da tireotoxicose, o hipertireoidismo caracteriza-se pelo aumento da síntese e liberação dos hormônios tireoidianos pela própria glândula tireoide.

Tireoidite aguda (supurativa, piogênica ou bacteriana)

A tireoidite aguda, também conhecida como tireoidite supurativa, piogênica ou bacteriana, é uma inflamação aguda e infecciosa da glândula tireoide. Apesar de ser uma condição relativamente rara, quando ocorre, pode resultar em sintomas intensos e exigir intervenção médica imediata.

Esta forma específica de tireoidite geralmente tem como causa uma infecção bacteriana. Sendo a bactéria Staphylococcus aureus a mais comumente associada. Além disso, a infecção pode ocorrer através da disseminação hematogênica; isso ocorre a partir de focos infecciosos em outras partes do corpo ou por contiguidade, quando há uma infecção próxima à tireoide.

Assim, os sintomas característicos da tireoidite aguda incluem dor súbita e intensa na região da tireoide; essa dor, muitas vezes, irradia para a mandíbula ou o ouvido. A glândula tireoide geralmente fica aumentada, quente ao toque e pode haver vermelhidão na pele sobre a área afetada. Febre, mal-estar, e sintomas sistêmicos também são comuns.

Etiologia

Em crianças e adultos jovens, a causa mais comum é a presença de um seio piriforme, o qual representa um resíduo da quarta bolsa branquial que conecta a orofaringe com a tireoide. Esses seios estão localizados predominantemente no lado esquerdo. Um bócio de longa duração e a degeneração em malignidade tireoidiana são fatores de risco nos idosos.

Outras etiologias documentadas, mas menos frequentes, são referentes a tratamentos e uso de medicamentos, como uma tireoidite actínica após tratamento com Iodo 131 e o uso de amiodarona. Nesse último caso, a tireoidite pode se enquadrar como subaguda, bem como crônica.

Imagem tabela sobre as Etiologias da tireoidite aguda supurativa.

Diagnóstico

O diagnóstico da tireoidite aguda baseia-se na:

  • Apresentação clínica
  • Exame físico
  • Marcadores inflamatórios elevados no sangue, bem como aspiração de pus da tireoide para identificação da bactéria responsável.

Além disso, a imagem por ultrassonografia pode auxiliar na visualização das características da glândula e na identificação de abscessos.

Tratamento

O tratamento da tireoidite aguda geralmente requer antibioticoterapia de amplo espectro para combater a infecção bacteriana subjacente.

Portanto, em alguns casos, especialmente quando há formação de abscesso, pode ser necessário realizar a drenagem cirúrgica do pus. A gestão da dor e dos sintomas sistêmicos também é parte integrante do cuidado.

Veja também:

Como tireoide é cobrado nas provas?

Veja como essas questões caem nas provas!

  1. Explique o papel dos hormônios tireoidianos (T3 e T4) na regulação do metabolismo e como eles exercem seus efeitos nos tecidos-alvo.
  2. Quais são as principais causas de hipotireoidismo e hipertireoidismo? Descreva os mecanismos fisiopatológicos subjacentes a cada condição.
  3. Paciente diagnosticado com hipertireoidismo. Descreva as opções de tratamento disponíveis, medicamentos, bem como terapia com iodo radioativo e cirurgia. Quais são as considerações ao escolher entre essas opções?

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Referências bibliográficas

  • HARRISON. Medicina Interna, Mc Graw Hill, 19ª ed, 2016.
  • Greenspan’s Basic e Clinical Endocrinology – 10ª edition.

Sugestão de leitura complementar

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