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Tinea corporis: o que é, como identificar os sintomas e tratar infecções fúngicas

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A tinea corporis, conhecida popularmente como micose, é uma infecção superficial da pele causada por dermatófitos, exceto quando afeta regiões específicas como mãos (tinea manuum), pés (tinea pedis), couro cabeludo (tinea capitis), barba (tinea barbae), rosto (tinea faciei), virilha (tinea cruris) e unhas (onicomicose ou tinea unguium).

Essa infecção é geralmente provocada por fungos dos gêneros Trichophyton (que afeta pele, cabelo e unhas), Microsporum (que acomete pele e cabelo) e Epidermophyton (que compromete pele e unhas).

Devido à alta prevalência da tinea corporis e à semelhança com outras lesões cutâneas anulares, é essencial que os médicos conheçam bem sua causa e abordagem terapêutica.

O que é a tinea corporis

Como já mencionado, a tinea corporis é uma infecção dermatofítica que afeta a pele do tronco e das extremidades, excluindo as regiões das palmas das mãos, plantas dos pés, virilha, rosto, couro cabeludo ou barba.

É a infecção fúngica cutânea mais comum e, embora ocorra globalmente, é mais prevalente em regiões tropicais. Estima-se que o risco de desenvolver essa infecção ao longo da vida é estimado entre 10% e 20%. Ela afeta principalmente crianças após a puberdade e adultos jovens, sendo rara no período neonatal. Além disso, a distribuição entre os sexos é semelhante.

A tinea corporis é geralmente causada pelos fungos Trichophyton rubrum, T. tonsurans e Microsporum canis. Dentre eles, T. rubrum é o principal agente etiológico das dermatofitoses em nível global e a causa mais frequente da tinea corporis na América do Norte.

Como a infecção se desenvolve

Adquire-se a infecção pelo contato direto com indivíduos ou animais contaminados (especialmente cães e gatos), além de fômites ou solo infectado. Também pode resultar da disseminação de um foco primário de infecção por dermatófitos, como tinea capitis, tinea pedis ou onicomicose.

A transmissão dentro da mesma família é a mais frequente e a autoinfecção para outras áreas do corpo é possível. Além disso, ambientes quentes e úmidos, o uso compartilhado de roupas e toalhas e roupas oclusivas, favorecem a propagação do fungo.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Histórico pessoal de dermatofitoses (como tinea capitis, tinea pedis e tinea unguium);
  • Presença de familiares infectados;
  • Convivência com animais de estimação;
  • Alta densidade populacional no domicílio;
  • Exposição a esportes de contato (como luta e artes marciais);
  • Hiperidrose;
  • Imunodeficiência;
  • Diabetes;
  • Predisposição genética.

Com relação a patogênese, as estruturas nas paredes celulares de certos dermatófitos possuem propriedades que inibem a resposta imunológica, o que permite que o fungo permaneça na pele sem ser eliminado até que consiga invadir as camadas mais profundas. O fungo pode, ainda, produzir proteases, serina-subtilisinas e queratinases, facilitando a invasão da camada córnea da pele e sua propagação.

Ademais, a infecção costuma ser superficial, restrita às camadas externas e não vivas da pele, e o fungo não consegue alcançar tecidos mais profundos em hospedeiros imunocompetentes saudáveis devido aos mecanismos de defesa do hospedeiro.

Sintomas da tinea corporis

A lesão geralmente começa como uma mancha avermelhada, bem delimitada, circunscrita, oval ou circular, com descamação e bordas elevadas. Além disso, seu crescimento ocorre de maneira centrífuga, com uma tendência ao clareamento no centro. A região central torna-se mais clara ou marrom e apresenta menos escamas à medida que a borda ativa se expande para fora. A borda geralmente tem forma anular e é irregular, mas às vezes pode ser papular, vesicular ou pustular.

Placa circular no braço esquerdo, eritematosa e com descamação, apresentando bordas elevadas, sugestiva de tinea corporis.

As lesões distribuem-se de forma assimétrica e podem associar-se a prurido leve. À medida que o número de lesões aumenta e elas se agrupam, elas formam um padrão em forma de círculo.

Quanto aos locais de acometimento, em adultos, a tinea corporis localiza-se mais frequentemente em áreas da pele expostas, enquanto em crianças e adolescentes, o tronco é a região mais acometida.

A tinea corporis possui diversas variantes clínicas, incluindo:

  • Tinea imbricata, que manifesta-se por lesões anulares eritematosas e escamosas dispostas em padrões concêntricos, que podem se unir formando placas policíclicas. Com o tempo, essas placas se tornam espessas e sobrepostas, adquirindo um aspecto lamelar semelhante a telhas ou escamas de peixe.
  • Granuloma de Majocchi, uma foliculite granulomatosa que ocorre quando o fungo penetra pelos folículos pilosos e atinge camadas mais profundas da pele, causando inflamação.
  • Tinea corporis bolhosa, uma variante menos comum, que caracteriza-se pelo surgimento de vesículas ou bolhas ao redor das bordas de uma lesão escamosa e eritematosa.
  • Infecção cutânea disseminada ou abscesso profundo, que normalmente manifesta-se em indivíduos com comprometimento imunológico.

Diagnóstico da tinea corporis

O diagnóstico de tinea corporis geralmente é clínico, especialmente quando a lesão apresenta características típicas, como uma placa escamosa, eritematosa, anular, bem delimitada, com bordas elevadas e escamação e clareamento no centro.

Entretanto, às vezes, o diagnóstico pode ser mais complexo devido ao uso anterior de medicamentos, como inibidores de calcineurina ou corticosteroides. Nesses casos, a dermatoscopia é uma ferramenta útil e não invasiva para o diagnóstico.

Os achados dermatoscópicos típicos incluem:

  • Eritema difuso;
  • Vasos pontilhados com distribuição periférica irregular;
  • Escamas brancas nas bordas;
  • Escamação com aparência de “comida por traças;
  • Manchas marrons com halo branco-amarelo;
  • Micropústulas foliculares
  • Cabelos ondulados e quebrados.

Principais exames utilizados

A microscopia confocal de reflectância é outra ferramenta diagnóstica valiosa, permitindo a visualização de hifas fúngicas ramificadas sobre uma lesão escamosa e eritematosa. O exame com lâmpada de Wood, por sua vez, não é útil, pois as lesões de tinea corporis geralmente não apresentam fluorescência.

Caso necessário, confirma-se o diagnóstico através do exame microscópico de raspados de pele da borda ativa da lesão, utilizando uma preparação de hidróxido de potássio (KOH) em montagem úmida. Para isso, os raspados devem ser coletados em papel preto esterilizado, a fim de evitar o crescimento bacteriano. Em seguida, adiciona-se uma gota de KOH a 10-20% sobre os raspados em uma lâmina de microscópio, sendo o espécime aquecido para acelerar a destruição do tecido epitelial. O KOH dissolve as células escamosas, deixando hifas septadas visíveis.

Análise microscópica de amostras de raspado de pele tratadas com KOH a 10%, apresentando abundância de hifas fúngicas ramificadas.

Considera-se a cultura fúngica o método padrão para diagnosticar dermatofitose, especialmente quando o diagnóstico é incerto ou outros exames não são conclusivos, ou ainda em casos de infecção disseminada, grave ou resistente ao tratamento. Além disso, também utiliza-se a cultura fúngica para identificar a espécie do fungo. Entretanto, a cultura é um procedimento caro e demora entre 7 a 14 dias para apresentar resultados, podendo chegar a até 4 semanas para algumas espécies.

Por fim, se os resultados forem inconclusivos, utiliza-se métodos como a reação em cadeia da polimerase (PCR) para DNA fúngico ou o polimorfismo de comprimento de fragmento de restrição (RFLP-PCR) para a identificação dos fungos, especialmente em contextos acadêmicos e de pesquisa.

Tratamento da tinea corporis

Em geral, o tratamento inicial da tinea corporis consiste no uso de antifúngicos tópicos, que devem ser aplicados diretamente na lesão e em uma área de 2 centímetros ao redor da mesma, sobre a pele sem sinais de infecção.

Para isso, utiliza-se antifúngicos tópicos como miconazol, clotrimazol, itraconazol, terbinafina ou ciclopirox olamina duas vezes ao dia, por um período de 1 a 3 semanas. A duração do tratamento pode variar dependendo da resposta clínica, sendo mantido até a resolução da infecção.

A nistatina tópica, por sua vez, não é eficaz no tratamento de dermatofitoses e, portanto, deve ser evitada.

Ademais, em casos de lesões muito extensas ou quando o tratamento tópico não apresenta sucesso, pode-se optar por antifúngicos sistêmicos, sendo os antifúngicos orais preferenciais a terbinafina e o itraconazol. Todavia, se esses não forem viáveis, o fluconazol e a griseofulvina são alternativas de segunda linha, porém requerem um tempo de uso mais longo e apresentam menores chances de sucesso.

Por fim, evita-se o cetoconazol sistêmico no tratamento de dermatofitoses, pois seu risco não se justifica em relação aos benefícios.

Medidas não farmacológicas

Como os fungos prosperam em condições de calor e umidade, recomenda-se que os pacientes utilizem roupas arejadas e folgadas. Além disso, é essencial manter a pele sempre limpa e bem seca.

Complicações da tinea corporis

A tinea corporis é uma infecção contagiosa que pode impactar a saúde psicológica, social e ocupacional dos indivíduos afetados.

Além disso, a infecção pode levar a complicações, como superinfecção bacteriana secundária, geralmente causada por arranhões e lesões na pele. Alterações na pigmentação, incluindo hipopigmentação e hiperpigmentação pós-inflamatórias, também podem ocorrer.

Outra possível consequência é a reação dermatofítica, também chamada de reação id, autoeczematização ou eczema disseminado. Essa condição consiste em uma erupção dermatítica secundária, que pode surgir após o início do tratamento antifúngico sistêmico. Os pacientes acometidos costumam apresentar lesões pruriginosas, como pápulas, maculopápulas, papulovesículas ou pústulas eritematosas e descamativas. Acredita-se que essa reação seja resultado de uma resposta imunológica ao antígeno fúngico, possivelmente um mecanismo de hipersensibilidade do tipo IV.

Prevenção e prognóstico da tinea corporis

As principais medidas de prevenção contra a tinea corporis consiste em evitar contato direto ou o uso compartilhado de objetos pessoais, como roupas e fômites, com uma pessoa infectada.

No que se refere ao prognóstico, com o tratamento adequado e a adesão do paciente, a tinea corporis localizada tem uma ótima perspectiva de cura. No entanto, a infecção pode retornar se a terapia for interrompida precocemente, antes da completa eliminação dos fungos. Além disso, há risco de reinfecção caso ainda existam focos da doença em outras áreas do corpo, como o couro cabeludo (tinea capitis), os pés (tinea pedis) ou as unhas (onicomicose).

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