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Tétano acidental | Colunistas

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Trata-se de uma doença infecciosa, não contagiosa, causada pela ação de exotoxinas da bactéria Clostridium tetani sobre as células do Sistema Nervoso Central (SNC), provocando um estado de hiperexcitabilidade dessas células. A doença caracteriza-se por contraturas da musculatura estriada, podendo ser generalizada ou não, a qual é permanente e que tende a se intensificar.

O Clostridium tetani, agente etiológico do tétano, é um bacilo gram-positivo, anaeróbio e esporulado e, quando presente em situações ambientais favoráveis, germina e assume a forma vegetativa, filamentosa. A capacidade de produção da toxina tetânica varia, tanto com a cepa de C. tetani, quanto com o meio de cultura. Essa bactéria é comumente encontrada na natureza em sua forma de esporos, em locais como terra, areia, plantas e materiais enferrujados.

O período de incubação do patógeno, varia de 1 dia a alguns meses, no geral, ocorre de 3 a 21 dias. O prognóstico está intimamente relacionado com o tempo de incubação, quanto menor ele for, maior é a gravidade e pior o prognóstico.

Em um período de 7 anos, compreendidos entre 2013 e 2020, foram registrados no Brasil 1.903 casos de tétano acidental, sendo a maior prevalência na Região Nordeste com 586 casos (31%) e a menor na Região Centro-Oeste com 214 casos (11%). Destes, cerca de 70% concentram-se na faixa etária entre 30 e 69 anos de idade. A letalidade mantém-se acima de 30%, sendo mais representativa na população idosa. Em 2018, 2019 e 2020 a letalidade foi de 40%, 30% e 36%, respectivamente, sendo considerada elevada, quando comparada com os países desenvolvidos, onde se apresenta entre 10 a 17%.

Diagnóstico

O diagnóstico do tétano é eminentemente clínico, em conjunto com os elementos epidemiológicos, os quais referem-se ao tipo de ferimento e à área geográfica em que ocorreu. O tétano não depende de apoio laboratorial para ser diagnosticado.

Diagnóstico Diferencial

Deve-se levar em consideração, alguns diagnósticos diferenciais, tais como: meningites, raiva, intoxicação por estricnina, intoxicação por neurolépticos, intoxicação por metoclopramida, processos inflamatórios da boca e da faringe, acompanhados de trismos. 

Quadro Clínico

A sintomatologia pode ser dividida conforme a ordem cronológica em que aparecem: tétano local, sintomas premonitórios, contratura permanente e espasmos paroxísticos (convulsões).

Não é comum que o paciente consiga identificar o tétano local, uma vez que pode ser referido como rigidez ou espasmos dos músculos da região do ferimento. Os sintomas prodrômicos podem ser relatados como irritabilidade e dores nas costas e nos membros.

Frequentemente, há uma hipertonia generalizada, com predomínio nos músculos da metade superior do corpo, membros inferiores e abdome. Quando a hipertonia afeta alguns grupos musculares, confere algumas características singulares da doença, sendo elas: trismo, “riso sardônico”, opistótono, abdome em tábua e rigidez de nuca.

As convulsões são violentas exacerbações paroxísticas da hipertonia, determinadas por diversos estímulos. Esses espasmos levam o paciente a um quadro de asfixia, seguido de cianose e parada da respiração.

Complicações

A atenção é direcionada ao aparelho respiratório, ao qual são atribuídos sintomas de insuficiência cardíaca. No eletrocardiograma (ECG), verifica-se anormalidades, em geral, relacionadas à ação da toxina tetânica e da hipóxia que acomete o miocárdio, como hipertensão, taquicardia, instabilidade vasomotora e até parada cardíaca. 

Por vezes, os pacientes podem apresentar infecções secundárias, fraturas de vértebras, hemorragias digestivas e intracranianas, edema cerebral, flebite e embolia pulmonar.

Tratamento

Os princípios básicos consistem em sedar o paciente, neutralizar a toxina tetânica, erradicar o patógeno, debridamento do foco infeccioso, além de medidas gerais de suporte. Os casos mais graves, preferencialmente, precisam ser internados em unidade de terapia intensiva, a fim de controlar complicações respiratórias, infecciosas, circulatórias, metabólicas, que possam levar o paciente ao óbito.

Para neutralizar o C. tetani utiliza-se a Imunoglobulina Humana Antitetânica (IGHAT) e, em caso de indisponibilidade da imunoglobulina, usa-se o Soro Antitetânico (SAT). Para a erradicação da bactéria, utilizar antibióticos como Penicilina G Cristalina ou Metronidazol, além de proceder com debridamento e limpeza dos focos suspeitos. Para sedar o paciente, pode-se lançar mão de sedativos benzodiazepínicos e miorrelaxantes, como diazepam, clorpromazina, midazolam.

Há indicação de fisioterapia para o relaxamento muscular pelo calor e reeducação passiva, quando persistir a hipertonia residual, desde que não esteja presente os espasmos paroxísticos. Para os pacientes que apresentarem fraturas vertebrais, se faz necessário o acompanhamento ortopédico, para que se corrija ou melhore os sintomas decorrentes da fratura.

Vigilância Epidemiológica

Tem por finalidade monitorar a situação epidemiológica do tétano acidental no território nacional, além de reduzir a incidência de casos, avaliar o sistema de vigilância epidemiológica, produzir e disseminar as informações acerca da doença.

O tétano está no grupo de doenças que são de notificação compulsória.

Define-se como caso suspeito, todo aquele em que o paciente apresenta, por mais de 28 dias, sinais e sintomas como: disfagia, trismo, opistótono, contraturas musculares localizadas ou generalizadas, independente da situação vacinal. Já o caso confirmado é aquele em que os sinais e sintomas não se justifiquem por outras etiologias e o paciente apresente trismos, riso sardônico, abdome em tábua, opistótono, rigidez de nuca, também independente da situação vacinal. Além disso, a lucidez do paciente reforça o diagnóstico.

Medidas de Controle

  • Vacinação: manter alta cobertura vacinal dentre a população de risco (mal perfurante plantar em razão de Hanseníase, trabalhadores de risco, como agricultores, operários da construção civil e da indústria).
  • Esquema Vacinal: vacina Tetravalente (difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae tipo B) para aqueles menores de 12 anos e após essa faixa etária utiliza-se a DTP e dT.

Referências

Tétano Acidental – Português (Brasil).                    https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/tetano-acidental#:~:text=Em%202018%2C%202019%20e%202020,apresenta%20entre%2010%20a%2017%25. Acessado 21 de dezembro de 2021.

Penna, Gerson Oliveira, et al. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, 2010.

Veronesi: tratado de infectologia / editor científico Roberto Focaccia. — 5. ed. rev. e atual. — São Paulo : Editora Atheneu, 2015. Obra em 2 vol. Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-85-388-0648-6

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