Por Profª Drª Andreza Martins @professoraandrezina
A pandemia do COVID-19 trouxe muitos desafios para os sistemas de saúde e, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o melhor caminho para vencer a doença era testar o maior número possível de pessoas, diversas dúvidas surgiram com relação aos diferentes tipos de exames disponíveis no mercado.
Existe
atualmente no mercado uma série de testes disponíveis para diagnóstico da
COVID-19. Por conta disso, muitos questionamentos podem surgir: Qual teste
seria mais adequado? Qual a precisão de cada um? Quais os significados dos
termos técnicos utilizados.
O Brasil
tem cerca de 59 testes registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) e hoje, há três tipos
de testes laboratoriais que podem ser realizados com tecnologias diferentes,
ajudando a tornar mais preciso o panorama da doença.
QUAIS SÃO OS
TESTES UTILIZADOS PARA O DIAGNÓSTICO DO COVID-19, ELES SÃO TODOS IGUAIS?
A reposta é não. Há três metodologias que podem
ser utilizadas: o método molecular da RT-PCR (transcrição reversa seguida da reação
da polimerase em cadeia), onde é coletado material nasal e da orofaringe do
paciente para a detecção do RNA do vírus (material genético) e os testes
rápidos, que podem detectar anticorpos ou os antígenos do vírus (proteínas).
A principal
diferença entre eles, além da tecnologia e método, está no momento de detecção.
O PCR pode diagnosticar precocemente a doença, porque já aponta a presença do
vírus no início dos sintomas. Já os testes para detecção de anticorpos ou
antígenos são os indicado para estágios mais avançados da doença.
O tempo de demora
para o resultado também variar também de acordo com o exame, devido justamente
à estrutura laboratorial disponível. O teste de PCR envolve procedimentos que
podem levar horas, dependendo do instrumento e do procedimento realizado. Já com
os testes rápidos os resultados saem em poucos minutos. Apesar do teste
molecular demorar mais, é considerado como o mais preciso. A OMS indica como
definidor para diagnóstico.
Outra diferença
está no tipo de material a ser utilizado. Existem testes que usam material
coletado do nariz e nasofaringe, aqueles que usam sangue total e aqueles que
usam o plasma. Cada fabricante determina o tipo de amostra.
Nos testes moleculares normalmente se usa o material coletado da nasofaringe e orofaringe, enquanto os testes rápido usam sangue total ou plasma.

UÉ, O TESTE
RÁPIDO, POR SER MAIS RÁPIDO NÃO É O MELHOR?
Depende de quando e em quais circunstâncias forem
utilizados. O fato de cientistas
ainda não saberem ao certo o tempo decorrido entre a infecção pelo COVID-19 e a
produção de anticorpos pelo organismo, torna os testes rápidos mais sujeitos a
terem resultados falso-negativos (quando a doença não aparece em uma pessoa
infectada) ou falso-positivos. Esse nível de confiabilidade, claro, varia de
acordo com o tipo de teste.
AFINAL, QUANDO UTILIZAR CADA UM DOS TESTES?
A OMS apontou o RT-PCR (exame molecular capaz
de identificar o RNA do vírus) pacientes, como o exame mais apropriado para o
diagnóstico da COVID-19 na fase AGUDA
da doença, ou seja, quando a pessoa já apresenta sintomas ou confirma ter tido
contato com alguma pessoa infectada.
É o teste padrão para a Covid-19 no país e no mundo,
dificilmente apresenta falsos negativos. O nível de sensibilidade é
extremamente eficaz, podendo detectar a infecção em mínimas quantidades de
material genético do vírus, isto é, quando a carga viral do paciente é baixa.
O Ministério da Saúde recomenda que o teste seja
coletado entre
o 3º e 7º dias de sintomas, preferencialmente, quando a carga
viral é maior, podendo ser coletado até o 10º dia.
Mas lembrando que esse exame é de alta
complexidade, e devido à alta demanda, os insumos para sua realização estão
escassos, o que enfatiza a necessidade do uso racional deste procedimento.
O teste rápido que detecta anticorpos (se assemelha
ao exame de gravidez disponível nas farmácias), utiliza a metodologia
chamada imunocromatografia (geração de cor a partir de uma
reação entre o antígeno e o anticorpo) – não atua na identificação do RNA do vírus,
mas na detecção de anticorpos. Mas ele não é rápido? A questão não é essa, o
ponto crucial nisso tudo é que o sistema imunológico se comporta de forma
diferente em cada pessoa, pois produzimos anticorpos em ritmos diferenciados.
Por exemplo, o anticorpo IgM (imunoglobulina
M), produzido na fase aguda da
infecção, pode demorar até 10 dias para constar nas
amostras sanguíneas. Isso mostra que se o exame for realizado logo que os
sintomas surgem, o resultado será negativo, mesmo que a pessoa esteja
infectada, gerando uma falsa sensação de segurança. O outro anticorpo que pode
ser detectado, IgG (imunoglobulina G), que também surge na
fase aguda, que serve para proteger a pessoa de futuras infecções, permanecendo
por toda a vida, normalmente aparece após o
14º dia do início dos sintomas, dessa forma, não seria indicado para indivíduos
que foram testados assim que apareceram os sintomas, por isso que para a fase
aguda contamos com o RT-PCR e, para a fase tardia, os exames de anticorpos,
entendeu?
Os testes rápidos de IgG e
IgM são indicados para pessoas com sintomas suspeitos de Covid-19, com início
há pelo menos 8 dias, trabalhadores afastados por suspeita de coronavírus, que
iniciaram sintomas há 8 dias e já estão assintomáticos a pelo menos 72 horas. E
finalmente para indivíduos assintomáticos que tiveram contato próximo com
pessoas diagnosticadas ou suspeitas, há pelo menos 20 dias.
Agora, não confunda teste
rápido que detecta anticorpos, com teste rápido que detecta antígeno. Este segundo capta fragmentos de proteínas do vírus em
amostras coletadas e podem ser feitos
em pacientes que iniciam os primeiros sintomas.
Um resultado reagente indica presença do COVID-19 e
precisa ser confirmado no exame laboratorial. Portanto, o teste rápido de
antígeno não confirma diagnóstico, sendo válido somente para triagem de
pacientes e correto encaminhamento ao hospital. É pouco utilizado quando comparado aos testes
que detectam anticorpos e A RT-PCR.
INFORME-SE
Na página do Instituto nacional de
propriedade intelectual INPI, no site da ANVISA e Ministério da Saúde é
possível ter acesso aos mais de 50 testes hoje aprovados para o diagnóstico da
COVID-19, assim como qualquer tipo de informação a respeito do vírus.
Como há muitos laboratórios produzindo
testes no momento, deve-se avaliar se o produto possui registro na Anvisa,
avaliar a documentação do fabricante e considerar que os dados podem ser
insuficientes para tomada de decisão.
Antes de se utilizar qualquer teste é
essencial que o mesmo passe por um processo de validação no Instituto Nacional
de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS)/Fiocruz, a fim de avaliar se os
resultados do teste podem ser considerados confiáveis (verificar parâmetros
como sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo
negativo).
Na página do Instituto nacional de propriedade intelectual INPI, no site da ANVISA e Ministério da Saúde é possível ter acesso aos mais de 50 testes hoje aprovados para o diagnóstico da COVID-19, assim como qualquer tipo de informação a respeito do vírus.
Confira o vídeo:
