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Terapia ocupacional: carreira, remuneração, vantagens e mais

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Confira um miniguia de informações sobre como funciona a terapia ocupacional e a relação com as diversas áreas médicas!

A Terapia Ocupacional (TO) é uma profissão de formação em nível superior que se ocupa de auxiliar os indivíduos, através de projetos terapêuticos, a ter um melhor desempenho em suas ocupações diárias.

O Terapeuta Ocupacional é um profissional da saúde com formação que inclui conhecimentos das Ciências da Saúde e das Ciências Sociais, fazendo com que exista um amplo campo de atuação do terapeuta ocupacional em todos os níveis de atenção à saúde.

As condições que afetam as ocupações dos indivíduos podem ser múltiplas, como condições de saúde, sociais, psicológicas, laborais, entre outras. No cenário onde a funcionalidade da pessoa está prejudicada, a atuação do terapeuta ocupacional pode ser bem-vinda.

Segundo o Sistema de Regulação do Ensino Superior do Ministério da Educação, existem cerca de 70 instituições de ensino que ofertam o bacharelado em TO na modalidade presencial e/ou à distância.

No Brasil, essa é uma profissão regulamentada pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, o COFFITO. 

Preparamos um miniguia para que você possa conhecer mais sobre essa profissão que integra a área da saúde e compreender como o Terapeuta Ocupacional pode atuar na equipe multidisciplinar.

Princípios fundamentais da Terapia Ocupacional

Os estudos da TO se pautam ao redor do conceito de Ocupação. Embora a palavra “atividade” seja comumente usada como sinônimo, alguns autores defendem que esse é termo reducionista, pois existem concepções diferentes sobre os termos “ocupação” e “atividade” na língua portuguesa e na língua inglesa.

Alguns autores compreendem que o conceito de Ocupação é dinâmico e complexo, mas que está relacionado a ações realizadas dentro de um ambiente e contexto associado à saúde e ao bem-estar, tanto como meio tanto quanto um fim em si.

A TO possui um ramo de estudos voltados apenas para a ciência ocupacional e a natureza ocupacional dos seres humanos.

“Incapacidade” e  “cuidado” são outros termos muito presentes nos estudos da TO, visando compreender as políticas sociais e de saúde no contexto de promoção da saúde e justiça ocupacional.

O processo terapêutico na Terapia Ocupacional também utiliza das concepções de valores e crenças dentro de suas atividades, sendo importante que o terapeuta atue sempre baseado na ética da prática da TO, em colaboração com o paciente.

Competências e Habilidades gerais da formação em Terapia Ocupacional

Conforme o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, considerando que esse é um curso da área de saúde, a atuação desses profissionais deve atender aos princípios éticos e bioéticos na atenção à saúde, tanto em nível individual como coletivo.

São as competências e habilidades gerais desenvolvidas na formação:

  • Atenção à saúde: desenvolvimento de ações de prevenção, promoção e reabilitação em saúde;
  • Tomada de decisões: capacidade decisória a partir da análise e sistematização de condutas baseadas em evidências científicas;
  • Comunicação: manter linguagem acessível com os indivíduos e assegurar a confidenciabilidade das informações que foram confiadas ao profissional, além de dominar linguagens como as de tecnologia da informação, comunicação e língua estrangeira;
  • Liderança: atuar com compromisso, responsabilidade, empatia, ter a habilidade de tomar decisões visando o bem-estar da comunidade;
  • Administração e gerenciamento: ser dotado da capacidade de tomar iniciativa, gerir recursos, materiais e informações na equipe de saúde;  
  • Educação continuada: aprender continuamente e se manter atualizado visando uma boa prática profissional.

Técnicas de avaliação e desenvolvimento de planos terapêuticos 

As técnicas de avaliação e o processo de desenvolvimento de qualquer plano terapêutico em Terapia Ocupacional são elaborados considerando uma série de fatores que influenciam na vida dos indivíduos, como:

  • Estrutura física
  • Função física
  • Atividades desenvolvidas
  • Fatores pessoais
  • Participação
  • Fatores ambientais

Para cada condição, um plano individualizado tende a ser adotado considerando a elaboração da ficha de evolução do paciente, de forma semelhante ao que se faz na anamnese. Os pontos que mais importantes dessa ficha são:

  • Identificação do paciente
  • Histórico clínico
  • Queixa principal
  • Descrição da rotina ocupacional
  • Descrição do perfil ocupacional
  • Testes e avaliações complementares (quando necessário)
  • Plano de intervenção (considerando os objetivos e recursos que serão utilizados para aquele caso)
  • Evolução ao longo do acompanhamento

Desses pontos listados acima, o perfil ocupacional se refere aos recursos, habilidades e/ou dificuldades de um indivíduo ao realizar determinada função.

Uma vez que a entrevista seja realizada e a ficha preenchida, o plano é elaborado e deve conter a descrição das estratégias de intervenção a serem adotadas, quais os instrumentos de avaliação serão utilizados e as metas e objetivos esperados.

Por fim, é esperado que haja uma reavaliação periódica para identificar se o plano inicial precisa ser reajustado ou adaptado de alguma forma, visando o sucesso da terapia.

Diferentes áreas de atuação da terapia ocupacional

A Terapia Ocupacional é uma área bastante versátil em relação a sua atuação, pois seus profissionais são capacitados em conhecimentos que relacionam o campo das Ciências da Saúde e as Ciências Sociais, como vimos.

Segundo a LEI No 8.856, DE 1º DE MARÇO DE 1994, a jornada de trabalho dos profissionais da TO prevê o máximo de 30 horas semanais, assim como para os fisioterapeutas.

De forma resumida, o papel do terapeuta é atual de forma a favorecer o desenvolvimento das capacidades psicossociais dos indivíduos em seus ambientes de convivência, melhorando seu estado psicossocial e laborativo.

Por conta disso, é possível que terapeutas ocupacionais atuem em muitos locais como:

  • Hospitais, ambulatórios, clínicas e consultórios;
  • Empresas;
  • Instituições de Ensino (de qualquer nível educacional);
  • Projetos Sociais e Organizações Não-Governamentais;
  • Comunidades terapêuticas;
  • Sistema Prisional;
  • Creches.

Atualmente existem sete especialidades em Terapia Ocupacional que são reconhecidas pelo COFFITO. São elas:

  • Acupuntura
  • Contextos Hospitalares
  • Contextos Sociais
  • Contexto Escolar
  • Gerontologia
  • Saúde da Família
  • Saúde Mental

Além disso, existe uma série de setores que a atuação e a utilização das técnicas da TO são utilizadas, como:

  • Arteterapia
  • Brinquedoteca
  • Desporto e paradesporto
  • Equoterapia
  • Home Care
  • Práticas Integrativas e Complementares – PICS
  • Saúde do Trabalhador
  • Atividades da Vida Diária
  • Integração Sensorial

Abordagem holística da terapia ocupacional e a orientação dos pacientes

Quando falamos em abordagem holística, estamos nos referindo a uma perspectiva que compreende o ser humano como integral, considerando o corpo, a mente e o espírito do indivíduo. Essa perspectiva se assemelha, em certa medida, ao conceito biopsicossocial de saúde. 

São aspectos considerados na visão holística:

  • Físico – isto é, corpo;
  • Emocional;
  • Social;
  • Espiritual;
  • Mental

O uso de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) como a acupuntura é possível na TO, visto que essas estão regulamentadas para o uso pelo terapeuta ocupacional. Como vimos anteriormente, por exemplo, a acupuntura pode ser uma especialização em TO.

A incorporação dessas práticas na terapia ocupacional perpassa pelas crenças do paciente e deve respeitar a individualidade de suas crenças. 

Porém, é importante diferenciar que terapia holística NÃO é a mesma coisa que terapia ocupacional. Como vimos, o terapeuta ocupacional é um profissional graduado em nível superior e que pode atuar com as PICS como prática complementar ao seu exercício profissional – o que é diferente de terapia holística.

Quando falamos de abordagem holística da terapia ocupacional, estamos nos referindo à visão do ser humano como um ser integral e não às práticas da terapia holística em si.

Como atos complementares ao exercício profissional, segundo a resolução Nº 491, DE 20 DE OUTUBRO DE 2017 do COFFITO, estão:

  • Hipnose;
  • Fitoterapia;
  • Auriculoterapia;
  • Meditação;
  • Reiki;
  • Yoga;
  • Entre outras.

Conclusão

A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde que visa beneficiar pacientes de todas as faixas etárias que possuam algum tipo de alteração nas atividades do dia a dia, seja qual for o contexto.

Embora seja comum pensar que a terapia ocupacional esteja direcionada ao contexto de trabalho, vimos aqui que os campos de atuação dessa profissão são bem amplos.

Pacientes neurodivergentes e neurotípicos podem se beneficiar da assistência da terapia ocupacional, fazendo com que o terapeuta ocupacional seja um importante componente da equipe multidisciplinar no cuidado.

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Sugestão de leitura complementar

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Referências do artigo

  • AOTA. Occupational Therapy Practice. Framework: Domain & Process. The American Journal Occupational Therapy. Vol. 63, 2014.
  • Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Terapia Ocupacional. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/. Acesso em 16 Dez 2023.
  • FAOTA, E. B. C. et al. Willard & Spackman’s Occupational Therapy, 11th Ed. Lippincott Williams & Wilkins, 2009.
  • PEDRETTI, LW; EARLY, MB. Terapia Ocupacional – Capacidades Práticas para as Disfunções Físicas. 5ª ed, Editora Santos, 2013, 1458p. 
  • SALLES, M. M., MATSUKURA, T. S. O uso dos conceitos de ocupação e atividade na Terapia Ocupacional: uma revisão sistemática da literatura/The use of occupation and activity concepts in Occupational Therapy: a systematic literature review. Cadernos Brasileiros De Terapia Ocupacional, 2016, 24(4), 801–810.

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