INTRODUÇÃO
O início da TH em mulheres com mais de 10 anos de pós-menopausa pode associar-se ao aumento do risco de doença cardiovascular. Entretanto, se iniciada na peri e pós-menopausa inicial, a TH pode diminuir o risco cardiovascular, conceito conhecido como “janela de oportunidade” .
Mulheres que apresentaram maiores benefícios com o uso de TH foram aquelas com idade entre 50 e 59 anos ou com menos de 10 anos de pós-menopausa. Esses benefícios incluíram a redução da incidência de DCV e da mortalidade geral
Benefícios da terapêutica hormonal
As principais indicações da TH são:
✔ Tratamento dos sintomas vasomotores e da atrofia vulvovagina
é condição decorrente da redução dos estrogênios nos tecidos da vulva e da vagina, sendo o diagnóstico baseado nos sintomas referidos pela paciente e detectados no exame ginecológico.
✔Prevenção da osteoporose e fraturas osteoporóticas
A TH é eficaz na prevenção da perda óssea associada à menopausa e na redução da incidência de todas as fraturas relacionadas à osteoporose, incluindo fraturas vertebrais e de quadris.
A TH pode ser indicada para prevenir e tratar a osteoporose em mulheres de elevado risco antes dos 60 anos de idade ou dentro dos primeiros anos de pós menopausa
✔ Tratamento dos sintomas vasomotores é considerado indicação primária para TH, especialmente para mulheres sintomáticas abaixo dos 60 anos e com menos de 10 anos de menopausa
Evidências atuais sugerem outros benefícios da TH sobre os sintomas geniturinários e distúrbios da função sexual e na redução da doença cardiovascular, além de melhora da qualidade de vida em mulheres na pós menopausa. Esses benefícios, embora reconhecidos, não são considerados suficientes para indicar o uso da TH na ausência das indicações consagradas.
✔Melhora da satisfação sexual, por aumentar a lubrificação vaginal, o fluxo sanguíneo e a sensibilidade da mucosa vaginal e melhorar a dispareunia
✔ melhorar a qualidade de vida em mulheres na peri e pós-menopausa sintomáticas em resposta à melhora obtida com tratamento sobre os sintomas vasomotores e as desordens da função sexual, do sono, e do humor
POTENCIAL PARA
✔ Melhorar o risco cardiovascular
há evidências de benefícios cardiovasculares quando a TH é iniciada na transição menopausal ou nos primeiros anos de pós-menopausa, na chamada janela de oportunidade.
Contrariamente, há aumento do risco cardiovascular quando iniciada em mulheres com muitos anos de menopausa
Riscos da terapêutica hormonal
Câncer de mama
o uso da TH estroprogestativa é limitado pelo aumento do risco de câncer de mama em 3 a 5 anos, enquanto a terapia estrogênica isolada teria maior período de uso com segurança
O efeito da TH sobre o risco de câncer de mama pode depender do tipo de TH, da dose, duração do uso, regime, via de administração, exposição prévia e características individuais
Trombose venosa profunda e embolia pulmonar TEV -dois casos por 1000 mulheres/ano
O uso de estrogênio transdérmico associado à progesterona natural parece ser mais seguro com relação à TEV, especialmente em mulheres de alto risco para TEV

A TH não está contraindicada em situações como:
- Diabetes controlado,
- Hipertensão arterial controlada
- Hepatite C
- Antecedente pessoal de neoplasia hematológica e de outros cânceres
REGIMES TERAPÊUTICOS

A adição do progestagênio para pacientes com útero é necessária para proteção endometrial, contrabalançando os efeitos proliferativos do estrogênio, e diminuindo, dessa forma, os riscos de hiperplasia e câncer endometrial

VIA ORAL – efeito de primeira passagem
pode potencialmente resultar em alterações hemostáticas pró-trombóticas (( maior reisco de TVP, todavia essas não são observadas em usuárias de estrogênio por via não oral
VIA VAGINAL – opção eficaz e segura no tratamento da atrofia vulvovaginal de moderada a grave
As formulações estrogênicas vaginais demonstram melhora dos sintomas clínicos e dos resultados citológicos vaginais quando comparadas aos estrogênios por via oral.
Com a terapia estrogênica vaginal não é preciso associar progestagênios para proteger o endométrio nem recomendar monitoração endometrial, pois as baixas doses das preparações vaginais não apresentam absorção sistêmica significativa
Efeito em comum a todos progestagênio: efeito secretor no endométrio, selecionados por apresentarem adequada atividade após administração e biodisponibilidade. Entretanto diferenciam-se entre si quanto a outros efeitos que possam desempenhar. Não existem diretrizes claras para a escolha do progestagênio
MECANISMO DE AÇÃO : Os progestagênios mediam seus efeitos intracelulares modulando a transcrição de genes-alvo em células específicas através da ligação não apenas ao receptor da progesterona, mas também pela afinidade variada a outros receptores esteroides, tais como os glicocorticoides, mineralocorticoides e androgênicos
Conclusão
A TH é considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas decorrentes da falência ovariana, sendo que os benefícios superam os riscos para a maioria das mulheres sintomáticas com menos de 60 anos de idade ou dentro do período de 10 anos da pós-menopausa.
O uso de TH é uma decisão individualizada, em que a qualidade de vida e os fatores de risco, como idade, tempo de pós-menopausa e risco individual de tromboembolismo, de DCV e de câncer de mama, devem ser avaliados.
Recomenda-se a menor dose efetiva da TH e pelo menor período de tempo necessário. Na avaliação dos benefícios e os riscos da TH, o tempo de manutenção do tratamento deve ser considerado de acordo com os objetivos da prescrição e com os critérios de segurança na utilização.
Autora: Pamella Macedo
Instagram: @pamellamacedo https://www.instagram.com/pamellamacedo/
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
FEBRASGO: Terapêutica Hormonal: Benefícios, Riscos e Regimes Terapêuticos
Baber RJ, Panay N, Fenton A; IMS Writing Group. 2016 IMS Recommendations on women’s midlife health and menopause hormone therapy. Climacteric. 2016;19(2):109–50.