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Tendinites: o que é, composição do tendão, achados clínicos e mais

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Tendinites correspondem a inflamação do tendão causada por lesões repetitivas e progressivas que afetam a estrutura de suas fibras.

Vamos relembrar a composição anatômica e funcional de um tendão, bem como os principais achados clínicos, diagnóstico e tratamento das tendinites?

Tendinites: composição anatômica e funcional do tendão

Os tendões são estruturas fibrosas situadas nas extremidades dos músculos, conectando-os aos ossos. Podem ser revestidos por bainhas sinoviais e têm a função principal de transmitir a força muscular para os ossos, possibilitando os movimentos articulares.

Imagine uma estrutura cilíndrica, alongada, formada de tecido conjuntivo denso modelado. Este é um tendão!

Mais precisamente, relembrando da histologia, o tecido conjuntivo constitui-se de fibras colágenas, que se organizam de forma hierárquica em microfibrilas, subfibrilas e, por fim, em fibrilas. As fibrilas agrupam-se em organizações denominadas feixes ou fascículos, com envolvimento de tecido conjuntivo frouxo. A união desses fascículos, por sua vez, constitui a unidade maior, o tendão.

Imagem ilustrativa da Estrutura anatômica do tendão.
Imagem: Estrutura anatômica do tendão. Fonte: https://bit.ly/3hQyRwA

A célula ativa do tendão é o fibroblasto, uma célula constituída de núcleo ovoide, coloração clara e grande tamanho, cromatina fina e nucléolo evidente, além de possuir prolongamentos citoplasmáticos irregulares.

Imagem: Representa um corte histológico, corado em hematoxilina e eosina (HE), do tecido conjuntivo denso, com núcleo dos fibroblastos e feixes de fibras colágenas. Fonte: https://bit.ly/2VaDwjd

O tendão, por sua composição em conjunto de fibras, tem a capacidade de movimentação fisiológica, facilitando o desenvolvimento corporal, por exemplo, andar, escrever e dançar. Contudo, em situações extremas que gerem lesões agudas ou crônicas, pode existir o encurtamento ou estiramento patológico dos tendões, cursando com limitação de movimento.

Isso pode ocorrer por inflamação e/ou calcificação, degeneração orgânica, diminuição de vascularização, dentre outras anormalidades. Além disso, em casos graves, pode haver o rompimento de fibras tendíneas, comprometendo de forma extensa a funcionalidade de um membro.

Epidemiologia e fatores de risco das tendinites

A tendinite é uma condição comum, especialmente com o aumento da prática de atividades físicas recreativas entre adultos de meia-idade, resultando em maior incidência dessa patologia. No entanto, a tendinite também pode ocorrer em pessoas mais velhas, independentemente da prática esportiva.

Os fatores de risco para a ocorrência de tendinites dividem-se em intrínsecos e extrínsecos.

Fatores intrínsecos incluem idade, histórico prévio de tendinite, fraqueza muscular, genética e doenças metabólicas como diabetes. A idade avançada associa-se ao aumento da incidência de tendinites, como as do calcâneo em corredores e do manguito rotador em atletas de arremesso. Além disso, o envelhecimento reduz a capacidade do tendão de armazenar energia e adaptar-se a atividades de carga.

Fatores extrínsecos, por sua vez, incluem erros de treinamento, como aumentos abruptos na carga de exercício sem descanso adequado, condições ambientais desfavoráveis, ergonomia inadequada e o uso de equipamento inadequado. A prática de esportes sem a devida adaptação e o retorno prematuro após lesões são outros fatores que podem aumentar o risco.

Ademais, algumas condições metabólicas, como o diabetes mellitus e a obesidade, estão associadas a um risco maior de tendinite, e certos medicamentos, como fluoroquinolonas, glicocorticoides e estatinas, também aumentam a probabilidade de desenvolvimento dessa condição. A combinação de fatores genéticos e ambientais pode contribuir para o surgimento da condição, sendo necessário um cuidado tanto na prevenção quanto no tratamento dessa patologia.

Achados clínicos das tendinites

A avaliação de um paciente com tendinite começa com um histórico detalhado e exame físico para identificar se a lesão relaciona-se ao tendão.

Algumas perguntas chave incluem se a dor começou repentinamente ou gradualmente, se há localização específica da dor no tendão, mudanças recentes em treinamento ou atividades, e o uso de novos equipamentos ou medicamentos. Além disso, fatores como retorno de períodos sem treino e histórico de condições inflamatórias ou metabólicas também são relevantes.

No exame físico, a sensibilidade no tendão afetado e dor ao realizar movimentos que carregam o tendão (resistência ou alongamento) são indicativos de tendinopatia. Além disso, a comparação com o tendão da outra extremidade ajuda a identificar o problema.

Embora o espessamento do tendão seja comum, pode ser difícil de detectar dependendo da profundidade do tendão. Tendões podem sofrer tanto tração quanto compressão, e atividades que envolvem essas forças podem causar dor, como no caso da tendinopatia do tendão de Aquiles.

Ademais, uma característica da tendinite é a dor com latência, onde a dor inicial aumenta durante a atividade, mas diminui enquanto o exercício continua, só para se intensificar horas depois. Identificar essa dor tardia é importante para o diagnóstico.

Por fim, a dor pode não estar apenas no tendão afetado, e uma análise cuidadosa da cadeia cinética, como fraqueza muscular ou padrões de movimento alterados, pode ajudar a identificar outras causas ou fatores contribuintes

Diagnóstico de tendinite

O ultrassom e a ressonância magnética (RM) são ferramentas úteis para avaliar alterações nos tendões, ajudando a identificar a tendinite como causa da dor, detectar rupturas significativas que podem necessitar de cirurgia e avaliar estruturas adjacentes envolvidas, como esporões ósseos ou inflamação da bursa.

Através do ultrassom Doppler, tanto em escala de cinza quanto colorido, evidencia-se espessamento do tendão, áreas com menor ecogenicidade e aumento do fluxo sanguíneo. Todavia, ainda discute-se sobre a relação entre esses achados e os sintomas clínicos.

A RM, por sua vez, permite visualizar o aumento do sinal em tendões alterados, indicando maior teor de água e vascularização. Em alguns casos, essa técnica supera o ultrassom na detecção de rupturas parciais. No entanto, sua utilidade na predição da melhora clínica dos pacientes ainda é incerta.

A repetição de exames de imagem durante a reabilitação não é geralmente recomendada, especialmente quando há progresso clínico. Além disso, embora os exames de imagem tenham boa sensibilidade e especificidade para rupturas completas, a precisão na detecção de rupturas parciais e outras patologias ainda apresenta limitações.

Manejo das tendinites

A principal abordagem recomendada para o tratamento da tendinopatia é a terapia baseada em exercícios, com ênfase em movimentos lentos, progressivos e de alta carga, sendo essa estratégia mais eficaz do que métodos tradicionais que utilizam cargas mais leves, medicamentos, intervenções invasivas ou repouso isolado.

Além disso, durante a reabilitação, é fundamental controlar o volume, a intensidade e o ritmo de progressão da carga sobre o tendão lesionado, restringindo-os ao programa terapêutico.

O uso de anti-inflamatórios, especialmente glicocorticoides, deve ser avaliado com cautela, pois seu uso prolongado pode ser prejudicial. Assim, sugere-se evitá-los sempre que possível.

Ademais, como medidas complementares, podem ser empregadas técnicas como alongamento, mobilização articular, aplicação de calor ou gelo e uso de órteses. Caso os exercícios isoladamente não resultem em melhora satisfatória, tratamentos adicionais, como nitroglicerina tópica e terapia por ondas de choque extracorpóreas, podem ser considerados.

A cirurgia, por sua vez, deve ser considerada apenas quando o tratamento conservador, incluindo exercícios estruturados, ajustes na carga de atividade e terapias complementares, não apresenta resultados satisfatórios após um período de 6 a 12 meses.

Bursite e fasciíte

Nos próximos blocos, relembraremos duas outras inflamações importantes: a bursite e a fasciíte.

Bursite

A bursite é a inflamação da bursa, que é o nome dado a uma bolsa preenchida por fluido com a função de amortecer o impacto e fricção de determinados tecidos, por exemplo, o atrito entre tendões e ossos.

São encontradas em regiões de grande mobilidade, como ombros, cotovelos, quadris, joelhos e tornozelos. O tecido de revestimento é especial, rico em células sinoviais que secretam fluido rico em colágeno e proteínas, este que nutre a região e favorece o deslizamento e movimentação articular.

As principais causas de bursite são movimentos repetitivos, progressivos, traumas, doenças reumatológicas e infecções. A sintomatologia varia com dor que pode ser progressiva ou repentina, neste caso por traumas agudos ou infecções, alterações locais como edema e limitação de movimentos.

O tratamento é iniciado com repouso, objetivando diminuição da inflamação local, bem como uso de medicamentos como analgésicos simples e antiinflamatórios não hormonais. Em caso de suspeita infecciosa que é fortalecida por sinais como vermelhidão, calor excessivo e dor severa deve ser instituído tratamento antibiótico.

Fasciíte

Já a fasciíte é a inflamação na fáscia, região aponeurótica firme que recobre regiões como a musculatura e arco plantar. Como principal exemplo, temos a fasciíte plantar que é uma causa importante de dor na região do calcanhar. É ocasionada por lesão na região, desde pequenos traumas repetitivos a alterações degenerativas que geram inflamação local.

Imagem ilustrativa da Região de fáscia plantar e calcâneo com evidência de inflamação local caracterizando a área de sintomatologia clínica.
Imagem: Região de fáscia plantar e calcâneo com evidência de inflamação local caracterizando a área de sintomatologia clínica. Fonte: https://bit.ly/2AZxpYd

A dor é bastante característica em região de calcâneo, com piora ao amanhecer e melhora após caminhada breve. Além disso, um sinal característico é o edema local.

Dentre os principais fatores de risco, destacam-se sobrepeso e obesidade, pés planos, presença de esporão calcâneo, excesso de corridas e caminhadas e encurtamento do tendão de Aquiles.

Evidenciada a patologia, o tratamento segue com repouso e diminuição de atividades que propiciem a dor e uso de calçado apropriado com palmilhas confortáveis. Ademais, há evidência de melhora significativa com tratamento fisioterápico que inclui aquecimento da fáscia plantar no início da manhã e exercícios de alongamento.

O tratamento farmacológico é indicado com antiinflamatórios não esteroidais e/ou infiltração local com corticoide. Em casos graves ou refratários, com insucesso após 12 meses de tratamento conservadores, o tratamento cirúrgico pode ser indicado com fasciotomia plantar parcial.

Tenossinovites

Por fim, as tenossinovites caracterizam-se por inflamação da bainha do tendão e membrana sinovial. São formadas pelo acúmulo de líquido na bainha que recobre os tendões, configurando um processo patológico mais grave que as tendinites.

Ocorrem com maior predominância em indivíduos idosos, acima de 60 anos e em grupos de risco, como indivíduos com exercício de trabalho repetitivo e de esforço, por exemplo, escritores, dançarinos, esportistas, dentre outros.

Em geral, o quadro clínico é marcado por dor, principalmente a movimentação, edema local, calor, rubor e dificuldade na realização de movimentos. Os locais mais afetados são cotovelos, ombros, mãos, joelhos e pés e a gravidade varia de acordo com o tempo e grau de exposição ao agente lesivo.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • PURDAM, C. R.; VOS, R. Tendinopathy: Overview of management. UpToDate, 2025.
  • REES, J.; VOS, R. Tendinopathy: Overview of pathophysiology, epidemiology, and presentation. UpToDate, 2025.

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