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Telarca, o início de tudo | Colunistas

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O corpo humano, ao longo da vida, passa por diversas modificações fisiológicas, principalmente envolvendo caracteres sexuais secundários. A puberdade é o período marco dessa metamorfose, em que há uma reativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonodal (HHG) e estimulando a liberação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Assim, dando início a uma sequência de eventos fisiológicos, no qual ocorre mudanças físicas e psicossocial.

O que é Telarca?

É o início do desenvolvimento da mama feminina, corriqueiramente avaliado e chamado de “desenvolvimento do broto mamário”, que marca o prelúdio da puberdade. Geralmente, esse processo puberal precede a menarca (primeira menstruação) em 2 a 2,5 anos, podendo sofrer influência de fatores genéticos, socioeconômicos e ambientais. Sabe-se, ainda, que essas eventuais mudanças iniciais na maioria das meninas entre os 8 e 13 anos. Assim, sendo a primeira manifestação clínica da puberdade no sexo feminino, em resposta ao início da produção de estrogênio pelos ovários.

Tipos de Telarca:

  • Telarca normal: a telarca, assim como pubarca, é avaliado segundo os Critérios de Marshall e Tanner. Esse é dividido em cinco estágios:
Tanner Mamas Pelos pubianos:
Pré-puberal, não há tecido mamários palpável. Pré-puberal, sem pelos.
Desenvolvimento do botão mamário, com elevação da papila e aumento de diâmetro da aréola. Pelos esparsos e finos, em grandes lábios.
Aumento da mama, sem separação entre o contorno da aréola e a mama. Pelos mais escuros e grossos, acima da pube.
A aréola e a papila se projetam além da mama. Pelos escuros e grossos, não atingem a raiz das coxas.
O contorno da mama se torna contíguo à mama, e a papila se projeta além da aréola. Pelos escuros e grossos, atingem a raiz da coxa.
Tabela 1- Adaptada do Tratado de Ginecologia da Febrasgo.
  • Telarca precoce (TP): considera-se precoce quando os botões mamários começam a se desenvolver antes dos 8 anos de idade. Essa TP pode ser isolada ou associada à puberdade precoce. Os mecanismos fisiopatológicos que ocasionam essa antecipação são, ainda, desconhecidos. Porém, acredita-se que está relacionado há um conjunto de fatores, como: sobrepeso, dieta que estimula a produção de estrogênio, genética, ambiente e fatores psicossociais. Geralmente, esse desenvolvimento mamário isolado uni ou bilateralmente, não ocasiona progressão da idade óssea. O acompanhamento regular com pediatra é fundamental, para avaliar o desenvolvimento da menina, além de monitorar uma possível puberdade precoce.
  • Telarca tardia (TT): é considerado tardia quando há ausência de desenvolvimento do broto mamário até os 13 anos de idade. Esse retardo pode ser ocasionado por: alteração na maturação do eixo HHG, pan-hipopituitarismo, uso de análogos de GnRH, anorexia nervosa, desnutrição, doenças crônicas, hipotireoidismo, influência genética e hereditariedade (como Síndrome de Turner). Esse atraso na telarca costuma estar associado a uma puberdade tardia, podendo ocasionar, ainda, alterações no desenvolvimento ósseo. Por fim, em razão do turbilhão de emoções e complexos físicos da idade, transtorno de ansiedade e depressão podem surgir em razão dessa demora do amadurecimento corporal.

 Conclusão

Desde o nascimento, toda criança passa por dois períodos de grande salto no seu desenvolvimento, sendo o primeiro durante os 2 primeiros anos de vida e o segundo é com início da puberdade. O acompanhamento médico regular e de qualidade é fundamental para um desenvolvimento saudável. O profissional da saúde que assiste essas meninas deve atentar todas essas fases de crescimento dos caracteres sexuais secundários, avaliando e acompanhando possíveis alterações.  


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências bibliográficas:

FERNANDES, C. E.; SÁ, MFS. Tratado de ginecologia Febrasgo. 2019.

PASSOS, Eduardo Pandolfi et al. Rotinas em ginecologia. Artmed Editora, 2017.

DODE, TRATA; DE, TRATADO. Tratado de Pediatria 4ª Edição-Vol, 2017.

FELIPE, Ilana Mirian Almeida et al. Puberdade feminina. 2014.

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