O foco deste texto é abordar as principais técnicas de memorização que com certeza farão a diferença durante a sua formação. Isso porque o universo médico é amplo e é preciso memorizar muitas informações.
Seja para conseguir notas boas em provas ou para utilizar o conhecimento
na prática, a necessidade de memorização aparece frequentemente na medicina, e
a maneira como cada pessoa explora essa necessidade é extremamente variável.
Hoje vamos abordar a técnica conhecida como Palácio das Memórias
Primeiramente, para que nossa conversa seja produtiva, é necessário que
você compreenda a diferença entre aprender e memorizar. Isso
porque, apesar dessas palavras muitas vezes serem utilizadas como sinônimos,
não o são. Abaixo, temos uma boa definição do que significa aprender:
“Passar a
compreender (algo) melhor graças a um depuramento da capacidade de apreciação,
empatia, percepção.” 1
Ou seja, o conceito de aprender envolve a compreensão do assunto
que você estuda e, por mais importante que seja, não é disso que eu e você
iremos conversar hoje. Por outro lado, a definição de memorizar é outra:
“Fixar
metodicamente, pela repetição sistemática, alguma coisa na memória; decorar.”2
O conceito de memorizar, portanto, é caracterizado por um processo
responsável por reter (ou fixar) na memória certa informação desejada. Para
este fim, conforme se vê na definição acima pelo uso do advérbio
“metodicamente”, necessita de métodos, ou seja, técnicas que você possa fazer
uso regular durante seus estudos. Lembra do conceito de Active Recall
que te apresentei no texto anterior? Se não lembra e quiser ver, basta clicar
neste link
aqui. O Active Recall é apenas um dos métodos
que existem por aí para você testar nos seus estudos. Hoje, te contarei outra
técnica muito utilizada. Antes disso, no entanto, fica uma dica importantíssima:
é muito mais fácil decorar uma informação depois que você já a tiver
compreendido. Em outras palavras, primeiro você aprende e depois você decora!
O Palácio
das memórias
O método de Loci (plural de locus, espaço em latim), muitas
vezes chamada de Palácio das Memórias é um dos mais eficazes métodos de
memorização que conhecemos. O emprego desta técnica é milenar, com seu uso
sendo descrito já pelos oradores da Grécia antiga, que precisavam pronunciar
grandes discursos em público sem fazer uso de anotações.3
Esta técnica funciona da seguinte forma: Você deve construir uma casa (um
palácio bem grande) em sua mente, com um caminho a ser percorrido dentro dela,
pelos seus corredores e cômodos. Coloque cada pedaço de informação relevante em
um seu proprio cômodo. Toda vez que você estudar, lembre-se da rota que deve
percorrer, explicando para si mesmo o que encontrará em cada local. Utilize
vários elementos dos sistemas sensoriais para “decorar” cada quarto.
Por exemplo, para estudar para uma prova de cirurgia, talvez fique assim:
“Você entra na casa que funcionava como pensionato para cirurgiões
aposentados… No primeiro quarto à direita, morava o Sr. McBurney, um velhinho
que morreu de apendicite. No chão se vê folhas do receituário com carimbo de
seu médico, o Dr. Blumberg, que tentava examinar sua barriga, mas o Sr. McBurney
gritava de dor quando chegava no lado direito, e não deixava. Na escrivaninha
tem um prato com espinhas de peixe (O quarto fede à peixe). As espinhas formam
as letras ‘A.S’ no prato. O banheiro do quarto tem vômitos no chão, e no
espelho está escrito uma mensagem: ‘TC ou USG’. Além disso, o quarto está em
uma temperatura desconfortavelmente quente. Ele acabou morrendo porque se recusou
a ser operado”.
Olha só! Apenas lembrando desta história que acabei de inventar, nesta
ordem, você lembrará que Apendicite mata, e o tratamento é cirúrgico (o
velhinho, afinal, morreu), que o paciente tem febre (o quarto está quente) e
que tem náusea e vômitos (vido o vômito no chão do banheiro). Além disso,
saberá do achado do exame físico importante da apendicite (ponto de McBurney,
entre o umbigo e a espinha ilíaca antero-superior do lado direito, – pelas
espinhas de peixe, com seu cheiro fedorento, formando ‘A.S’ , de
Antero-Superior), assim como o sinal de dor quando este ponto é pressionado
(Sinal de Blumberg). Não esquecerá também dos exames diagnósticos USG ou
Tomografia computadorizada (escritos no espelho do banheiro).
Você poderia continuar por conta própria depois disto! Siga em frente e
verá à cozinha, use-a para lembrar dos nomes de instrumentos cirúrgicos como se
fossem utensílios de cozinha, e os cheiros e cores dos pratos para lembrar de
que servem cada um!
Subindo as escadas, talvez você encontre alguns lembretes de neurocirurgia,
já que o cérebro fica na parte de cima! Os corredores deste último andar são
tortuosos, por causa dos giros e sulcos. Do lado de fora do quarto principal,
tem uma porta de ferro maciça (a Dura-mater). Já dentro do quarto temos uma pia
de mármore abandonada (Pia-mater) e dentro da própria pia tem uma teia de
aranha (Aracnoide). O quarto aliás, é estranho porque tem 5 paredes, e não 4,
como é o normal. Foi ideia de um arquiteto maluco, o Sr. Willis, que gostava de
polígonos. Em cada parede está escrito o nome de uma artéria. Veja, em sua
mente, cada parede com os seguintes nomes escritos, em vermelho: Artéria
cerebral anterior, Artéria comunicante anterior, Artéria carótida interna,
Artéria cerebral posterior e Artéria comunicante posterior.
Pronto! Agora que você já conhece o método Palácio das Memórias, comece a
praticá-lo! Lembre-se que o melhor palácio de memórias é aquele que você mesmo
constrói, porque cada detalhe fará mais sentido para você.
Nos próximos textos, conversaremos sobre outros métodos de memorização
para que você possa escolher qual o mais proveitoso para a sua memória. Até lá,
pratique este. Bons estudos!