Saiba neste artigo tudo que você precisa saber sobre a tabela de Snellen, incluindo como utilizar, materiais e mais informações.
A avaliação da acuidade visual é um dos primeiros passos na detecção de problemas de visão, sendo fundamental tanto na prática médica quanto em exames de rotina.
Entre os métodos mais utilizados para essa avaliação, a Tabela de Snellen se destaca como uma ferramenta simples, acessível e eficaz para medir a capacidade do paciente de enxergar detalhes a diferentes distâncias.
Dessa forma, o objetivo deste artigo é te orientar sobre a tabela de snellen para orientar sua prática médica compreendendo quais materiais precisam ser utilizados, preparação técnica, do local e mais. Acompanhe!
Introdução da tabela de Snellen
Em 1862, o oftalmologista holandês Herman Snellen, com auxílio de Donders, criou a tabela de Snellen baseada em optotipos utilizados universalmente para avaliar a acuidade visual (AV).
Assim, a AV é a capacidade do olho de enxergar objetos com detalhes e nitidez e é determinada pela imagem na retina percebida pelo indivíduo.
Depois de estudos para aperfeiçoar o método, chegou-se a um consenso de padronização mundial para essa avaliação. Dessa forma, a tabela, também conhecida por Escala Optométrica de Snellen ou Optótico de Snellen, não substitui o exame oftalmológico, mas é uma forma simples e prática de identificar possíveis alterações na condição visual das pessoas.
Assim, ela é utilizada para indivíduos a partir dos 5 anos de idade e o indivíduo deve saber ler para reconhecer as letras escritas.
Como utilizar e interpretar?
O paciente é colocado a 5-6 metros de distância do cartaz com a tabela de Snellen em tamanho padronizado. Desse modo, o profissional realiza o teste em um olho de cada vez. Para isso, cobre o outro olho com um objeto sólido, sem pressioná-lo, e depois avalia o outro.
Assim, o avaliador deve pedir para que o paciente diga as letras que está enxergando, começando de cima para baixo, ou seja, das letras maiores para as menores.
Se o indivíduo conseguir soletrar as letras da fileira 8 na imagem abaixo, é definida acuidade visual normal, representada como 6/6 ou 20/20 (capacidade de enxergar nitidamente a 6m ou a 20 pés).
O paciente com diminuição da acuidade visual não conseguirá soletrar essa fileira e a quantificação do comprometimento depende da fileira com menor tamanho de letras que o paciente consegue enxergar com nitidez, ou seja, o déficit é maior quando o paciente possui dificuldade para soletrar as fileiras com letras maiores.
Assim, cada fileira é marcada por uma estimativa de acuidade visual, por exemplo: uma AV 20/40 quer dizer que o indivíduo enxerga com nitidez a uma distância de 20 pés o que uma pessoa com acuidade normal enxergaria a 40 pés.
A definição de cegueira pela OMS, utilizando a tabela de Snellen, é quando a estimativa do melhor olho é de 20/400 (com erro de refração corrigido). Já o critério utilizado para fins trabalhistas, considera cegueira legal a estimativa de 20/200.
Dessa forma, a primeira situação, o indivíduo só enxerga vultos, e na segunda consegue caminhar sozinho, mas não é capaz de realizar trabalhos. Desse modo, a visão no melhor olho com refração corrigida de 20/60 caracteriza uma visão subnormal ou baixa visão.
Fonte: Teste de Snellen – https://www.provisu.ch/images/PDF/Snellenchart_pt.pdf
Materiais necessários
Existem materiais que são fundamentais para realizar o teste. Dessa forma, os principais materiais são:
- Tabela de Snellen;
- Objeto para apontar os optótipos (lápis, régua);
- Giz;
- Cartão oclusor;
- Cadeira;
- Metro ou fita métrica;
- Fita adesiva;
- Papel para registro dos resultados.
Preparo do local
- O local deve ser calmo e bem iluminado;
- A luz deve vir por trás ou dos lados da pessoa avaliada e deve-se evitar que a luz incida diretamente sobre a tabela;
- Posicionar a pessoa examinada sentada a 5-6 metros da parede onde está a tabela;
- O profissional deve fazer uma marca no piso com giz ou fita adesiva e colocar a cadeira do examinado de forma que as pernas traseiras coincidam com a linha demarcada;
- Além disso, é fundamental verificar se as linhas de optotipos correspondentes a 0,8 a 1,0 estão situadas ao nível dos olhos do examinado.
Fonte: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/caderno_saude_ocular.pdf
Preparo para aplicação do teste
- O profissional precisa explicar e demonstrar como ocorre o teste para a compreensão completa do examinado.
- O profissional precisa ensinar o examinado a cobrir o olho não avaliado sem compressão e orientar que mesmo estando ocluído, os dois olhos devem ficar abertos.
Aplicação técnica da tabela de Snellen
- Se a pessoa já utiliza óculos para longe, ele deve ser utilizado durante o teste;
- Os optotipos podem ser apontados com um objeto, que deve ser colocado em posição vertical, passando-o em cima e repousando abaixo do símbolo a ser identificado;
- Sempre avaliar primeiro o olho direito, e depois o esquerdo;
- Iniciar o exame com os optotipos maiores (de cima para baixo), continuando a sequência de leitura até a fileira em que a pessoa consiga enxergar sem dificuldade;
- Sempre anotar os resultados do olho direito antes de iniciar a avaliação do olho esquerdo.

Fonte: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/caderno_saude_ocular.pdf
Observações
Durante a realização do teste, é importante observar se o examinado apresenta algum sinal ou sintoma ocular:
- Lacrimejamento;
- Inclinação persistente de cabeça;
- Piscar contínuo dos olhos;
- Desvio ocular (estrabismo);
- Cefaleia (dor de cabeça);
- Testa franzida ou olhos semicerrados.
Desse modo, se o indivíduo apresentar algum desses sinais ou sintomas, há a necessidade de realizar o registro como observação na ficha de resultado da avaliação.
Importância do teste de Snellen
Para as crianças, a fase escolar requer uma boa acuidade visual para realização das atividades intelectuais e sociais, sendo muito importante no desenvolvimento e aprendizagem do indivíduo.
Desse modo, a realização do teste de Snellen nas escolas, por um profissional capacitado, pode identificar precocemente distúrbios visuais nesta faixa etária e alertar quanto à necessidade de uma consulta especializada em oftalmologia para possibilitar a correção dos vícios de refração que prejudicam o rendimento da criança em idade escolar.
Quem pode realizar o teste de Snellen?
Todos os profissionais da saúde e da educação podem fazer o Teste de Snellen, desde que tenham a devida capacitação.
Qual a frequência de realização do teste recomendada?
Recomenda-se a realização do teste para avaliação da saúde ocular pelo menos uma vez por ano para os estudantes do ensino fundamental, a partir dos 5 anos e 1 mês, e para os estudantes do ensino médio, até os 16 anos.
Autor: Stephanie Kischener Seif
Instagram: @tete_seif
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
Avaliação da acuidade visual Snellen – https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0004-27492009000600008&script=sci_arttext
Teste de Snellen – https://www.provisu.ch/images/PDF/Snellenchart_pt.pdf
Avaliação do paciente oftalmológico – https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/distúrbios-oftalmológicos/abordagem-ao-paciente-oftalmológico/avaliação-do-paciente-oftalmológico
Avaliação da acuidade visual mediante Teste de Snellen: um relato de experiência – Avaliação da acuidade visual mediante Teste de Snellen: um relato de experiência
Teste de acuidade visual infantil realizado por estudantes de medicina: relato de experiência – https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/4888/3365
Saúde ocular – Ministério da saúde – http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/caderno_saude_ocular.pdf
